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Confirmado - A ribavirina por peso do paciente e fator fundamental para sucesso no tratamento da hepatite C

22/10/2007

Dois estudos da revista HEPATOLOGY acabam de confirmar a importância da ribavirina, quando administrada corretamente, na possibilidade de alcançar resposta terapêutica no tratamento da hepatite C. Uma nova pesquisa, realizada com mais de 5.000 pacientes que pela primeira vez estavam sendo tratados com interferon peguilado nos Estados Unidos, mostra resultados surpreendentes. Fugindo do tradicional esquema de 1.000 mg/dia para pacientes até 75 kg e de 1.200 mg/dia para aqueles que pesam acima de 75 kg, os pesquisadores empregaram as seguintes dosagens de ribavirina:

Pacientes com menos de 65 kg, dosagem de 800 mg/dia;
Pacientes entre 65 kg e 84 kg dosagem de 1.000 mg/dia;
Pacientes entre 85 kg e 104 kg dosagem de 1.200 mg/dia;
Pacientes entre 105 kg e 125 kg dosagem de 1.400 mg/dia;

O tratamento foi de 48 semanas para os genótipos 1, 4, 5 e 6. Os pacientes com os genótipos 2 ou 3, dependendo da resposta terapêutica, recebiam tratamento por 24 ou 48 semanas. Todos realizaram PCR (carga viral) no inicio do tratamento e nas semanas 24, 48 e 72 (esta ultima para verificar a resposta após seis meses o final do tratamento).

Caso a ribavirina apresentasse anemia, com níveis abaixo de 10 gm/dl a dosagem era reduzida e se o nível caísse para um valor inferior a 8,5 gm/dl a ribavirina era retirada. Porém, os pesquisadores admitem que possa se usada a eritropoetina para evitar reduzir ou descontinuar a ribavirina.

Um dos artigos relata o resultado total encontrado nos 5.027 pacientes que receberam o tratamento com ribavirina em função do peso apresentando os seguintes resultados:

- Pacientes com genótipo 1 tratados com ribavirina nas dosagens indicadas pelo peso apresentaram 34% de resposta sustentada (cura) contra 28,9% dos que receberam as dosagens fixas de ribavirina.

- No mesmo grupo do genótipo 1, mas considerando somente os que possuíam alta carga viral o índice de cura foi de 31,2% e 26,7% respectivamente.

- Nos pacientes com genótipos 2 ou 3 não foram encontradas diferenças significativas no tratamento pelo peso do paciente ou pela dosagem fixa tradicionalmente utilizada, sendo de 61,8% contra 59,5% respectivamente.

- Nos pacientes com genótipos 2 ou 3 o tratamento por 48 semanas não apresentou resultados superior de resposta sustentada (cura) que o tratamento por 24 semanas.

- A resposta virológica (PCR realizado no final do tratamento) foi encontrada em 44,2% dos tratados pelo peso contra 40,5% dos tratados com dosagem fixa.

- A redução de hemoglobina (anemia) foi superior nos pacientes tratados com a dosagem de ribavirina em função do peso do paciente, não se encontrando diferenças nas diferentes faixas de peso.

Os autores concluem afirmando que a dosagem de ribavirina baseada no peso do pacientes e mais efetiva para alcançar a resposta terapêutica que quando administrada em dose fixas, como tradicionalmente e realizado, particularmente para infectados com o genótipo 1, tendo demonstrado ser superior em todas as faixas de peso.

Já no caso de infectados com os genótipos 2 ou 3 a dose fixa tradicionalmente utilizada e eficaz e não foi comprovado nenhum beneficio em realizar o tratamento por 48 semanas em vez das 24 até agora indicadas.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base nas seguintes fontes:
- IM Jacobson, RS Brown, B Freilich, and others. Peginterferon alfa-2b and weight-based or flat-dose ribavirin in chronic hepatitis C patients: A randomized trial. Hepatology 46(4): 971-981. September 25, 2007 [Epub ahead of print].
- J Smith and SH Han. "True" weight-based dosing versus "flat"dosing of ribavirin: Will the WIN-R please come forward? [Editorial]. Hepatology 46(4): 953-956. September 25, 2007 [Epub ahead of print].


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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