18/12/2006
Sobre a desinformação e discriminação em São Paulo
E-mail enviado em 16/12/2006 ao Professor Caio Parente Barbosa:
Professor Caio Parente Barbosa
Faculdade de Medicina da Fundação ABC
Centro de Reprodução Assistida em Situações Especiais
Prezado Professor,
O presente e-mail e referente as reportagem do Diário de São Paulo do dia 25/11/2006 e ao da página 3 da revista www.fmabc.br nas quais e divulgada a técnica de filtragem de esperma para pessoas infectadas com os vírus da AIDS, as hepatites B e C e o HTLV.
Acredito existir uma grave confusão. Esta técnica e utilizada correntemente em vários países, inclusive no Brasil, para reprodução assistida em homens infectados com o HIV, a hepatite B ou o HTLV que desejam ter filhos, se evitando assim a possibilidade da transmissão vertical masculina.
Porem, a literatura não cita comprovações que homens infectados com a hepatite C possam transmitir verticalmente a doença a seus filhos. O vírus se encontra presente no esperma, mas em quantidade insuficiente para provocar a transmissão. A tal ponto que os consensos médicos não citam restrições quanto à reprodução.
Existe, sim, a transmissão vertical quando a infectada e a mulher. Em uma proporção baixa, aproximadamente cinco por cento das mulheres infectadas com a hepatite C transmitem de forma vertical a doença a seus filhos durante o parto. Por ser uma incidência baixa não existem maiores restrições sobre a gravidez destas mulheres.
Na reportagem do Diário de São Paulo uma paciente do Senhor, de nome Milene de Fátima Farias informa que descobriu ser portadora de hepatite C no ano de 2003
e realizou terapia com antiretrovirais sem sucesso. Continua informando que espera concluir a terapia com antiretrovirais ainda este ano e então poder engravidar.
Duas questões muito delicadas se encontram na colocação desta paciente assistida pelo Senhor. Uma delas e que
a hepatite C não e tratada com antiretrovirais e sim com o interferon, um antiviral. Uma outra questão e que a técnica ofertada e de filtragem do esperma do homem e neste caso a infectada com a hepatite C e a mulher e não o marido. De nada vai adiantar a filtragem do esperma de um individuo sadio.
Na reportagem da revista, com o nome de "Medicina ABC inicia reprodução assistida para pacientes com AIDS e hepatites" o Senhor declara que
"INDIVÍDUOS ANTES CONDENADOS A NÃO TER FILHOS VÃO AGORA REALIZAR ESSE SONHO E SUBIR MAIS UM DEGRAU NA ESCADA DA DIGNIDADE HUMANA".
Repudiamos essa colocação insultante e discriminatória, lembrando que os portadores de hepatite C, hepatite B, AIDS ou HTLV não são cidadãos de "segunda classe" para serem inseridos no ultimo degrau da escala humana.
Caro Professor, a nossa indignação e sobre o fato que informações erradas (as quais podem ser culpa dos jornalistas) causam estigma e discriminação nos portadores de hepatite C, um dos maiores efeitos adversos da epidemia devido a falta de conhecimento na população em geral.
Seria de bom grado o Senhor solicitar que as duas publicações realizem as devidas correções, informando corretamente a população, evitando termos que procurar outros meios para que tal procedimento seja realizado.
Nossos 21.000 associados foram informados sobre os absurdos colocados nas reportagens e estão recebendo copia deste e-mail e, caso o Senhor tenha colocações a fazer, ficamos a sua disposição para os devidos esclarecimentos entre os portadores de hepatite C.
Cordialmente,
Carlos Varaldo
Grupo otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C
Resposta recebida do Professor Caio Parente Barbosa:
Sinto muito se causamos algum tipo de indignação e sem querer causar polêmica o homem portador de HCV pode transmitir a doença a sua parceira e consequentemente a seus descendentes, o portador de HBV crônica mesmo na mulher vacinada pode contaminar a criança.
No casal em questão existe uma indicação médica de FIV e não pode ser feito em laboratórios de R humana pelo risco de transmissão aos outros usuários.
Não existe tratamento com antiretrovirais para HCV e finalmente se você interpretou a minha declaração como preconceituosa ela dizia respeito exclusivamente para os portadores de HIV e se você discorda sinto muito, mas essa foi a realidade por muitos anos a sociedade os colocou como cidadãos de segunda categoria e o que todos nós estamos tentando fazer é resgatar essa dignidade e permitir que todos tenham filhos com segurança.
Se você tiver oportunidade terei grande prazer em apresentar nosso laboratório
Atenciosamente
Caio Parente Barbosa
Minha replica:
Dr. Caio,
Obrigado pela sua resposta.
A transmissão sexual da hepatite C pode acontecer, porém é um fato raro. Estou enviando (com a respectiva bibliografia) estudos universalmente aceitos sobre a transmissão sexual. Devemos lembrar que a hepatite C não se encontra relacionada entre as DST e que os consensos internacionais ou o CDC dos Estados Unidos
não recomendam o uso de preservativos (camisinhas) para prevenir a transmissão nos casais monogâmicos.
Evidentemente que não podemos ir contra as evidencias cientificas comprovadas. Obvio que se o paciente e co-infectado HIV/HCV a filtragem e necessário, mas não na mono infecção.
Há dois anos, no Rio de Janeiro passamos por um caso semelhante e após a abertura de um inquérito no Ministério Público solicitado pelo Grupo Otimismo a clinica de reprodução teve que reconhecer o erro de ofertar filtragem de esperma para portadores de hepatite C. Eles só conseguiram apresentar um estudo Italiano onde somente oito pacientes tinham participado na filtragem do esperma. Nenhuma outra publicação cientifica existe ao respeito.
A declaração "INDIVÍDUOS ANTES CONDENADOS A NÃO TER FILHOS VÃO AGORA REALIZAR ESSE SONHO E SUBIR MAIS UM DEGRAU NA ESCADA DA DIGNIDADE HUMANA" foi interpretada como preconceituosa, não somente por minha pessoa, mas por praticamente todos os que tomaram conhecimento. Ser portador de um vírus seja ele o HIV não torna um individuo em cidadão de segunda categoria. Não podemos negar que foi uma declaração politicamente incorreta.
Agradeço assim sua disposição em esclarecer os fatos e caso passe pelo ABC tentarei o encontrar para uma visita. Colegas seus da Faculdade (os quais forneceram seu e-mail) que tomaram conhecimento do assunto falaram muito bem de seu trabalho e eles também não conseguiram entender as colocações nas reportagens.
Cordialmente,
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
 |
GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22 Rio de Janeiro - Brasil
Tel. (55.21) - 9973.6832
e-mail: hepato@hepato.com Internet: www.hepato.com |
18/12/2006
Sobre a desinformación y discriminación en San Pablo - BRASIL
e-mail enviado el 16/12/2006 al Profesor Caio Parente Barbosa:
Profesor Caio Parente Barbosa
Facultad de Medicina de la Fundación ABC
Centro de Reproducción Asistida en Situaciones Especiales
Estimado Profesor,
El presente e-mail es referente a los reportajes del Diario de San Pablo del día 25/11/2006 y a la página 3 de la revista www.fmabc.br en las cuales es divulgada la técnica de filtrar el esperma para personas infectadas con los virus del SIDA, las hepatitis B y C y el HTLV.
Creo existir una grave confusión. Esta técnica es utilizada habitualmente en varios países, incluso en Brasil, para reproducción asistida en hombres infectados con el HIV, la Hepatitis B o el HTLV que desean tener hijos, se evitando así la posibilidad de la transmisión vertical masculina.
Pero,
la literatura no cita comprobaciones que hombres infectados con la Hepatitis C puedan transmitir verticalmente la enfermedad a sus hijos. El virus se encuentra presente en el esperma, pero en cantidad insuficiente para provocar la transmisión. A tal punto que los consensos médicos no citan restricciones en cuanto a la reproducción.
Existe, sí, la transmisión vertical cuando la infectada es la mujer. En una proporción baja, aproximadamente un cinco por ciento de las mujeres infectadas con la Hepatitis C transmiten de forma vertical la enfermedad a sus hijos durante el parto. Por ser una incidencia baja no existen mayores restricciones sobre el embarazo de estas mujeres.
En el reportaje del Diario de San Pablo una paciente del Señor, de nombre Milene de Fátima Farias informa que descubrió ser portadora de Hepatitis C en el año de 2003 y
realizó terapia con antiretrovirales sin suceso. Continúa informando que espera concluir la terapia con antiretrovirales aún este año y entonces poder preñar.
Dos cuestiones muy delicadas se encuentran en la colocación de esta paciente asistida por el Señor. Una de ellas es que
la Hepatitis C no es tratada con antiretrovirales y sí con el interferón, un antiviral. Otra cuestión es que la técnica ofertada es la de filtrar el esperma del hombre y en este caso la infectada con la Hepatitis C es la mujer y no el esposo. De nada va a adelantará filtrar el esperma de un individuo sano.
En el reportaje de la revista, con el nombre de "Medicina ABC empieza reproducción asistida para pacientes con SIDA y hepatitis" el Señor declara que
"INDIVIDUOS ANTES CONDENADOS A NO TENER HIJOS VAN AHORA REALIZAR ESE SUEÑO Y SUBIR MÁS UN PELDAÑO EN LA ESCALERA DE LA DIGNIDAD HUMANA".
Repudiamos esa colocación insultante y discriminatoria, recordando que los portadores de Hepatitis C, Hepatitis B, SIDA o HTLV no son ciudadanos de "segunda clase" para ser insertos en el mas bajo peldaño de la escala humana.
Caro Profesor, nuestra indignación es sobre el hecho que informaciones equivocadas (las cuales pueden ser culpa de los periodistas) causan estigma y discriminación en los portadores de Hepatitis C, uno de los mayores efectos adversos de la epidemia debido a la falta de conocimiento en la población en general.
Sería de buen grado el Señor solicitar que las dos publicaciones realicen las debidas correcciones, informando correctamente a la población, evitando que sea necesario procurar otros medios para que tal procedimiento sea realizado.
Nuestros 21.000 asociados fueron informados sobre los absurdos colocados en los reportajes y están recibiendo copia de este e-mail y, caso el Señor tenga colocaciones a hacer, nos quedamos a su disposición para las debidas aclaraciones entre los portadores de Hepatitis C.
Carlos Varaldo
Grupo optimismo de Apoyo a Portadores de Hepatitis C
Respuesta recibida del Profesor Caio Pariente Barbosa:
Lo siento si causamos algún tipo de indignación y sin querer causar polémica el hombre portador de HCV puede transmitir la enfermedad a su compañera y consecuentemente a sus descendientes, el portador de HBV crónica mismo en la mujer vacunada puede contaminar el niño.
En la pareja en cuestión existe una indicación médica de FIV y no puede ser hecho en laboratorios de R humana por el riesgo de transmisión a los otros usuarios.
No existe tratamiento con antiretrovirales para HCV y finalmente si usted interpretó mi declaración como prejuiciosa ella decía respeto exclusivamente para los portadores de HIV/SIDA y si usted discuerda lo siento, pero ésa fue la realidad por muchos años que la sociedad les colocó como ciudadanos de segunda categoría y qué todos nosotros estamos intentando hacer es rescatar esa dignidad y permitir que todos tengan hijos con seguridad.
Si usted tiene oportunidad tendré gran placer en presentar nuestro laboratorio
Atentamente
Caio Pariente Barbosa
Mí replica:
Dr. Caio,
Gracias por su respuesta.
La transmisión sexual de la Hepatitis C puede acontecer, sin embargo es un hecho raro. Estoy enviando (con la respectiva bibliografía) estudios universalmente aceptados sobre la transmisión sexual. Debemos recordar que la Hepatitis C no se encuentra relacionada entre las DST y que los consensos internacionales o el CDC de los Estados Unidos no recomiendan el uso de condones (camisas) para prevenir la transmisión en parejas monogámicas.
Evidentemente que no podemos ir contra las evidencias científicas comprobadas. Naturalmente que si el paciente es co-infectado HIV/HCV filtrar el esperma es necesario, pero no en la mono infección.
Hace dos años, en Rio de Janeiro pasamos por un caso semejante y después de la apertura de un expediente en la Fiscalia solicitado por el Grupo Optimismo la clínica de reproducción tuvo que reconocer el error de ofertar la operación de filtrar esperma para portadores de Hepatitis C. Ellos solamente consiguieron presentar un estudio Italiano donde solamente ocho pacientes habían participado en un estudio. Ninguna otra publicación científica existe al respecto.
La declaración "INDIVIDUOS ANTES CONDENADOS A NO TENER HIJOS VAN AHORA REALIZAR ESE SUEÑO Y SUBIR MÁS UN PELDAÑO EN LA ESCALERA DE LA DIGNIDAD HUMANA" fue interpretada como prejuiciosa, no solamente por mi persona, pero por prácticamente todos los que tomaron conocimiento. Ser portador de un virus sea este el HIV no torna un individuo en ciudadano de segunda categoría. No podemos negar que fue una declaración políticamente incorrecta.
Agradezco así su disposición en aclarar los hechos y caso pase por el ABC intentaré lo encontrar para una visita. Colegas suyos de la Facultad (quiénes suministraron su e-mail) que tomaron conocimiento del asunto hablaron muy bien de su trabajo y ellos también no consiguieron entender las colocaciones en los reportajes.
Carlos Varaldo
Grupo Optimismo