Texto en Español al final - Apriete aquí


GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Telefones: Rio de Janeiro (xx21) 4063.4567 - São Paulo (xx11) 3522.3154 (das 11.00 às 15.00 horas)
e-mail: hepato@hepato.com Internet: www.hepato.com

04/01/2010


Minhas previsões nas hepatites B e C para 2010


Realizar previsões parece ser coisa de pessoas desocupadas tentando adivinhar qual será o número que vai dar na loteria. Não é esse o sentido das previsões que estarei realizando em relação às hepatites B e C, a sua epidemiologia e os tratamentos. A cada ano dou uma parada para refletir no que foi realizado e com isso imaginar o que poderá acontecer nos próximos 12 meses, mas devo confessar que fica difícil ser totalmente otimista ante um problema tão grande e complexo como são as "epidemias" de hepatites B e C.

Falo em "epidemias" no plural, porque considero se tratar de duas doenças totalmente diferentes, com epidemiologia, formas de transmissão, prevenção, tratamento e conseqüências totalmente diferentes. Colocar as hepatites B e C juntas, tentando uma ação estratégica igual é um dos maiores erros cometidos na última década. O mundo em geral interpretou que poderia realizar ações conjuntas já que ambas as doenças atacam o fígado e por tanto se chamam hepatite. A década não foi totalmente perdida, mas os avanços foram muito pequenos. O número de infectados diagnosticados e em tratamento é mínimo e o número de mortes por causa das hepatites B e C não para de crescer. Ante a frieza dos números não existem explicações ou desculpas já que todas as promessas e as boas intenções não conseguiram resultados. Com humildade devemos dar a mão à palmatória.

Voltando as "epidemias", na hepatite B a vacinação continua sendo a principal arma para evitar novos infectados. A vacina é barata e apresenta excelente efetividade. Muitos países já a disponibilizam para toda a população e passou a ser obrigatória de ser aplicada nas crianças recém nascidas no momento do parto, mas lamentavelmente alguns países limitam a aplicação gratuita para somente quem tem menos de 19 anos e, pior ainda, faltam campanhas que incentivem as pessoas a procurar a vacina. Países que realizam campanhas de vacinação estão conseguindo evitar novas infecções, o que garante um controle de novos casos. Campanhas de vacinação em massa irão conseguir erradicar, ou pelos menos diminuir drasticamente novos casos de hepatite B, sem duvida uma excelente forma de controlar o futuro da doença.

Já em relação a encontrar quem está infectado com hepatite B a situação ainda e dramática. A maioria dos países não realiza alertas ou campanhas de testagem em larga escala. No terceiro mundo e estimado que entre 90 e 95% dos infectados ainda não foram diagnosticados, países entre os quais se inclui o Brasil. Os governos alegam que o número de infectados e muito grande e que não existem recursos financeiros nem a quantidade de médicos especializados necessários para tratar a hepatite B. Lamentavelmente nos últimos 12 anos escuto essa resposta como desculpa, mas muito pouco foi feito para mudar a situação, simplesmente estão negando a milhões de infectados pela hepatite B a oportunidade de evitar danos irreversíveis a saúde e a oportunidade de tratamento.

No mundo são 350 milhões de infectados e se diagnosticados pelo menos a metade deles irão precisar de um tratamento que não tem prazo para terminar, motivo pelo qual o número de pacientes cresce em forma exponencial. Diferentemente a outras doenças que podem ser curadas, um indivíduo com hepatite B vai ter que receber assistência médica pelo restante da sua vida, assim, os serviços médicos devem ampliar o atendimento a cada ano. Existem poucos médicos especializados no tratamento da hepatite B e, em geral, a maioria dos centros especializados não se encontram nas áreas de maior endemicidade da doença. O problema no tratamento da hepatite B e a sua complexidade e a necessidade de acompanhamento permanente dos infectados com exames de imagem e biologia molecular, difíceis de encontrar.

No tratamento da hepatite B hoje já se dispõe de um arsenal terapêutico muito bom. Nos próximos cinco anos mais de uma dúzia de novos medicamentos estarão chegando ao mercado e muito provavelmente poderemos presenciar a cura da hepatite B.

O problema da hepatite B e de tal tamanho e complexidade que caso não surja algum medicamento milagroso não terá solução nem a curto nem a médio prazo para os atuais infectados. Mas não podemos aceitar que alguns governos considerem como uma estratégia a morte dos infectados (seja pela doença ou pela velhice) como a solução do problema da hepatite B. Quem pensar dessa forma e ficar sentado acima dessa bomba viral estará cometendo um crime contra a humanidade. O tratamento da hepatite B não é caro, hoje um infectado com hepatite B custa mensalmente menos que um infectado com AIDS para os governos.

A epidemia de hepatite B atinge na sua forma crônica 350 milhões de pessoas no mundo, o dobro dos infectados com hepatite C, que são 170 milhões. Curiosamente no Brasil a relação se inverte e o número de infectados com hepatite C e o dobro dos infectados com hepatite B, sendo estimado que existam dois milhões de infectados com hepatite B e até quatro milhões com hepatite C. A apresentação recente dos dados do inquérito domiciliar realizado pelo ministério da saúde são validos para hepatite C, mas não podem ser considerados no caso da hepatite B, pois as amostras representam somente as capitais, sendo amplamente conhecido que a hepatite B e uma doença de zonas suburbanas, fora das capitais, principalmente no interior da Amazônia, no sul do Espírito Santo, no oeste do Paraná e Santa Catarina e em zonas portuárias ou de prostituição, lugares onde não realizada a procura de infectados. Mostrar ao mundo a prevalência da hepatite B no Brasil com amostras obtidas somente nas capitais será considerado "propaganda enganosa".

Falando na outra "epidemia", a de hepatite C, o panorama e totalmente diferente e, portanto, a estratégia de divulgação e de ações deve ser diferente. Lamentavelmente a hepatite C não possui uma vacina preventiva, mas dispõe de um tratamento eficaz que hoje consegue a cura de pouco mais da metade dos pacientes tratados e que em dois ou três anos estará logrando curar até 80% dos infectados.

Partindo dessas duas características o fato de não possuir uma vacina para prevenir a hepatite C parece estar compensado com o fato de se tratar de uma doença de transmissão quase que exclusivamente pelo sangue e, hoje, com tudo o sangue utilizado em transfusão sendo testado e com a utilização de instrumentos corretamente esterilizados e seringas e agulhas descartáveis, a possibilidade de novos casos de infecções com a hepatite C e muito pequena. No mundo a hepatite C se propagou entre as décadas de 70 e 80, assim, a maioria dos infectados com hepatite C tem mais de 40 anos, o que indica que a epidemia está diminuindo, mais pela morte por velhice dos infectados que pelo número de tratamentos oferecidos, mas pelo menos a situação vai sendo controlada no caso de novas infecções.

Estranhamente o inquérito domiciliar realizado no Brasil encontrou uma alta prevalência da hepatite C em adolescentes, na faixa de idade entre 10 e 19 anos. Como esses adolescentes nasceram quando já o controle do sangue era efetivo e os instrumentos descartáveis e, pela faixa de idade e de se supor que a grande maioria não seja usuária de drogas injetáveis, até o momento o resultado não encontrou nenhuma explicação plausível. É sumamente importante que estudos adicionais sejam realizados, pois o resultado contradiz tudo o existente na literatura científica internacional.

Em relação ao tratamento da hepatite C o principal fator inibitório de ações de saúde pública e o seu preço. O tratamento que pode custar R$. 80.000,00 (U$. 44,000.-) se realizado de forma particular, chega a custar somente R$. 19.000,00 (U$. 10,500.-) para alguns governos que centralizam a compra dos medicamentos e negociam preços com os fabricantes. Se considerarmos que aproximadamente a metade dos atuais infectados necessita tratamento por ter um nível de fibrose igual ou superior a F2, os valores que os governos deveriam dispor são de cifras estratosféricas. No caso do Brasil se todos os infectados fossem diagnosticados, dois milhões necessitariam de tratamento, para isso seriam necessários R$. 38.000.000.000,00 (trinta e oito bilhões de reais) ou em dólares, U$. 21,000,000,000.-

É então, fazer o que? Ficar mudo e paralisado ante o tamanho do problema não é uma atitude inteligente. Tentar esconder o problema não realizando amplas campanhas de alerta e de detecção dos infectados e uma atitude criminosa por parte dos governos. Existem soluções, as quais serão mais fáceis com o correr do tempo. No final de 2009 escrevi sobre vinte e oito novos medicamentos que muito provavelmente estarão chegando ao mercado e que pela competitividade irão ocasionar uma redução dos preços e até uma diminuição do tempo de tratamento. Posso arriscar, sem medo de errar, que daqui a quatro anos o tratamento da hepatite C terá um custo entre 50 e 70% menor que o atual.

Em resumo, é possível planejar uma ação estratégica, por exemplo, de 10 anos de prazo para enfrentar a hepatite C, sem medo de falir com os recursos do estado. Dividindo a detecção e tratamentos nesses 10 anos e considerando o barateamento dos tratamentos, os recursos que deverão ser destinados são inferiores ao que atualmente e dispensado na epidemia de HIV/AIDS, ou seja, e totalmente possível, faltando somente vontade política e gestores comprometidos com a saúde pública, gestores que não pensem somente em esconder o problema e deixar que a bomba estoure nos próximos governantes do país.

Mas os infectados com hepatite C estarão enfrentando nos próximos anos um dos mais graves problemas que um ser humano possa sofrer. Estou me referindo a discriminação, a exclusão social por culpa da doença. Observo com grande preocupação que a cada dia aumenta a percepção mundial de que a hepatite C e uma doença de usuários de drogas ou de infectados com HIV/AIDS. O estigma nos médios de comunicação está crescendo rapidamente, levando a formação de opiniões desastrosas na opinião pública.

Isso é triste porque por causa da discriminação os pacientes não se atrevem a assumir sua condição de infectados, alguns até que suspeitam que possam estar infectados com hepatite C, mas não se atrevem a realizar o teste ou, pior ainda, se diagnosticados preferem ocultar a sua condição para não perder emprego ou família e não procuram tratamento.

Vários são os fatores que estão levando a um aumento no estigma da hepatite C. O principal deles e a pouca visibilidade que pessoas infectadas com hepatite C tentam dar a doença, preferindo não se expor, o que repercute inclusive na forma de trabalhar dos grupos de apoio formados por pacientes. Já grupos de usuários de drogas ou de co-infectados com HIV/AIDS/Hepatite C não têm medo de falar. Esses grupos procuram a imprensa, dão entrevistas, pressionam os sistemas de saúde, os governantes e os congressistas, conseguindo dessa forma não somente a atenção, como também os recursos necessários ao tratamento. A maioria dos protocolos e consensos de tratamento não possui limites para os co-infectados HIV/AIDS/Hepatite C, já para aqueles somente estão infectados com hepatite C as restrições para conseguir o tratamento são muito grandes.

Dou meus parabéns aos usuários de drogas e aos co-infectados com HIV/AIDS/Hepatite C, pois estão conseguindo a atenção e os recursos necessários para seu atendimento. Se isso resulta em maior discriminação e estigma para quem somente está infectado com hepatite C não chega a ser um problema, pois cada um deve lutar pela sua causa, pelo grupo ao qual pertence. Cabe aos infectados somente com a hepatite C sair do casulo e enfrentar a sociedade, mostrando que a maioria não se enquadra no estigma que está sendo formado na sociedade.

Para aqueles que sentem medo de serem discriminados, posso assegurar que a discriminação existe mais dentro do próprio indivíduo que na sociedade em geral. Faz mais de 12 anos que luto pelas hepatites, considero que sou uma figura publicamente conhecida e, posso assegurar que não existem maiores problemas quando alguém dá a cara. Mas são poucos os infectados com hepatite C que chegam a colocar sua condição publicamente. Não vejo pessoas conhecidas que sei que estão com hepatite C, entre eles atores, desportistas ou políticos que queiram vir a público para falar do problema, já entre ex-usuários de drogas ou co-infectados HIV/AIDS/Hepatite C e uma pratica comum. Praticamente todos os dias vemos pessoas famosas falar que por culpa de seu passado com drogas hoje estão tratando de hepatite C.

Bom, daqui a 12 meses vou reler este texto com a esperança de poder falar em progressos, em mudanças positivas para todos os infectados com as hepatites B e C. Pelo menos assim espero, pois sou um otimista nato.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo






Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal:
As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica. É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte como retiradas de WWW.HEPATO.COM


O Grupo Otimismo e afiliado a AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO - www.aigabrasil.org



¡ALERTA!


Enquanto você realiza a leitura deste artigo,

¡Mientras usted realiza la lectura de este artículo,


1 pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!

personas estarán muriendo por culpa de las hepatitis B o C en el mundo!

A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!



GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22
Rio de Janeiro - Brasil
Teléfonos: Rio de Janeiro (005521) 4063.4567 - São Paulo (005511) 3522.3154 (de 11.00 a las 15.00 horas)
e-mail: hepato@hepato.com Internet: www.hepato.com
04/01/2010


Mis previsiones en las hepatitis B y C para 2010


Realizar previsiones parece ser cosa de personas desocupadas intentando adivinar cual será el número que va a dar en la lotería. No es ése el sentido de las previsiones que estaré realizando con relación a las hepatitis B y C, su epidemiología y los tratamientos. A cada año doy una parada para pensar en lo que fue realizado y con eso imaginar lo que podrá acontecer en los próximos 12 meses, pero debo confesar que es difícil ser totalmente optimista ante un problema tan grande y complejo como son las "epidemias" de hepatitis B y C.

Hablo en "epidemias" en el plural, porque considero se tratar de dos enfermedades totalmente diferentes, con epidemiología, formas de transmisión, prevención, tratamiento y consecuencias totalmente diferentes. Colocar las hepatitis B y C juntas, intentando una acción estratégica igual es un de los mayores errores cometidos en la última década. El mundo en general interpretó que podría realizar acciones conjuntas ya que ambas las enfermedades atacan el hígado y por tanto se llaman hepatitis. La década no fue totalmente perdida, pero los avances fueron muy pequeños. El número de infectados diagnosticados y en tratamiento es mínimo y el número de muertes a causa de las hepatitis B y C no para de crecer. Ante la frialdad de los números no existen explicaciones o disculpas ya que todas las promesas y las buenas intenciones no lograron resultados. Con humildad debemos dar la mano a la palmatoria.

Volviendo a las "epidemias", en la hepatitis B la vacunación continúa siendo la principal arma para evitar nuevos infectados. La vacuna es barata y presenta excelente efectividad. Muchos países ya la ofrecen para todo la población y pasó a ser obligatoria de ser aplicada en los niños recién nacidos en el momento del parto, pero lamentablemente algunos países limitan la aplicación gratuita para solamente quien tiene menos de 19 años y, peor aún, faltan campañas que incentiven las personas a procurar la vacuna. Países que realizan campañas de vacunación están logrando evitar nuevas infecciones, lo que garantiza un control de nuevos casos. Campañas de vacunación en masa irán a conseguir erradicar, o por los menos disminuir drásticamente nuevos casos de hepatitis B, sin duda una excelente forma de controlar el futuro de la enfermedad.

Ya con relación a encontrar quien esté infectado con hepatitis B la situación todavía es dramática. La mayoría de los países no realiza alertas o campañas de diagnostico en larga escala. En el tercer mundo es estimado que entre 90 y 95% de los infectados aún no fueron diagnosticados, países entre quiénes se incluye Brasil. Los gobiernos alegan que el número de infectados es muy grande y que no existen recursos financieros ni la cantidad de médicos especializados necesarios para tratar la hepatitis B. Lamentablemente en los últimos 12 años escucho esa respuesta como excusa, pero muy poco fue hecho para mudar la situación, simplemente están negando a millones de infectados por la hepatitis B la oportunidad de evitar daños irreversibles a la salud y la oportunidad de tratamiento.

En el mundo son 350 millones de infectados y si diagnosticados por lo menos la mitad de ellos irán a necesitar de un tratamiento que no tiene plazo para terminar, motivo por el cual el número de pacientes crece en forma exponencial. Diferentemente a otras enfermedades que pueden ser curadas, un individuo con hepatitis B va a tener que recibir asistencia médica por el restante da su vida, así, los servicios médicos deben ampliar el servicio a cada año. Existen pocos médicos especializados en el tratamiento de la hepatitis B u, en general, la mayoría de los centros especializados no se encuentran en las áreas de mayor endemicidad de la enfermedad. El problema en el tratamiento de la hepatitis B es su complejidad y la necesidad de acompañamiento permanente de los infectados con exámenes de imagen y biología molecular, difíciles de encontrar.

En el tratamiento da hepatitis B hoy ya se dispone de un arsenal terapéutico muy bueno. En los próximos cinco años más de una docena de nuevos medicamentos estarán llegando al mercado y muy probablemente podremos presenciar la cura de la hepatitis B.

El problema de la hepatitis B es de tal tamaño y complejidad que caso no surja algún medicamento milagroso no tendrá solución ni a corto ni a medio plazo para los actuales infectados. Pero no podemos aceptar que algunos gobiernos consideren como una estrategia la muerte de los infectados (sea por la enfermedad o por la vejez) como la solución del problema de la hepatitis B. Quien pensar de ésa forma y quedarse sentado arriba de ésa bomba vírica estará cometiendo un crimen contra la humanidad. El tratamiento de la hepatitis B no es caro, hoy un infectado con hepatitis B cuesta mensualmente menos que un infectado con SIDA para los gobiernos.

La epidemia de hepatitis B alcanza en su forma crónica 350 millones de personas en el mundo, el doble de los infectados con hepatitis C, que son 170 millones. Curiosamente en Brasil la relación se invierte y el número de infectados con hepatitis C es el doble de los infectados con hepatitis B, siendo estimado que existan dos millones de infectados con hepatitis B y hasta cuatro millones con hepatitis C. La presentación reciente de los datos del estudio domiciliar realizado por el ministerio de la salud son validos para hepatitis C, pero no pueden ser considerados en el caso de la hepatitis B, pues las muestras representan solamente las capitales de las provincias, siendo holgadamente conocido que la hepatitis B es una enfermedad de zonas suburbanas, fuera de las capitales, principalmente en el interior de la Amazonía, en el sur de Espíritu Santo, en el oeste de Paraná y Santa Catarina y en zonas portuarias o de prostitución, lugares donde no se realizó el estudio. Mostrar al mundo la prevalencia de la hepatitis B en Brasil con muestras obtenidas solamente en las capitales será considerado "propaganda engañosa".

Hablando en la otra "epidemia", la de hepatitis C, el panorama es totalmente diferente y, por tanto, la estrategia de divulgación y de acciones debe ser diferente. Lamentablemente la hepatitis C no posee una vacuna preventiva, pero dispone de un tratamiento eficaz que hoy logra la cura de poco más de la mitad de los pacientes tratados y que en dos o tres años estará logrando curar hasta 80% de los infectados.

Partiendo de ésas dos características el hecho de no poseer una vacuna para prevenir la hepatitis C parece estar compensado con el hecho de tratarse de una enfermedad de transmisión casi que exclusivamente por la sangre y, hoy, con toda la sangre utilizada en transfusión siendo testada y con la utilización de instrumentos correctamente esterilizados y jeringas y agujas desechables, la posibilidad de nuevos casos de infecciones con hepatitis C es pequeña. En el mundo la hepatitis C se propagó entre las décadas de 70 y 80, así, la mayoría de los infectados con hepatitis C tiene más de 40 años, lo que indica que la epidemia está disminuyendo, más por la muerte por vejez de los infectados que por el número de tratamientos ofrecidos, pero por lo menos la situación va siendo controlada en el caso de nuevas infecciones.

Extrañamente el estudio domiciliar realizado en Brasil encontró una alta prevalencia de hepatitis C en adolescentes, en la faja de edad entre 10 y 19 años. Como esos adolescentes nacieron cuando ya el control de la sangre era efectivo y los instrumentos desechables y, por la faja de edad es de suponerse que la gran mayoría no sea usuaria de drogas inyectables, hasta el momento el resultado no encontró ninguna explicación plausible. Es muy importante que estudios adicionales sean realizados, pues el resultado contradice todo el existente en la literatura científica internacional.

Con relación al tratamiento de la hepatitis C el principal factor inhibitorio de acciones de salud pública es su precio. El tratamiento que puede costar U$. 44,000.- si realizado de forma particular, llega a costar solamente U$. 10,500.- para algunos gobiernos que centralizan a compra de los medicamentos y negocian precios con los fabricantes. Si consideramos que aproximadamente la mitad de los actuales infectados necesita tratamiento por tener un nivel de fibrosis igual o superior a F2, los valores que los gobiernos deberían disponer son de cifras estratosféricas. En el caso de Brasil si todos los infectados fuesen diagnosticados, dos millones necesitarían tratamiento, para eso serían necesarios U$. 21,000,000,000.-

¿Y entonces, hacer lo que? Quedarse mudo y paralizado ante el tamaño del problema no es una actitud inteligente. Intentar esconder el problema no realizando amplias campañas de alerta y de detección de los infectados es una actitud criminosa por parte de los gobiernos. Existen soluciones, las cuales serán más fáciles con el correr del tiempo. Al final de 2009 escribí sobre veintiocho nuevos medicamentos que muy probablemente estarán llegando al mercado y, qué por la competitividad estarán ocasionando una reducción de los precios y hasta una disminución del tiempo de tratamiento. Puedo arriesgar, sin miedo de errar, que de aquí a cuatro años el tratamiento de la hepatitis C tendrá un costo entre 50 y 70% menor que el actual.

En resumen, es posible planificar una acción estratégica, por ejemplo, de 10 años de plazo para enfrentar la hepatitis C, sin miedo de quebrar con los recursos del estado. Dividiendo la detección y tratamientos en ésos 10 años y considerando el abaratamiento de los tratamientos, los recursos que deberán ser destinados son inferiores a lo que actualmente es dispensado en la epidemia de HIV/SIDA, o sea, es totalmente posible, faltando solamente voluntad política y gestores comprometidos con la salud pública, gestores que no piensen solamente en esconder el problema y dejar que la bomba estalle en los próximos gobernantes del país.

Pero los infectados con hepatitis C estarán enfrentando en los próximos años uno de los más graves problemas que un ser humano pueda sufrir. Estoy me refiriendo a la discriminación, la exclusión social por culpa da enfermedad. Observo con gran preocupación que a cada día aumenta la percepción mundial de que la hepatitis C es una enfermedad de usuarios de drogas o de infectados con HIV/SIDA. El estigma en los medios de comunicación está creciendo rápidamente, llevando la formación de opiniones desastrosas en la opinión pública.

Eso es triste porque a causa de la discriminación los pacientes no se atreven a asumir su condición de infectados, algunos hasta que sospechan que puedan estar infectados con hepatitis C, pero no se atreven a realizar la prueba o, peor aún, se diagnosticados prefieren ocultar su condición para no perder empleo o familia y no procuran tratamiento.

Varios son los factores que están llevando a un aumento en el estigma da hepatitis C. El principal de ellos es la poca visibilidad que personas infectadas con hepatitis C intentan dar a la enfermedad, prefiriendo no se exponer, lo que repercute incluso en la forma de trabajar de los grupos de apoyo formados por pacientes. Ya grupos de usuarios de drogas o de co-infectados con HIV/SIDA/Hepatitis C no tienen miedo de hablar. Esos grupos procuran la prensa, dan entrevistas, presionan los sistemas de salud, los gobernantes y los congresistas, consiguiendo de ésa forma no solamente la atención, como también los recursos necesarios al tratamiento. La mayoría de los protocolos y consensos de tratamiento no posee límites para los co-infectados HIV/SIDA/Hepatitis C, ya para aquéllos que solamente están infectados con hepatitis C las restricciones para conseguir tratamiento son muy grandes.

Felicito a los usuarios de drogas y a los co-infectados con HIV/SIDA/Hepatitis C, pues están logrando la atención y los recursos necesarios para su atención. Si eso resulta en mayor discriminación y estigma para quien solamente está infectado con hepatitis C no llega a ser un problema, pues cada uno debe pelear por su causa, por el grupo al cual pertenece. Cabe a los infectados solamente con hepatitis C salir del capullo y enfrentar la sociedad, mostrando que la mayoría no se encuadra en el estigma que está siendo formado en la sociedad.

Para aquéllos que sienten miedo de ser discriminados, puedo asegurar que la discriminación existe más dentro del propio individuo que en la sociedad en general. Hace más de 12 años que luto por las hepatitis, considero que soy una figura públicamente conocida y, puedo asegurar que no existen mayores problemas cuando alguien da la cara. Pero son pocos los infectados con hepatitis C que llegan a colocar su condición públicamente. No veo personas conocidas que sé que están con hepatitis C, entre ellos actores, deportistas o políticos que quieran venir a público y hablar del problema, ya entre ex-usuarios de drogas o co-infectados HIV/SIDA/Hepatitis C es una practica común. Prácticamente todos los días vemos personas famosas hablar que por culpa de su pasado con drogas hoy están tratando la hepatitis C.

Bueno, de aquí a 12 meses voy a releer este texto con la esperanza de poder hablar en progresos, en cambios positivos para todos los infectados con las hepatitis B y C. Por lo menos así espero, pues soy un optimista nato.

Carlos Varaldo
Grupo Optimismo






Carlos Varaldo y el Grupo Optimismo declaran que no tienen relaciones económicas relevantes con eventuales patrocinadores de las diversas actividades.
Aviso legal:
Las informaciones de este texto son meramente informativas y no pueden ser consideradas ni utilizadas como indicación médica. Es permitida la utilización de las informaciones contenidas en este mensaje si se cita la fuente como retiradas de WWW.HEPATO.COM







Last updated 10.1.2010