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A incerteza no tratamento da hepatite C sem interferon

21/01/2013

Alguns médicos e pacientes estão deixando de tratar a hepatite no aguardo da chegada de medicamentos que possibilitem realizar o tratamento sem interferon. A esperança é que em 2014 isso possa ser possível. Será?

A opção de não tratar agora e aguardar é correta? É certo e seguro que em 2014 os medicamentos em pesquisa chegarão ao mercado? Todos os infectados serão candidatos a utilização dos novos medicamentos? Qual o quadro clínico hoje do paciente e como estará daqui a alguns anos? Qual será o preço?

São muitos os interrogantes e poucas as respostas que possam ser dadas com certeza total, tudo por enquanto é marketing, ou melhor, dito especulação. Não estou pessimista, muito pelo contrario, mas é necessário colocar os pés no chão e avaliar o que é marketing. Guerra comercial, captação de recursos para pesquisas e para tal tudo o que está sendo divulgado ou apresentado em congressos deve ser lido e interpretado com cautela.

O tratamento com interferon peguilado e ribavirina é realizado desde 2000 ou 2001, provocando em alguns pacientes efeitos colaterais e adversos nada agradáveis. Passados 10 anos aparecem os inibidores de proteases telaprevir e boceprevir, os quais lamentavelmente devem ser utilizados em terapia triple, junto com o interferon peguilado e ribavirina, assim, os efeitos colaterais e adversos não somente continuam como aparecem outros ainda piores. Se por um lado o aumento na possibilidade de cura é 100% maior, o paciente não ficou livre dos efeitos do tratamento.

A corrida das empresas farmacêuticas para conseguir chegar ao mercado com medicamentos livres de interferon esta a todo vapor. Todos os dias são emitidos comunicados (releases) e enviados as agencias de notícias anunciando avanços nas pesquisas, mas esse tipo de informação não coloca como foram selecionados os pacientes, qual a situação clínica e, muitas vezes são dados de grupos pequenos, com não mais de 10 pacientes.

Assim, os "fabulosos" resultados apresentados certamente não serão encontrados quando no dia a dia milhares de pacientes com as mais diversas condições passem a fazer uso comercial desses medicamentos. Isso sempre aconteceu com medicamentos e não será desta vez que será diferente.

Pesquisa realizada durante o AASLD 2012 encontrou que metade dos médicos entrevistados está retrasando a indicação de tratamento a seus pacientes, no aguardo de novos medicamentos sem interferon e, também, muitos pacientes resolvem aguardar os novos medicamentos.

O que chega publicado nas notícias é realmente encorajador para tomar tal decisão. É prometido que poderá ser somente com uma pílula ao dia, em poucas semanas, altamente efetivo em todos os genótipos e em qualquer grau de dano no fígado, eu serão altamente seguros e com poucos efeitos colaterais. Realmente, com anúncios assim parece ser que quem tratar agora é um perfeito idiota.

Então, para responder as perguntas colocadas no inicio do texto farei o papel do advogado do diabo;

A opção de não tratar agora e aguardar é correta?

É uma decisão de foro intimo que deve ser o próprio paciente que deve tomar, não podendo ser responsabilizado o medico seja qual for a decisão.

É certo e seguro que em 2014 os medicamentos em pesquisa chegarão ao mercado?

Ninguém pode afirmar com total certeza. Pelo andar das pesquisas é possível, mas em pesquisa com seres humanos sempre podem acontecer eventos que atrasam a finalização das pesquisas.

Todos os infectados serão candidatos a utilização dos novos medicamentos?

Somente quando chegarem ao mercado é que poderá se conhecer se cada paciente em particular pode utilizar sem contra-indicações tal ou qual medicamento.

Qual o quadro clínico hoje do paciente e como estará daqui a alguns anos?

Não sou Deus para responder tal pergunta, pois não existe uma formula matemática que possa prever com que velocidade avançará a fibrose ou a cirrose. Em cada infectado é diferente.

Qual será o preço?

É a única pergunta que posso responder com total certeza, pois certamente sei que serão medicamentos muito caros devido aos bilhões de dólares que estão sendo gastos nas pesquisas, o que vai limitar quais pacientes poderão receber o tratamento. Poderá acontecer que alguns países nem sequer os estarão autorizando nem para venda em farmácias. Poderemos ter tratamento oral para os ricos e continuar com o interferon peguilado e ribavirina por alguns anos para os mais pobres. Somente a concorrência, se chegarem vários medicamentos orais ao mesmo tempo é que poderá reduzir o preço.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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