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Comentários do "Global HIV/HCV Coinfection Summit" - Madrid, Espanha, 15 e 16 de outubro

19/10/2014

Aconteceu em Madrid o "Global HIV/HCV Coinfection Summit" um encontro de ONGs de diferentes continentes com o objetivo de discutir e planejar ações no tratamento da hepatite C em pessoas co-infectadas com HIV (AIDS).

Quando apresentamos os sistemas de saúde publica, as ONGs presentes, como da China, Índia, Turquia, Bulgária, Estados Unidos e outros países ficava claro como os sistemas de saúde publica nos seus países são muito diferentes ao do Brasil. Somente o sistema do Reino Unido é similar, mas diferentemente do Brasil é relativamente um país pequeno. O Brasil tem 200 milhões de habitantes.

Este é um fator importante de considerar já que na Europa o numero de pessoas com hepatite C oscila entre 150 e 300 mil em cada país. No Brasil temos entre 2,5 e 3 milhões e somos um país continental, com culturas diferentes entre norte e sul e centenas de comunidades indígenas, uma condição de tal complexidade que os europeus não conseguem entender facilmente.

Quando se fala em acesso a tratamentos o SUS é olhado com admiração. Quando explicamos que o sistema é universal e gratuito para todos, empregados e desempregados, que atende 5.600 municípios, que apesar da carências em muitas áreas os infectados com AIDS e hepatites recebem tratamento e medicamentos não conseguem acreditar.

E quando na discussão informamos que estamos (apesar da ANVISA) prestes a aprovar e incorporar o sofosbuvir, o simeprevir e o daclastavir, negociados a um preço extraordinário, com um desconto no tratamento combinado que chega aos 93% sobre o preço no primeiro mundo, eles não queriam acreditar. Estamos muito a frente da maioria dos países.

Já os problemas enfrentados pelo co-infectados HIV/HCV, objetivo principal do encontro, são praticamente os mesmos aos que temos no Brasil, entre eles se destacam a falta de diagnostico, falta de tratamento multidisciplinar, falta de tratamento especializado no interior dos países, estigma, discriminação, etc..

O trabalho foi longo e extenso no "Global HIV/HCV Coinfection Summit", mas a continuação segue um resumo daquilo que os governos deveriam executar como ações prioritárias para atender os infectados com HIV (AIDS) e hepatite C:

AÇÕES E OBJETIVOS:

Procurar estratégias de negociação de preços; seguir os modelos de negociação de Egito, Índia e Brasil; melhorar o conhecimento de todos os professionais de saúde e dos pacientes; exigir informações e transparência na forma como a indústria estabelece os preços; procurar formas de assegurar sustentabilidade às associações de pacientes; estabelecer programas de acesso facilitado; publicar guias de tratamento que incluam todos os tipos de pacientes; realização de estudos de fármaco economia que estimem o custo de não tratar um infectado; maior ênfase nas populações chaves e mulheres gravidas; publicar guias de cuidados e tratamentos para médicos não especialistas e para pessoal de enfermagem; controle da infecção em procedimentos invasivos e pacientes em dialises; ações efetivas na redução de danos entre usuários de drogas injetáveis; implementar sistemas de controle para a fase 4 dos medicamentos para conhecer o resultado na vida real; publicar guias para tratamento dos efeitos adversos; considerar a falta de diagnostico e tratamento um problema de direitos humanos; oferecer a testagem anônima; realizar testes das hepatites ao se realizar o teste para HIV (AIDS); combater o estigma e discriminação realizando amplas e permanentes campanhas informativas; considerar a discriminação um crime, tal qual acontece na AIDS; ações de educação e prevenção em presídios, usuários de drogas, homens que fazem sexo com homens, imigrantes e populações indígenas e, finalmente, que obrigatoriamente toda informação sempre fale que a hepatite C tem cura.

Parece muito, mas é exigindo, reivindicando, gritando que se conseguirá avançar. É assim que trabalham grupos de AIDS e assim é que agora os grupos de co-infectados estão colocando as metas que devem ser atendidas.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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