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Obesidade - Esteatose - Resposta ao tratamento

08/08/2006

Um estudo apresentado no Congresso da EASL e reapresentado no Congresso de Salvador (Bahia) confirma mais uma vez que o peso acima do normal é um preditor negativo na resposta ao tratamento da hepatite C, porém o grau de esteatose não apresentou diferença na resposta terapêutica nestes pacientes obesos. Estudos demonstram que os pacientes obesos também possuem uma progressão mais rápida da doença e uma maior probabilidade de apresentar fibrose mais avançada ou cirrose.

Os pesquisadores pretendiam avaliar a associação entre obesidade e o grau de dano hepático e, ainda, determinar se a dose de interferon quando aplicada pelo peso do paciente apresenta algum beneficio nos pacientes obesos.

No estudo foram considerados obesos os pacientes que apresentavam uma massa corpórea (IMC) acima de 30 Kg/m2. Em total o estudo compreendeu 28 pacientes obesos e 56 pacientes não obesos. Todos eram virgens de tratamento, portadores do genótipo 1 e brancos. Os pacientes foram divididos em dois grupos e um deles recebeu Peg-Intron baseado no peso e outro grupo recebeu Pegasys em doses única de 180 ug. Todos receberam ribavirina em função do peso do paciente, sendo 1.000 mg para abaixo de 75 kg e 1.200 para os que pesavam acima de 75 Kg.

A fibrose foi medida por biopsia antes do tratamento e avaliada pela escala Metavir, sendo considerada nenhuma, leve ou moderada para os resultados F0, F1 e F2. Para os resultados F3 ou F4 a fibrose foi considerada de moderada a grave. O grau de inflamação encontrado na biopsia foi medido pela escala de HAI-Knodell considerando como nenhuma ou leve inflamação para um resultado entre zero e oito e como inflamação moderada a grave para um resultado entre 8 e 18.

ESTEATOSE - Foi observado que os pacientes obesos possuem maior probabilidade de apresentarem esteatose que os pacientes não obesos. A esteatose foi encontrada em 41% dos obesos contra 17% dos não obesos.

FIBROSE - A fibrose avançada foi maior nos pacientes obesos. 60% dos obesos apresentavam fibrose avançada contra 44% dos pacientes não obesos.

INFLAMAÇÃO - A inflamação acentuada foi encontrada em 11% dos pacientes não mostrando diferença entre os pacientes obesos e os não obesos.

Os pesquisadores concluíram que nos pacientes obesos e não obesos a resposta sustentada (negativos seis meses após o tratamento) não apresentou diferença significativa entre os tratados com dose fixa ou com dose em função do peso (48% versus 53%).

Já, quando considerado somente o grupo dos pacientes obesos foi encontrada uma diferença significativa sendo que entre os que receberam dose fixa foi conseguida uma resposta terapêutica de 18% contra uma resposta de 28% nos tratados com dose baseada no peso do paciente.

Alertam os autores que a amostra de pacientes foi pequena e que são necessários estudos clínicos randomizados para confirmar os dados apresentados neste estudo.

Fonte:
K. Cesário, F. HKhandwala, K. Edwards, W. carey, D. Barnes e N. Zein, do Departamento de Gastroenterologia/Hepatologia e do Departamento de Bioestatística e Epidemiologia da The Cleveland Clinic Foundation, Cleveland, Estados Unidos.

Carlos Varaldo
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