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Contribuições para aumentar a discriminação e desinformação

13/12/2006

O Diário de São Paulo publicou em 25 de novembro uma entrevista sobre o recém inaugurado Centro de Reprodução Assistida em Situações Especiais (Crase) da Faculdade de Medicina da Fundação ABC - pioneiro na América Latina sobre um o método permite isolar o vírus do sêmen antes de o óvulo ser fecundado.

A matéria continua entrevistando alguns pacientes, como a dona-de-casa de 27 anos, e o marido, que foram os primeiros a se inscrever no programa de reprodução assistida da Faculdade de Medicina da Fundação ABC. Há 10 anos o casal sonha em ter filhos.

Em 2003, ao tentar tratamento, ela descobriu que era portadora do vírus da hepatite C e, mesmo após terapia com anti-retrovirais, não podia engravidar porque havia riscos devido ao excesso de óvulos que produzia. Agora, porém, os dois começam a planejar a chegada do bebê. - Eu já estou até me vendo grávida - diz Milene.

Para o casal, só a clínica especializada no atendimento a infectados já é motivo para comemorar. - Os médicos que visitei me diziam que o risco de a criança nascer doente era grande e isso me deixava infeliz. Mas agora sei que posso correr atrás do meu sonho - diz Milene, que deve concluir a terapia com os anti-retrovirais este ano e espera poder engravidar em meados de 2007.

MEU COMENTÁRIO:

O Brasil poderá vir a receber o premio Nobel por esta excelente contribuição cientifica, pois é único país do mundo a tratar a hepatite C com anti-retrovirais, conforme foi tratada a hepatite C desta paciente.

Também uma outra reportagem da própria Faculdade de Medicina da Fundação ABC informa que o vírus e isolado no sêmen, antes de fecundar o óvulo. Gostaria então saber se existe algum trabalho cientifico que comprove se "HOMENS' infectados com a hepatite C podem transmitir a hepatite C a seus filhos. Nenhum consenso internacional cita que isso foi alguma vez sequer comprovado. Todo o conhecimento atual fala na possibilidade de transmissão vertical da hepatite C da mãe infectada para o filho em aproximadamente cinco por cento dos nascimentos, mas nunca se fala na transmissão vertical do homem para o filho, já que isso não esta comprovado que possa suceder.

É lamentável que profissionais ligados a uma faculdade de medicina coloquem no "mesmo saco" o HIV/AIDS, a hepatite B, a hepatite C e o HTLV. Informar errado, passar informação não verdadeira não somente e uma das piores coisas que podem acontecer na saúde, ainda mais quando a mesma pode causar discriminação nos infectados pela hepatite C.

Acredito existir uma grave confusão. Esta técnica e utilizada correntemente em vários países, inclusive no Brasil, para reprodução assistida em homens infectados com o HIV, a hepatite B ou o HTLV que desejam ter filhos, se evitando assim a possibilidade da transmissão vertical masculina.

Porem, a literatura não cita comprovações que homens infectados com a hepatite C possam transmitir verticalmente a doença a seus filhos. O vírus se encontra presente no esperma, mas em quantidade insuficiente para provocar a transmissão. A tal ponto que os consensos médicos não citam restrições quanto à reprodução.

Existe, sim, a transmissão vertical quando a infectada e a mulher. Em uma proporção baixa, aproximadamente cinco por cento das mulheres infectadas com a hepatite C transmitem de forma vertical a doença a seus filhos durante o parto. Por ser uma incidência baixa não existem maiores restrições sobre a gravidez destas mulheres.

Na reportagem do Diário de São Paulo uma paciente informa que descobriu ser portadora de hepatite C no ano de 2003 e realizou terapia com antiretrovirais sem sucesso. Continua informando que espera concluir a terapia com antiretrovirais ainda este ano e então poder engravidar.

Duas questões muito delicadas se encontram na colocação desta paciente. Uma delas e que a hepatite C não e tratada com antiretrovirais e sim com o interferon, um antiviral. Uma outra questão e que a técnica ofertada e de filtragem do esperma do homem e neste caso a infectada com a hepatite C e a mulher e não o marido. De nada vai adiantar a filtragem do esperma de um individuo sadio. Na reportagem da revista, com o nome de "Medicina ABC inicia reprodução assistida para pacientes com AIDS e hepatites" colocam que "INDIVÍDUOS ANTES CONDENADOS A NÃO TER FILHOS VÃO AGORA REALIZAR ESSE SONHO E SUBIR MAIS UM DEGRAU NA ESCADA DA DIGNIDADE HUMANA". Repudiamos essa colocação insultante e discriminatória, lembrando que os portadores de hepatite C, hepatite B, AIDS ou HTLV não são cidadãos de "segunda classe" para serem inseridos no ultimo degrau da escala humana.

A nossa indignação e sobre o fato que informações erradas (as quais podem ser culpa dos jornalistas) causam estigma e discriminação nos portadores de hepatite C, um dos maiores efeitos adversos da epidemia devido a falta de conhecimento na população em geral.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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