GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
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30/09/2006


Prezado Dr. João Galizzi Filho - jgalizzi.bhz@terra.com.br
Presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia



A Sociedade Brasileira de Hepatologia acaba de emitir a nota abaixo transcrita na sua totalidade para conhecimento da população. A mesma e uma resposta a "Carta Aberta" que foi emitida pelo Grupo Otimismo em 26 de setembro e qual pode ser lida em http://hepato.com/p_leis_direitos/carta_sbh-230060926.html

Em nome dos portadores de doenças hepáticas lamentamos os termos da resposta já que pouco tem a ver com o texto da Carta Aberta. Na Carta Aberta reclamamos, respeitosamente, que passados 18 meses da elaboração do conceito de hepatopatia grave pela SBH, em nenhum momento tivemos resposta sobre a necessidade de um novo conceito da hepatopatia grave desde o ponto de vista laborativo, para assim atender leis que concedem alguns benefícios aos acometidos de forma grave na doença hepática. Colocamos ainda um posicionamento do CREMESP ao avaliar a hepatopatia grave de seus associados, muito mais atual que o da SBH.

Em nenhum momento a Carta Aberta utiliza termos agressivos ou desrespeitosos nem "brinca" com o nome da SBH. A Carta Aberta e emitida pelo Grupo Otimismo, uma instituição legal e oficialmente constituída que representa quase 21.000 associados, sejam estes doentes do fígado ou simples participantes.

O desrespeito e preconceito parte da Sociedade Brasileira de Hepatologia ao colocar de forma discriminatória se tratar de "uma voz - ainda que com pomposo acento portenho". Muito me orgulha morar, por opção, há 37 anos no Brasil e lutar por melhores condições de vida de todos os brasileiros. A colocação da SBH ignora que muitos pais ou avos da maioria dos membros da SBH também são imigrantes, inclusive os progenitores do Senhor. Assim respeito mutuo, sem preconceitos raciais seria de muito bom grado.

Continua a nota da SBH colocando que "no afã de se fazer ouvir, utiliza o nome da SBH de maneira intempestiva e inconseqüente, propositalmente distorcendo fatos e semeando informações inverídicas à população, torna-se necessário um veemente posicionamento em defesa da verdade". Aqui só farei uma pergunta: É inverídica então a existência do tal "Conceito de Hepatopatia Grave" pelo método MELD emitido pela SBH?

A solicitação do Programa Nacional de Hepatites Virais para a elaboração de um novo conceito de hepatopatia grave para atender fins laborativos foi realizada há mais de sete meses, no mês de março de 2006 e, até o momento a solicitação do PNHV não foi atendida, permanece sem resposta. Por se tratar de assuntos de saúde, em respeito a doentes graves, aguardamos a maior brevidade a elaboração do novo conceito.

Cabe lembrar que assim como os médicos possuem suas sociedades e associações, os pacientes acometidos de doenças hepáticas também têm o direito constitucional de formar suas próprias associações, as quais atuam na defesa dos interesses de seus associados, utilizando se necessário a liberdade de opinião que garante um regime democrático.

Esperando que compreendam nossa ansiedade solicitamos que o dialogo continue sem ofensas pessoais. O Grupo Otimismo sempre respeitou e prestigiou a Sociedade Brasileira de Hepatologia e todos seus membros associados. Exigimos o mesmo tratamento.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo




Recebido da Sociedade Brasileira de Hepatologia:

Sociedade Brasileira de Hepatologia 29 de setembro de 2006


A respeito de notas difamatórias divulgadas pelo Sr. Carlos Varaldo ou "Grupo" Otimismo

Diferentemente do "Grupo" Otimismo (que parece desrespeitar a verdade até em seu próprio nome, pois atua, na prática, ao bel prazer de um único cidadão), a "Sociedade Brasileira de Hepatologia" (SBH) é uma Associação Civil de caracter científico, criada há 39 anos pelo idealismo e a vontade de ajudar o próximo de ilustres hepatologistas brasileiros. Mantendo-se fiel a seus preceitos fundamentais, a SBH conquistou, através dos anos, o respeito e o reconhecimento da comunidade a que procura servir com o mais legitimo de seus esforços.

Constituída por cidadãos comuns que buscam na Medicina a realização de seus ideais, a SBH tem certamente entre seus associados (ou entre parentes dos mesmos) eventuais portadores dos vírus das hepatites, como qualquer outro segmento da sociedade. O abnegado esforço de seus associados tem gradativamente tornado a SBH respeitada na comunidade científica internacional, da qual tem sido parceira em inúmeros projetos de pesquisa relativos às doenças do fígado em geral e às hepatites virais em particular.

A SBH tem atuado com firmeza e constância na defesa do acesso à informação, ao diagnóstico e ao tratamento para todos os pacientes portadores de hepatites, seja junto aos veículos de comunicação, seja nos fóruns científicos ou junto ao Programa Nacional de Hepatites Virais. Não se brinca, portanto, com o nome da Sociedade Brasileira de Hepatologia!

Quando uma voz - ainda que com pomposo acento portenho - no afã de se fazer ouvir, utiliza o nome da SBH de maneira intempestiva e inconseqüente, propositalmente distorcendo fatos e semeando informações inverídicas à população, torna-se necessário um veemente posicionamento em defesa da verdade.

Quando há alguns anos, durante a gestão da Dra. Edna Strauss, a SBH foi solicitada a emitir parecer técnico sobre a expressão "hepatopatia grave" - sem conotação específica com a questão da isenção de obrigações civis - agiu, como de hábito, auscultando seus associados e consultando fontes científicas internacionais, procurando formular conceito isento e embasado. Assim sendo, a SBH nada tem a ver com a subseqüente utilização de tal conceito em situações às quais ele não se aplique. Da mesma forma, a SBH jamais postulou que o MELD - Model for End Stage Liver Disease - criado na América do Norte com finalidades muito diversas das aqui discutidas - seja utilizado por qualquer entidade com o propósito de isentar ou não qualquer cidadão de qualquer obrigação fiscal! Como sociedade médica, a SBH é intransigente na defesa dos direitos e do atendimento às necessidades dos pacientes que realmente não possam exercer suas atividades profissionais em virtude de suas moléstias!

Finalmente, a SBH acredita que somente com o esforço conjunto, responsável e solidário dos diferentes setores da sociedade envolvidos, será possível atender as demandas e melhorar os horizontes dos cidadãos infectados pelos vírus das hepatites.

Em tempo: atendendo solicitação do Programa Nacional de Hepatites Virais do Ministério da Saúde a SBH está elaborando proposta de "Classificação de hepatopatias para subsidiar concessão de aposentadoria" que, aí sim, será divulgada tão logo concluída.

João Galizzi Filho
Presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.





Last updated 30.9.2006