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Co-infecção HIV/HCV - Influência do tratamento com interferon na progressão da fibrose

15/08/2011

Um estudo retrospectivo publicado no "Journal of Hepatology" realizou a comparação da progressão da fibrose hepática em 126 pacientes co-infectados HIV/HCV, dos quais 68 receberam tratamento da hepatite C com interferon peguilado e ribavirina e 58 não receberam tratamento para hepatite C.

O estudo é muito interessante já que a hepatite C é uma das principais causas de morte nos indivíduos infectados com HIV/AIDS. O tratamento atual da hepatite C somente consegue a cura de apenas uma parte dos co-infectados.

Nos indivíduos infectados com hepatite C a progressão da doença é determinada pela rapidez da progressão da fibrose hepática, existindo muita informação sobre a história natural, mas em pacientes co-infectados HIV/HCV a progressão da fibrose hepática nunca tinha sido estudada realizando biópsias hepáticas comparativas.

Nos 126 pacientes incluídos no estudo foram comparados os resultados das biópsias realizadas com intervalos de quatro anos entre elas.

Entre os 58 pacientes que não receberam tratamento da hepatite C foi encontrado que a fibrose piorou em 35 pacientes, representando 60% do total. Entre os pacientes tratados ao se dividir entre os não respondedores ou recidivantes e os que conseguiram a cura foi encontrado que dos 18 pacientes curados, em 5 deles, representando 28%, aconteceu uma piora no resultado da biópsia e, entre os 50 não respondedores ou recidivantes, 22 deles, representando 44%, apresentaram uma piora no resultado da biópsia.

O resultado encontrado persistiu após o ajuste para eliminar fatores que possam influenciar a progressão da fibrose ou prejudicar a sua regressão, como a presença da hepatite B, o nível do CD4 ou o consumo de bebidas alcoólicas.

Concluem os autores que o tratamento da hepatite C pode interromper a progressão da fibrose e induzir sua regressão. Sugerem estudos para esclarecer se os mesmos fatores que induzem a não-resposta ao tratamento da hepatite C também podem influir numa progressão mais rápida da fibrose.

MEU COMENTÁRIO:

Fica evidente que um paciente co-infectado que consegue a cura da hepatite C consegue evitar uma rápida progressão da fibrose hepática. Somente 28% deles progrediram após o tratamento da hepatite C, contra 40% entre os não respondedores ou recidivantes ao tratamento ou 60% naqueles em que a hepatite C não foi tratada.

Entristece observar que dos 68 pacientes tratados somente 18 obtiveram a cura, representando um percentual de 26,5% de curados. A publicação não informa as características do grupo que recebeu tratamento nem os genótipos presentes, o que dificulta a compreensão sobre a pequena resposta terapêutica conseguida.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Influence of interferon-based therapy on liver fibrosis progression in HIV/HCV coinfected patients: A retrospective repeated liver biopsy analysis - Ingiliz P, Valantin MA, Petrosi P, Finzi L, Pais R, Fedchuk L, Dominguez S, Katlama C, Poynard T, Benhamou Y. - Journal of Hepatology - Available online 23 July 2011


Carlos Varaldo
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