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80 % dos infectados pela hepatite C desenvolverão cirroses

05/09/2005

Esta sendo divulgado em jornais de todo o mundo um "release" de um estudo publicado na edição de 01/09/2005 da revista Clinical Gastroenterology and Hepatology, da American Gastroenterological Association (AGA) realizado na Escola de Medicina e Odontologia da Rainha Mary, em Londres, Inglaterra e patrocinada por uma indústria multinacional fabricante de medicamentos para o tratamento da hepatite C.

Os jornais estão publicando de forma alarmista que 80% dos infectados com a hepatite C desenvolverão cirroses, sendo a mesma uma doença do fígado quase inevitável para indivíduos infectados pela hepatite C.

Lamentavelmente não é esclarecido que o percentual de 80% de cirróticos foi estimado que pudesse chegar a acontecer 60 anos após a infecção e, não explica que muito antes disto a maioria dos infectados deverão estar mortos, sem ter desenvolvido cirroses.

Objetivando assustar os infetados para que os mesmos procurem à farmácia da esquina em busca de tratamento, o informe enviado a imprensa ainda fala, também de forma alarmista, que a hepatite C é um vírus que ataca o fígado e se espalha principalmente por contato com sangue, por transfusões e no meio de usuários de drogas injetáveis. Que também e encontrado em crianças nascidas de mães portadoras, em pessoas com piercings e tatuagens e em indivíduos com comportamento sexual de risco. Não explicando que no caso das transfusões a possibilidade de contagio e mínima já que todo o sangue e testado.

Os pesquisadores, coordenados pelo Dr. Graham R. Foster realizaram estudos retrospectivos em 382 pacientes diagnosticados com hepatite C em hospitais de Londres entre os anos 1992 e 2003, metade deles pacientes asiáticos, provavelmente contaminados na infância e a outra metade de pacientes caucasianos (Europeus brancos).

O estudo não mostra se existiam prontuários confiáveis sobre o histórico clinico dos pacientes nos últimos 60 anos. Não indica se faziam uso freqüente de bebidas alcoólicas ou de drogas nem sequer informam o peso corporal dos pacientes incluídos no estudo. Não indica se eram diabéticos e nem sequer que outras doenças eles tiveram nestas seis décadas ou qual o meio ambiente em que residiam ou trabalhavam. Somente com estes dados e com um número maior de pacientes, selecionados em estudo multicentro, e que poderia se chegar a alguma conclusão.

Acho lastimável e irresponsável se empregar armas de marketing de baixo nível quando o assunto e saúde da população e pior ainda, uma sociedade médica aceitar para publicação um estudo deste tipo.

Por uma questão ética não colocarei, por enquanto, o nome do fabricante que patrocinou o estudo, mas, se o assunto continuar a ser utilizado com o objetivo de assustarem médicos e pacientes, para que todos se desesperem e queiram ser tratados, então, não terei duvidas em divulgar o nome do patrocinador.

Sempre estaremos defendendo os pacientes, ao final, somos um grupo de pacientes lutando por nossos direitos. A nossa situação independente nos permite, quando necessário, criticar tanto o governo, como os fabricantes de medicamentos, como profissionais médicos que não atuam corretamente com o paciente. Isto é possível pela independência financeira, obtida com a contribuição espontânea dos associados do Grupo Otimismo, os quais colaboram com o que for possível a cada um deles.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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