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Silibinin, um derivado da sylimarina poderia ser uma opção no resgate de pacientes com resposta parcial no tratamento da hepatite C

16/07/2012

A chamada resposta virológica parcial durante o tratamento da hepatite C indica que o vírus ainda se encontra presente, que o tratamento não está conseguindo a supressão total, sendo então considerado como a falha do tratamento. Tais pacientes são considerados os não-respondedores ao tratamento. A resposta virológica parcial é responsável por um número considerável de interrupções de tratamento, em especial nos infectados com o genótipo 1.

Muitas vezes nos deparamos com pesquisas sobre a utilização da sylimarina, mas até o momento nenhuma conseguiu comprovar a eliminação do vírus com tal alternativa. Pesquisadores estão estudando um componente da sylimarina, chamado Silibinin na forma de medicamento injetável já a venda em alguns países (Legalon-SIL ®, Rottapharm-Madaus) para tratamento de intoxicações severas causadas por substancias hepatotoxicas, em especial por intoxicações causadas por cogumelos venenosos, como o Amanita Phalloides. O Silibin-SIL é um dos princípios ativos da Sylimarina modificado quimicamente para se transformar no sal dissódico de silibinina-C-2'-3-dihidrogenosuccinato.

Pesquisadores experimentaram se o Silibinin aplicado de forma intravenosa em duas doses (dois dias seguidos) em pacientes que não estão respondendo ao tratamento com interferon peguilado e ribavirina, isto é, apresentam resposta virológica parcial, poderia ocasionar algum efeito benéfico, reduzindo ou eliminando a carga viral e dessa forma evitar a interrupção do tratamento.

Foram incluídos no estudo 20 pacientes com resposta virológica parcial os quais receberam 1.400 mg/dia de silibinin intravenoso em dois dias consecutivos. Dos 20 pacientes 13 deles conseguiram estar indetectáveis uma semana após a aplicação do silibinin e esses 13 conseguiram ficar indetectáveis até completar as 48 semanas do tratamento com interferon peguilado e ribavirina.

Nos restantes sete pacientes não foi conseguida a supressão total do vírus com a utilização do silibinin, embora quatro deles mostrassem um significativa redução da carga viral. O silibilin foi bem tolerado e os efeitos observados foram diarreia, náusea e vômitos nos dias seguintes a aplicação.

Dos pacientes que conseguiram ficar indetectáveis com a administração do silibinin, 12 completaram o tratamento, sendo que até o momento da publicação três já obtiveram a resposta sustentada (indetectáveis 24 semanas após o final do tratamento), dois se encontram indetectáveis na semana 12 após o final do tratamento, quatro sofreram recidiva após o final do tratamento e três não conseguiram completar o tratamento com interferon peguilado e ribavirina.

Concluem os pesquisadores que a administração a curto prazo de uma alta dose de silibinin pode ser uma abordagem interessante para resgatar pacientes com carga viral mínima durante o tratamento da hepatite C.

MEU COMENTÁRIO

Certamente esses resultados preliminares poderão estimular outros estudos para avaliar se a utilização do silibinin poderá se tornar uma estratégia terapêutica de resgate dos não respondedores.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
High-dose silibinin rescue treatment for HCV-infected patients showing suboptimal virologic response to standard combination therapy - Biermer, M.; Schlosser, B.; Fülöp, B.; van Bömmel, F.; Brodzinski, A.; Heyne, R.; Keller, K.; Sarrazin, C.; Berg, T. - Journal of Viral Hepatitis, Volume 19, Number 8, 1 August 2012 , pp. 547-553(7)


Carlos Varaldo
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