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Mulheres sofrem maiores efeitos adversos durante o tratamento da hepatite C

26/07/2010

Um levantamento dos dados apresentados em três grandes estudos (ACTG 5071, APRICOT, e ANRSHCO2-RIBAVIC) resultou numa interessante meta-analise sobre os efeitos adversos de tal magnitude que requerem a interrupção do tratamento da hepatite C. Nos três estudos os pacientes eram co-infectados com hepatite C e HIV. O objetivo era avaliar os efeitos adversos em relação ao sexo, isto é, queria se determinar se os efeitos adversos acontecem de formas diferentes entre homens e mulheres. Não conheço estudo similar em relação a mono infectados com hepatite C, mas certamente os resultados devem ser similares.

Foram analisados os dados de 1.376 pacientes co-infectados que participaram dos três estudos e, entre eles 20% correspondiam ao sexo feminino. Do total, 17% interromperam o tratamento pelos efeitos adversos graves e 50% tiveram que modificar a dosagem de um dos medicamentos utilizados no tratamento da hepatite C em algum momento do tratamento.

A interrupção do tratamento foi necessária em 24% das mulheres contra somente 16% entre os homens. A necessidade de diminuição de dosagem de interferon ou de ribavirina aconteceu em 61% das mulheres contra somente 48% dos homens.

As interrupções do tratamento aconteceram em 64% dos casos por efeitos adversos, assim como foram os efeitos adversos que provocaram 49% da necessidade de redução da dosagem dos medicamentos. A depressão causou 18% das interrupções de tratamento e a neutropenia (baixa de neutrófilos no sangue deixando o paciente com defesas baixas) foi responsável por 26% das necessidades de diminuição de dosagem de medicamentos.

Concluem os autores que não existem diferenças entre homens e mulheres em relação ao tipo de efeitos adversos durante o tratamento da hepatite C, mas que os efeitos adversos e a interrupção do tratamento foram mais freqüentes nas mulheres, assim como aconteceram em fases mais cedo do tratamento que nos homens.

MEU COMENTÁRIO:

O resultado deve ser levado em consideração, seja para preparar com maiores informações os pacientes do sexo feminino como para realizar um acompanhamento mais estrito.

Anos atrás escrevi que quando da indicação de tratamento a uma mulher deveria se tentar evitar iniciar a terapia durante a semana da menstruação, pois a mulher já sofre o suficiente com a TPM e, se nesses dias se aplica a primeira injeção de interferon os efeitos serão sentidos em maior grau.

A primeira aplicação do interferon é sempre a que causa maiores efeitos colaterais, nada agradáveis e, em geral, a lembrança dessa primeira noite, tal qual o primeiro beijo, nunca mais será esquecido pelo paciente.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Women Experience Higher Rates of Adverse Events During Hepatitis C Virus Therapy in HIV Infection: A Meta-Analysis - Bhattacharya D, Umbleja T, Carrat F, Chung RT, Peters MG, Torriani F, Andersen J, Currier JS. - Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes - POST AUTHOR CORRECTIONS, 08 July 2010 - doi: 10.1097/QAI.0b013e3181e36420.
From the *University of California, Los Angeles, CA; daggerHarvard School of Public Health, Boston, MA; double daggerUMR-S 707, UPMC-Paris 6 and INSERM; Saint-Antoine Hospital, APHP, Paris, France; section signMassachusetts General Hospital, Harvard University School of Medicine, Boston, MA; ||University of California, San Francisco, CA; and paragraph signUniversity of California, San Diego, CA.


Carlos Varaldo
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