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Empurroterapia

17/04/2005

Durante o Congresso realizado neste final de semana em Paris algumas apresentações mais pareciam se tratar de peças publicitárias vendendo carros ou bebidas que estudos científicos sobre tratamentos médicos. A cada dia vemos que são os "financiadores" e que estão dirigindo os objetivos das pesquisas, pois para eles é necessário se ter o máximo retorno do investimento com um bom lucro.

Um dos "estudos" apresentados propõe que todos os portadores de hepatite C devem ser tratados imediatamente, de preferência antes de completar 40 anos de idade, com transaminases normais e sem interessar o dano que possa ou não existir no fígado. Isto é, se tem hepatite C então interferon peguilado nele.

Afirmam os "pesquisadores" que com isto 56% dos infectados conseguiram a cura da doença, se livrando de um grave problema. Lamentavelmente nada falam na apresentação sobre o que vai acontecer com a outra metade dos tratados que não irão conseguir a cura, qual é o futuro destes indivíduos, quais problemas poderão vir a acontecer após o tratamento.

Submeter desnecessariamente pessoas sem danos no fígado a um tratamento com um medicamento com efeitos colaterais ainda desconhecidos em longo prazo, que podem ser perigosos já que sabemos que por alterar a resposta imune do organismo podem desencadear varias doenças auto-imunes, como o tiroidismo, a diabetes, a psoríase, o Lúpus, a hepatite auto-imune, o túnel de carpo, etc. é no mínimo imprudente. Será que o fabricante do medicamento vai indenizar ou arcar com o tratamento daqueles que desenvolvem como efeito colateral uma destas doenças? Qual a responsabilidade do fabricante?

O objetivo dos departamentos de marketing e vender e vender, tratar o maior número de portadores, mas colocar isto por cima da ética na medicina e condenável. A divulgação deste estudo foi feito de forma massiva em ampla campanha publicitária por todos os meios de divulgação, incitando os médicos a receitar o medicamento a todos e tentando vender a idéia aos infectados sobre a urgente necessidade do tratamento, utilizando para isto formas terroristas para amedrontá-lo em relação a seu futuro.

Os infectados com a hepatite C devem sempre lembrar que 80% dos infectados irão morrer de velhice, sem ter conseguido desenvolver cirroses. É isto que deve ser avaliado pelos médicos e pacientes antes de conjuntamente decidirem pelo tratamento. Se a biopsia mostra pouco ou nenhum dano no fígado o melhor e simplesmente fazer um acompanhamento periódico, sem realizar o tratamento.

O dia em que estejam disponíveis medicamentos mais eficazes, mais seguros e com menos efeitos colaterais, então sim poderá se pensar em tratar estes pacientes. Afortunadamente falta muito pouco para isto acontecer. Pessoalmente acredito que daqui a aproximadamente cinco anos o interferon não será mais utilizado.

Um outro estudo, financiado pelo mesmo fabricante, diz que o peso do paciente influi muito pouco na resposta terapêutica. Pelo amor de Deus! Todos sabem que o excesso de peso aumenta os depósitos de gordura no fígado, acelerando a evolução do dano hepático e prejudicando o tratamento. Estão querendo induzir os pacientes a não cuidar seu organismo e com isto piorar sua saúde. Estão pensando que em vez de seres humanos os infectados são uma simples caixinha de vírus a qual contem uma gorda conta bancária.

Se o medicamento em questão foi lançado em dose única não se pode insinuar aos pacientes que o mesmo vai atuar de forma similar ou apresentar os mesmos efeitos colaterais em uma pessoa com 30 Kg. que em uma outra de 120 Kg. Se este pensamento fosse correto não existiriam medicamentos pediátricos, onde a quantidade do principio ativo e menor.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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