003_pesq_port

A cada dia estamos mais perto de tratamentos da hepatite C sem necessidade do interferon

19/08/2013

Uma publicação no "The New England Journal of Medicine" mostra que o tratamento da hepatite C no futuro não utilizará interferon, mas ainda não estamos lá quando falamos no tratamento do genótipo 1. Apesar de resultados promissores que mostram maiores possibilidades de cura, as taxas de respostas no genótipo 1 ainda não são as desejadas.

Brevemente o tratamento do genótipo 2 sem interferon com excelente possibilidade de cura será realidade e, provavelmente também no tratamento do genótipo 3. No tratamento do genótipo 1 os tratamentos serão mais toleráveis, de menor duração, mas ainda deverão incluir o interferon para se obter uma maior eficácia.

O ensaio clínico "SOUND-C2" de fase 2b incluindo 362 infectados com o genótipo 1 da hepatite C utilizou em regime oral, sem utilização do interferon, o Faldaprevir (um inibidor da proteases do vírus) uma vez ao dia combinando com o Deleobuvir (BI 207127 - um inibidor da polimerase do vírus) duas ou três vezes ao dia, dividindo os pacientes em grupos que recebiam dosagens diferentes e ainda, alguns recebiam também, ou não, ribavirina.

O grupo de pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C que recebeu 16 semanas de tratamento obteve resposta sustentada de 59% na semana 12 após o final do tratamento, o que pode ser considerada a cura se o vírus não recidivar antes da semana 24. O grupo de pacientes que recebeu 28 semanas de tratamento obteve 69% de indetectáveis na semana 12 após o tratamento.

A ribavirina foi necessária, pois o grupo que realizou o mesmo tratamento sem ribavirina obteve somente 39% de possibilidades de cura.

Os infectados com o genótipo 1 sub-tipo 1b obtiveram possibilidade de cura 100% maior que os infectados com o sub-tipo 1a.

Dependendo do grupo de tratamento foram observadas taxas de interrupção do tratamento variando entre 5% e 25%. Os efeitos adversos mais comuns foram erupção cutânea, foto sensibilidade, náusea, vomito e diarréia.

MEU COMENTÁRIO

Os resultados devem ser observados com cautela, pois todos os pacientes eram brancos e não teve um grupo controle tratando pacientes com interferon e ribavirina, assim, os resultados obtidos podem não se repetir na população em geral.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Faldaprevir and Deleobuvir for HCV Genotype 1 Infection - Stefan Zeuzem, M.D., Vincent Soriano, M.D., Ph.D., Tarik Asselah, M.D., Ph.D., Jean-Pierre Bronowicki, M.D., Ph.D., Ansgar W. Lohse, M.D., Beat M llhaupt, M.D., Marcus Schuchmann, M.D., Marc Bourli re, M.D., Maria Buti, M.D., Stuart K. Roberts, M.D., Ed J. Gane, M.D., Jerry O. Stern, M.D., Richard Vinisko, M.A., George Kukolj, Ph.D., John-Paul Gallivan, Ph.D., Wulf-Otto B cher, M.D., and Federico J. Mensa, M.D. - N Engl J Med 2013; 369:630-639


Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO