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Pacientes cirróticos co-infectados HIV/HCV - Terapia antiviral aumenta a expectativa de vida

30/03/2009

Um estudo apresentado durante o Sixteenth Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI) realizado em fevereiro no Canadá afirma que o tratamento antiviral do HIV apresenta melhores resultados na expectativa de vida dos pacientes cirróticos co-infectados HIV/HCV que o tratamento da hepatite C. O estudo, retrospectivo e multicêntrico foi realizado em 248 pacientes co-infectados HIV/HCV com fibrose avançada ou cirrose compensada. Pacientes com cirrose compensada são aqueles em que o fígado ainda consegue realizar a maior parte de suas funções.

O objetivo era avaliar a expectativa de vida mediante parâmetros como o espaço de tempo para o surgimento de episódios de descompensação hepática e o aparecimento de câncer no fígado, a necessidade de um transplante e, em especial se o tratamento melhorava o prognostico desses pacientes cirróticos.

A maioria dos pacientes tinha histórico de uso de drogas injetáveis. Oitenta e oito por cento dos pacientes recebiam terapia anti-retroviral para o HIV e, sessenta por cento apresentava carga viral negativa para o HIV e contagem media de 437 no CD4.

Em relação à hepatite C foi estimado que a infecção aconteceu em media 23 anos antes e todos tinham fibrose avançada ou cirrose comprovada por biopsia realizada doze meses antes do inicio do estudo. Setenta e cinco por cento possuía os genótipos 1 e 4, vinte e sete por cento abusavam do consumo de bebidas alcoólicas e quatro por cento estavam também infectados com a hepatite B.

Cerca de três quartos tinham recebido tratamento com interferon (a maioria com interferon peguilado e ribavirina) e a taxa de resposta sustentada foi de 24%.

Durante os trinta e seis meses do estudo foram relatadas 25 mortes, 2 casos de câncer no fígado e 5 transplantes hepáticos. Vinte e oito pacientes apresentaram o primeiro quadro de descompensação, em geral a ascite.

A sobrevida global do grupo co-infectado que apresentava cirrose foi de 85% aos três anos. Os pacientes tratados da hepatite C apresentavam maior possibilidade de sobrevida que os não tratados (91% versus 71% aos três anos), mas a diferença entre os pacientes curados da hepatite C e os não respondedores não foi significativa, sendo 95% versus 90% aos três anos do estudo.

Concluem os autores que embora o tratamento da hepatite C foi significativamente associado com o aumento da sobrevida em três anos, ao se analisar os outros fatores essa associação desapareceu.

Finalizam afirmando que a terapia antiviral do HIV e a avaliação do índice Child-pugh são fatores prognósticos mais importantes que o tratamento da hepatite C em relação à expectativa de vida dos pacientes cirróticos co-infectados HIV/HCV..

Fazem ainda a ressalva de que o estudo não exclui uma possível melhoria da expectativa de vida com o tratamento da hepatite C nos pacientes que conseguem a cura, devido ao número pequeno de participantes da pesquisa.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Montes ML et al. Survival of HIV/HCV-co-infected patients with compensated liver cirrhosis: effect of HCV therapy. Sixteenth Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, Montreal, abstract 106, 2009.


Carlos Varaldo
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