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Tratamento alternativo em não respondedores

24/05/2004

Durante o Digestive Disease Week (DDW 2004) que aconteceu de 15 a 20 de maio de 2004, em New Orleans, Louisiana, Estados Unidos, foram apresentados dois estudos preliminares sobre re-tratamento de pacientes que não responderam ao interferon peguilado, e, pelo inusitado que apresentam, estarei fazendo um breve relato incluindo alguns comentários.

Estes estudos apresentam um tratamento alternativo, com ervas, utilizando Mistletoe Extract (Abnobaviscum) em combinaçao com o Solanum Lycopersicum e o Hepatodoron. v Bom, parece coisa complicada, assim, considero oportuno esclarecer inicialmente o que são estes `produtos`. O Mistletoe Extract (Abnobaviscum) e uma planta considerada uma parasita, sendo largamente estudada no tratamento do câncer, para o qual se aplica na forma de extrato injetável. O assustador Solanum Lycopersicum e o nosso conhecido tomate, sendo que os estudos empregaram o tomate verde, e o Hepatodoron são umas tabletes de ervas vendidas na Alemanha como estimuladoras da função hepática que contem Vitis Vinifera (folhas de uva) indicada para regular o metabolismo do hidrato de carbono e Fragaria Vesca (folhas de morango) indicadas como um estimulador da função metabólica do fígado, segundo seus fabricantes).

Não devem os infectados com hepatite C sair na rua a procurar estes alternativos, pois ainda não se sabe se existem riscos no seu uso. Os estudos apresentados procuram encontrar alguma alternativa de tratamento, principalmente para quem não responde ao tratamento com o interferon ou para quem não pode fazer uso dele. Acredito que vários pesquisadores irão iniciar estudos sobre esta alternativa.

O Dr. Harald Matthes e sua equipe (Universidade de Charite - Berlim - Alemanha) apresentou um estudo feito na Alemanha com 85 pacientes os quais foram tratados durante 24 meses com injeções subcutâneas de Mistletoe Extract, e cápsulas de Solanum Lycopersicum (tomate verde) e de Hepatodoron.

Após 12 meses de tratamento 18% eram responderes completos (tinham negativado o vírus) 49% eram responderes parciais e 33% eram não-respondedores. Após os 24 meses de tratamento e mais seis meses para se verificar se não existia replicação viral se encontrou que 44% tinham resposta sustentada (vírus indetectável) 28% tinham uma resposta considera parcial e 28% não conseguiram nenhum beneficio.

O Dr. Matthes explicou que o extrato o Mistletoe Extract ativa as células CD4 T induzindo uma resposta ao vírus da hepatite C e o Hepatodoron estimula a regeneração do fígado. O tomate verde contem alcalóides que induzem o apoptoses do caspase 8. "isto é importante porque o vírus da hepatite C obstrui o apoptoses do hepatócito, que é requerido pelas células infectadas do fígado".

Acrescentou ainda que nas primeiras 8 semanas de tratamento foi observada uma elevação das enzimas do fígado, normalizando depois deste período a inflamação do fígado. Ressaltou ainda que o Mistletoe Extract e usado no tratamento de alguns tipos de câncer o que demonstra sua segurança, mas não recomendou a terapia alternativa em pacientes virgens de tratamento, recomendando maiores estudos em pacientes não respondedores ao interferon peguilado, já que o este tratamento ao induzir a apoptoses do hepatócito poderia ser perigoso para pacientes com alto dano hepático.

Um outro estudo apresentado pela equipe do Dr. Friedemann Schad foi realizado com oito pacientes para se estudar a progressão da fibroses, utilizando, também, a combinação das ervas do estudo acima citado.

Dos oitos pacientes em cinco deles foi verificada uma redução no grau de fibroses, um teve progressão no seu grau e dois ficaram estáveis.

Os autores esclarecem que este tratamento deverá ser mais bem estudado, pois poderia ser uma alternativa em pacientes não respondedores ao interferon peguilado ou que por diversos problemas não podem ser tratados com interferon.

Cada vez que divulgo alguma informação neste sentido a quantidade de e-mails de alguns pacientes e até de alguns médicos solicitando maiores informações e enorme, assim, antecipadamente, seguem os Abstract originais (em inglês) apresentados na Digestive Disease Week 2004 realizada entre 15 e 20 de maio de 2004, em New Orleans, Estados Unidos.




OUTCOME STUDY ON HEPATITIS C THERAPY WITH MISTLETOE EXTRACT AND SOLANUM LYCOPERSICUM IN NONRESPONDERS TO INTERFERON/RIBAVIRIN

H Matthes and others. Outcome Study on Hepatitis C Therapy with Mistletoe (Viscum Album L.; Abnobaviscum) and Solanum Lycopersicum. Abstract 82 (poster). Digestive Disease Week. May 15-20, 2004. New Orleans, LA.

Combined therapy with pegylated Interferon-alpha and ribavirin reaches sustained response rates of 45-70%, depending on the genotype. The wide range of side effects often leads to interruption or cessation of therapy.

An alternative herbal therapy consisting of mistletoe extract (Abnobaviscum) in combination with Solanum lycopersicum and Hepatodoron was initiated in patients for whom interferon alfa/ribavirin therapy has failed and high rates of side effects have occurred.

The objective of the current German study is to achieve HCV-RNA-PCR negativity after 1 or 2 years of treatment and 6 months of follow up, documentation of side effects, fibrosis -parameter (PIIIP) and the quantitative course of HCV-RNA-PCR.

Up to now, 85 patients with chronic hepatitis C (> 6 months) with increased transaminases and positive HCV-RNA-PCR values have been included. 43 patients had a liver biopsy before therapy; 27 patients failed interferon therapy. Genotype was determined in all patients.

Initially mistletoe was administered 3 times per week subcutaneously; concomitantly, Hepatodoron 3 x 2 tablets were given. After 14 days Solanum lycopersicum Herba D3-4 tablets were applied. Duration of therapy was 12 (78 patients) - 24 months (64 patients).

RESULTS

78 of 85 patients terminated the therapy. 14 patients (18%) were HCV-RNA-PCR negative after 12 months. After 24 months 20 patients (25%) showed a sustained response. 44 patients (56%) were non-responders. No essential side effects were observed.

Transaminases and PIIIP-values decreased significantly during therapy (p<0,05>). Virus load did not decrease continuously but in those patients with HCV-RNA-PCR negativity it decreased below the limit of detection, independent of the initial level. 2 patients had shown a so-called 'break through' phenomenon.

DISCUSSION


Combined therapy of mistletoe and Solanum lycopersicum showed virus elimination and sustained response in chronic hepatitis C. The advantage of mistletoe therapy is the absence of side effects and its cost effectiveness.

The authors conclude, "Mistletoe therapy could be an alternative in non-responders to standard therapy or in patients with relative or absolute contraindications of interferon therapy. Further studies will be necessary to optimize the therapy and to verify the results."




VISCUM ALBUM L AND SOLANUM LYCOPERSICUM INHIBIT FIBROSIS IN CHRONIC HEPATITIS C (HCV): A PILOT STUDY Friedemann Schad, Burkhard Matthes, Silke Biesenthal-Matthes, Dirk Buchwald, Harald Matthes

INTRODUCTION


Untreated HCV leads to liver cirrhosis and hepatocellular carcinoma in 20-30% of cases after 25 years of infection. No treatment is known in failure or contraindications to standard therapy (pegylated interferon and ribavirin).

AIM

We investigated the effect on fibrosis in a pilot study using a complementary concept with viscum album L (mistletoe) and herbal extracts of Solanum lycopersicum, Fragaria vesca/Vitis vinifera (Hepatodoron).

METHODS

8 patients with HCV (genotype 1) were treated with Viscum album (ABNOBAviscum aceris or Helixor M) 3 x weekly 1 Amp. sc., Solanum lyc. D4-D6 2-6 Tbl. and Hepatodoron 2-6 Tbl. daily. Mean duration of therapy was 13.3 months. A liver biopsy was conducted before and 6-10 months after treatment and the modified HAI score was calculated and compared with the paired Wilcoxon Test.

RESULTS

In 8 patients (5 female, 3 male; mean age 43, mean duration of HCV 20 years) the HAI score before treatment was 7.75; after 18 - 23 months (>12 months of treatment and 6-11 months follow-up) the score was 5.25 (p=0.05). The fibrosis stage decreased from 2.375 to 1.375 (p=0.09). In 4 patients, fibrosis decreased by 1-3 score points, 1 patient increased by 1 scored point and 3 were stable. Also peri-portal inflammation decreased but not significantly.

DISCUSSION

Progression of fibrosis leads to the natural endpoint of cirrhosis in chronic HCV infection which is the most frequent indication for liver transplantation in western countries. Inhibition or decrease of fibrosis is the leading therapeutic aim in chronic HCV therapy. Interferon therapy inhibits inflammation and fibrosis in the liver. Viscum Album L has shown positive effects on viral load, levels of ASL and ALT and HRQOL in HCV therapy. In cirrhotic livers of rats antioxidative and antifibrotic effects have been seen with solanum lycopersicum. Morphological findings show a significant decrease in total HAI with a decrease in fibrosis due to a decrease of pro-fibrotic cytokines like FGF - ß, TGF - ß and TNF - a found in the liver cells of HCV + patients under viscum album L therapy. In cancer treatment viscum album L decreases tumor in HCC and improves QOL in breast, ovarian and non-small cell lung cancer. It may be discussed that viscum album L has an effect of cancer prevention in HCV infection. Viscum album L is an immunomodulatory and immuno-stimulatory substance which induces apoptosis. Solanum lycopersicum can induce apoptosis in a high amount in HEP G2 cells by stimulation of caspase 8 (FLICE enzyme). Apoptosis is one of the leading mechanisms in hepatic viral clearance in HCV. Both effects may be responsible for decreasing inflammation and fibrosis shown here.

CONCLUSION

Viscum album and the herbal extract were able to inhibit and reduce fibrosis in liver biopsies scored by HAI. This therapy concept might be beneficial to non-responders and patients not compliant with standard HCV therapy. Further studies are necessary to confirm this preliminary data.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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