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O poder oculto dos placebos, uma arma muito mais eficaz do que se acreditava

30/08/2005

Uma investigação de uma equipe de cientistas da Universidade de Michigan demonstrou que os placebos têm um poder superior ao que se pensava. Em alguns casos, uma simples pastilha de açúcar pode obter que o cérebro detenha os sintomas da dor.

O efeito placebo não é uma sugestão. Tomar uma pastilha de açúcar acreditando que é um analgésico faz que o cérebro produza endorfinas, as substâncias naturais que ajudam a nosso corpo a aliviar o sofrimento físico. Em conseqüência, uma sensação psicológica -a ilusão do benefício do fármaco- pode desencadear um mecanismo químico que se pode medir perfeitamente no laboratório, com o conseguinte resultado: a dor diminui de verdade.

Jon-Kar Zubieta e seus colegas da Universidade de Michigan publicaram o experimento no Journal of Neuroscience. Quatorze voluntários jovens se apresentaram no laboratório da universidade e aceitaram submeter-se a uma prática bastante dolorosa: injetou-lhes nos músculos da mandíbula uma solução salina. Em alguns casos, os voluntários tinham a ilusão de ter recebido um analgésico, o qual não era verdade. Mas, imediatamente, no cérebro dos voluntários começaram a se desencadear reações que um aparelho registrava passo a passo.

No momento em que os médicos comunicavam a quais voluntários tinham subministrado o analgésico, os neurônios começavam a produzir endorfinas. Estas substâncias têm a tarefa de bloquear os receptores nervosos da dor, impedindo que as sensações desagradáveis se transmitam de uma célula a outra. "Nosso estudo" comentou Zubieta, "é outro golpe na idéia de que o efeito placebo é um fenômeno só psicológico e não físico".

Que as ilusões produzidas por mudanças concretas no cérebro eram uma realidade já se intuía faz tempo que. Na mesma Universidade de Michigan, em fevereiro do ano passado, uma equipe de investigadores conseguiu observar as zonas cerebrais que se ativavam quando um voluntário era submetido a um estímulo doloroso. Uma telecámara especial guiada pelo Tor Wager tinha demonstrado que o efeito placebo reduzia a atividade cerebral em zonas como o tálamo e a parte anterior do cíngulo, uma prova de que o mecanismo de bloqueio do sofrimento estava em ação, ativado pela ilusão de ter recebido um calmante.

Mas esta é a primeira vez que se observaram os circuitos involucrados e que se individualizou o mediador químico. Em uma palavra, foi gerada uma ponte entre o aspecto psicológico e o aspecto orgânico do fenômeno. "A conexão corpo-mente é evidente", entusiasma-se Zubieta.

A tudo isto se soma uma nova tese. Não é casual que os protagonistas que entram imediatamente em ação sejam as endorfinas, substâncias que atuam sobre os receptores da dor ao igual à heroína, a morfina e os anestésicos em geral. A publicação dos investigadores de Michigan chega exatamente 50 anos depois do descobrimento do efeito placebo.

Em 1995, de fato, no jornal da Associação Médica dos Estados Unidos, publicava-se um artigo titulado "O placebo potente". O assinava Henry Beecher, um médico anestesista de Boston surpreso pelo fato de que pílulas inúteis de açúcar ou copos de água fresca conseguiam fazer efeito em 35 por cento dos pacientes aos que lhes subministravam em lugar dos fármacos verdadeiros.

As respostas dos indivíduos ao fornecimento de um placebo não são sempre iguais. Alertam os pesquisadores da Universidade de Michigan que, depois de ter observado as reações, dividiram a seus pacientes em "pouco reativos" e "muito reativos" (aqueles com uma redução da dor superior aos 20 por cento).

Do que depende esta disparidade ainda não é claro e será objeto de futuros estudos. "Enquanto isso continua o debate entre aqueles médicos que não encontram ético enganar a um paciente lhe subministrando um remédio falso e aqueles que se aferram ao escrito por Platão no "A Republica" segundo o qual "a mentira é inútil com os deuses, mas útil com os homens como fármaco".

Jornal A Republica - Itália
Espanhol: Elena Dusi - Jornal Clarin - Argentina
Português - Carlos Varaldo - Grupo Otimismo - Brasil


MEU COMENTÁRIO:

Em varias oportunidades escrevi (posição que defendo fortemente) que muitos dos efeitos colaterais do interferon durante o tratamento da hepatite C acontecem em pacientes que não estão suficientemente preparados para iniciar o tratamento.

Por falta de informação, por falta de conselhos e explicações detalhadas daquilo que irão enfrentar, pelo medo do desconhecido, ficam com medo e ansiosos, pensando que a aplicação do interferon os vai destruir, derrubar, que não poderão realizar suas atividades normais, seu trabalho.

Curiosamente, são estes os pacientes que apresentam maiores efeitos colaterais. Pacientes que antes do tratamento freqüentam grupos de apoio, que tentam se informar sobre a doença, o tratamento e seus efeitos, que continuam com sua rotina diária, em geral apresentam poucos e suportáveis efeitos colaterais.

Existindo um grupo de apoio na cidade todos os pacientes deveriam ser encaminhados a uma reunião antes de iniciar o tratamento. O dia que todos os médicos realizarem este procedimento o tratamento será muito melhor levado e consequentemente um número maior conseguirá a cura.



Carlos Varaldo
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