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A hepatite C é um bicho de sete cabeças?

10/03/2014

A hepatite C é uma doença muito preocupante que não pode ser ignorada, mas se diagnosticada precocemente deixa de ser um bicho de sete cabeças.

Fruto da falta de informação e conhecimentos por parte dos infectados, da população e até por muitos médicos e profissionais de saúde o tempo foi criando uma serie de mitos, crenças, informações incorretas e relatos assustadores que colocam a hepatite C como uma coisa impossível de tratar, como se a infecção fosse uma sentença de morte.

Vamos então fazer uma viagem sobre aquilo que ao acessar a internet as pessoas podem encontrar.

1 - Muitas pessoas acreditam e divulgam que todas as pessoas infectadas com hepatite C irão morrer.

Sim, que irão morrer isso não cabe duvida, mas quantos morrerão por culpa da hepatite C e quantos por velhice?

Muitos estudos mostram que entre os infectados com hepatite C não diagnosticados e sem receber tratamento até 25% poderão morrer por causa da infecção, os restantes 75% vai ter longa vida e chegará ao final da vida sem ter desenvolvido uma cirrose com sintomas.

Bom isso não é consolo, pois quando falamos em 25% que irão ter problemas graves de saúde isso representa milhões de infectados. Será um verdadeiro genocídio se não se alerta e são realizadas amplas campanhas de testagem.

Ou seja, se alguém é diagnosticado com hepatite C estará salvo. Os novos medicamentos orais que estão chegando estarão curando praticamente todos os que recebam tais tratamentos.

2 - Todos os diagnosticados devem receber tratamento com interferon peguilado e ribavirina, com ou sem os inibidores de proteases.

Muitos daqueles com mínima ou moderada fibrose poderão, a critério do médico e se não existem outras comorbidades, aguardar os tratamentos com os medicamentos orais, sem interferon.

3 - Carga viral alta é sinal de gravidade e alto dano no fígado!

Na AIDS e na hepatite B isso é verdadeiro, mas lamentavelmente até profissionais de saúde se confundem e solicitam testes de carga viral em pacientes fora de tratamento, quando a carga viral na hepatite C somente tem como utilidade monitorar o tratamento, saber se os medicamentos estão fazendo efeito ou se o vírus criou resistência e o tratamento deve ser interrompido.

Carga viral em pacientes fora do tratamento somente serve para aumentar o lucro do laboratório e criar uma ansiedade desnecessária no portador já que ela oscila todos os dias, assim um resultado é sempre diferente, maior ou menor que o anterior, mas isso nada significa, não tem valor algum em pacientes fora do tratamento.

4 - O genótipo 1 é considerado o mais perigoso porque ataca o fígado com maior velocidade.

Esse é um dos mitos que se ouve com maior intensidade, quando na realidade o genótipo 1 foi considerado o pior em relação a possibilidade de cura com os tratamentos atuais, é o de mais difícil tratamento. Todos os genotipos possuem a mesma agressividade e essa velocidade depende muito do organismo do paciente, de seu sistema defesa imunológica e da existência possível de outras condições clínicas que favoreçam o aumento da fibrose.

5 - Ninguém suporta os efeitos colaterais do tratamento.

Outra das colocações alarmistas divulgadas na internet e nas salas de espera dos consultórios. No tratamento mais longo, o de 48 semanas com interferon peguilado e até com os inibidores de proteases, 88% dos pacientes chegam ao final do tratamento com efeitos colaterais suportáveis. Alguns podem precisar de medicamentos para tratar esses efeitos, mas completam o tratamento.

Quer um conselho? Siga o que Freud recomendava, que é a "labor terapia", isto é, não pare de trabalhar, mantenha a cabeça ocupada e não fique em casa se lamentando e pensando que vai sofrer. Sacuda a poeira e toque a vida!

6 - Cuidado, a hepatite C é uma doença sexualmente transmissível!

Na grande maioria dos casos a hepatite C é transmitida por sangue de um infectado que penetra por uma ferida no corpo de outra pessoa. A hepatite C pode ser transmitida sexualmente, mas o risco disso acontecer é extremamente baixo. A maioria dos estudos realizados sobre a transmissão sexual encontraram possibilidades que ficam entre zero e 3% em casais monogâmicos estáveis em relações desprotegidas sem preservativos.

Sexo seguro é recomendado a pessoas de grupos de alto risco, definidos como aqueles com múltiplos parceiros sexuais, homems que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e pessoas atendidas em clínicas de DST. Nestas populações se acredita que o risco de contrair hepatite C através de relações sexuais sem proteção possa ser muito maior, mas são necessários mais estudos para definir claramente a taxa de transmissão sexual.

Até o momento não foram relatados surtos de hepatite C aguda entre os homens HIV/AIDS positivos que fazem sexo com homens.

A recomendação universal é que as pessoas com parceiros estáveis não precisam praticar sexo seguro, mas é uma decisão que deve ser observada com cuidado uma vez que estudos mostram que existe a possibilidade de acontecer a transmissão da hepatite C ao parceiro em 1 de cada 10.000 atos sexuais sem proteção.

A Organização Mundial da Saúde não considera a hepatite C uma doença sexualmente transmissível.

7 - A hepatite C não têm sintomas!

Existe alguma verdade quando se fala que a hepatite C é silenciosa, sem sintomas, mas isso depende do grau em que se encontra a doença.

Alguns infectados podem ter sintomas inclusive quando a fibrose ainda é mínima ou moderada, como sentir fadiga, dores musculares ou nas articulações, dores de cabeça, dificuldade para dormir, depressão, ansiedade, dor abdominal, confusão mental, esquecimentos, mas por serem sintomas comuns a muitas doenças muitas vezes os professionais de saúde os atribuem a outros problemas do paciente.

Muitos pacientes relatam que tais sintomas não são levados a serio por alguns médicos, especialmente por aqueles profissionais que não são especialistas na hepatite C.

Pessoas já com cirrose descompensada podem ter sintomas severos, apresentado coceiras na pele, prurido, ascite (acumulo de liquido no abdome) hemorragias de difícil controle e encefalopatia (perda dos sentidos).

8 - Compartilhar utensílios cortantes é um risco alto de ser infectado!

Existe, sim um risco ao compartilhar uma lamina de barbear, um alicate de unhas e outros utensílios cortantes, especialmente se o sangue está presente, mas o risco de ser infectado em geral é baixo já que o sangue existente no instrumento utilizado por um infectado deveria entrar por uma ferida, cortando outra pessoa, na corrente sanguínea do indivíduo sadio.

Mas a recomendação universal que deve ser seguida com total atenção e rigor é a de não compartilhar objetos cortantes, como laminas de barbear, alicates e instrumentos de manicure, inclusive até não compartilhar escovas de dentes já que podem ferir as gengivas, sequer entre familiares e menos ainda em um salão de beleza, na manicure ou no pedicuro. Todo cuidado é pouco, pois o vírus da hepatite C sobrevive por vários dias fora do organismo.

A boa notícia é que a hepatite C não é transmitida por beijos, pelo abraço, pelo espirro, compartilhando talheres, pratos ou copos, preparando comida ou qualquer outro tipo de contato casual.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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