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ALERTA! - O paracetamol para evitar a febre ao receber uma vacina pode colocar tudo a perder

26/10/2009

A revista "The Lancet" (2009;374:1339-50) publica um estudo realizado na Universidade da Defesa, em Hradec Kralove (República Checa) o qual concluiu que o paracetamol (principio ativo do Tylenol e muitos outros antitérmicos) se utilizado para tentar evitar febre ou dor no momento da vacinação de crianças pode provocar com que as crianças não consigam a imunização necessária, ficando desprotegidas perante a doença.

Alertam os autores que a febre provocada pela vacina faz parte do processo inflamatório normal do organismo momentos após a imunização e, que quando aplicado um medicamento para combater a febre, como o paracetamol, ele não somente diminui a febre das crianças, como também diminui a resposta do organismo da criança ante os antígenos existentes na vacina.

Os pesquisadores realizaram dois estudos incluindo as vacinas mais comuns, como a hepatite B, neumococo, gripe hemofílica tipo B, difteria, tétano, tos ferina, pólio e rotavirus. Um dos estudos foi para comparar o efeito do paracetamol na aplicação da primeira dose das vacinas e outro para comprar o seu uso nas doses seguintes.

Crianças de 10 hospitais da Republica Checa foram divididas em grupos aleatórios para receber, ou não, três doses de paracetamol para evitar a febre a cada 6 ou 8 horas nas primeiras 24 horas após a aplicação das vacinas. O objetivo era reduzir a febre naqueles que apresentavam temperatura igual ou superior aos 38 graus.

Ao se analisar a imunidade adquirida com as vacinas foi comprovado que o nível de anticorpos protetores era inferior no grupo de crianças que receberam o paracetamol quando comparado com o grupo de crianças que não utilizaram o antitérmico.

Ante a descoberta os autores analisaram os resultados de 10 estudos publicados na literatura cientifica, constatando que o paracetamol interfere na efetividade das vacinas se for administrado de forma preventiva, para evitar a febre, mas que o efeito poderia ser de menor influencia se for utilizado após o aparecimento da febre na criança.

Concluem os autores que o paracetamol não deve ser empregado de forma rotineira na vacinação porque a interferência no processo inflamatório que provoca a febre pode afetar a efetividade da vacina, reduzindo a imunidade.

MEU COMENTÁRIO:

Achei importante realizar o alerta porque entre as varias vacinas pesquisadas também se encontra a da hepatite B.

Chamo a atenção para todos aqueles que utilizam o paracetamol (Tylenol e similares) para combater a febre que acontece com a aplicação do interferon, que o interferon não é uma vacina, não existindo nenhum estudo que comprove que o paracetamol diminui o efeito do interferon.

Muitos irão perguntar se o processo da reação após a aplicação do interferon, em especial a febre, e um sinal que o interferon está combatendo o vírus e como tal não deveria ser combatida, mas aviso que não tenho resposta para dar. Pode ser que com o estudo sobre as vacinas os pesquisadores se interessem para realizar pesquisas em relação ao uso do paracetamol no tratamento da hepatite C.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Effect of prophylactic paracetamol administration at time of vaccination on febrile reactions and antibody responses in children: two open-label, randomised controlled trials - Prof Roman Prymula MD, Prof Claire-Anne Siegrist MD, Roman Chlibek MD, Helena Zemlickova MD, Marie Vackova MD, Jan Smetana MD, Patricia Lommel BScb, Eva Kaliskova MD, Dorota Borys MD, Lode Schuerman MD - The Lancet - Volume 374, Issue 9698, Pages 1339 - 1350, 17 October 2009


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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