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Pesquisa da Universidade da Pensilvânia comprova o fracasso no tratamento da hepatite C por culpa dos próprios pacientes

03/10/2011

O resultado de uma pesquisa realizada com 5.706 pacientes em tratamento da hepatite C com interferon peguilado e ribavirina aponta para a necessidade de se implementar ações que ajudem os pacientes a tomar corretamente os medicamentos, já que uma considerável parte dos fracassos no tratamento é ocasionada por culpa do próprio paciente em tratamento.

O estudo foi realizado pela Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia (publicado "on-line nos Annals of Internal Medicine) mostrando que a adesão às doses e horários são fundamentais para o sucesso do tratamento, mas os pacientes em tratamento da hepatite C se tornam menos propensos a tomar seus medicamentos ao longo do tratamento, especialmente com a ribavirina. É o chamado fator "fadiga da pílula".

Fiquei muito feliz de ver que os autores do estudo estão preocupados com a introdução no tratamento dos inibidores de proteases já que, conforme estou escrevendo nas últimas semanas, essa é também minha preocupação, a tal ponto que até está me tirando o sono.

Os pesquisadores encontraram que o nível de instrução, dificuldades financeiras e problemas socioeconômicos, tais como situações de vida instáveis, podem dificultar a adesão ao tratamento recomendada pelo médico.

Curiosamente os pesquisadores encontraram que os pacientes que sofrem efeitos colaterais de maior intensidade e que necessitam tratar dos mesmos com outros medicamentos são os que apresentam maior adesão ao tratamento da hepatite C. Os pacientes que necessitam de medicamentos para disfunções na tiroide, para combater a anemia ou a baixa contagem nos glóbulos brancos (os efeitos colaterais mais comuns durante o tratamento da hepatite C) eram os pacientes que mais respeitavam doses e horários do interferon e da ribavirina.

Os autores sugerem que o fato de esses pacientes sofrerem maiores efeitos colaterais e adversos e, por isso terem a necessidade de procurar com maior frequência cuidados médicos, pode ser o fator que os torna mais responsáveis com a sua saúde, podendo desempenhar um papel importante na conscientização da necessidade de ter adesão total ao tratamento.

Recomendam ainda que ao se introduzir os inibidores de proteases, quando os pacientes deverão seguir rigorosamente a indicação de serem ingeridos a cada oito horas, sob pena de criar resistência viral e perder o tratamento se não respeitarem os horários, a responsabilidade do paciente será ainda maior, sugerindo que deveriam empregar uma "caixinha" para guarda de medicamentos que possuem um alarme sonoro que avisa quando o medicamento deve ser ingerido. Conheço tais caixinhas dos Estados Unidos, mais não sei se se encontram a venda em outros países.

Mas ao ler que os pacientes que apresentam maiores efeitos colaterais são os mais conscientes em respeitar doses e horários, pode ser que, ao serem tratados com os inibidores de proteases a quantidade de efeitos colaterais que irão sentir os torne mais responsáveis. Pode até ser um mal que vem para melhorar a adesão do paciente.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Public release date: 29-Sep-2011 - University of Pennsylvania School of Medicine


Carlos Varaldo
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