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Hepatites Virais em Idosos

02/07/2012

Como a expectativa de vida continua a aumentar, idosos representam uma proporção crescente da população. Existem diferenças importantes na epidemiologia, apresentação clínica e gestão das hepatites virais nos idosos em comparação com indivíduos mais jovens. A probabilidade de complicações das hepatites B e C e da mortalidade geral é maior em populações idosas. Várias mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento, maior prevalência de comorbidades e exposição cumulativa ao vírus podem contribuir para resultados piores de hepatite em idosos.

As hepatites B e C apresentam características clínicas muito mais graves em pessoas idosas. Um dos tantos motivos pelos quais a recomendação, agora universal, é diagnosticar o mais precocemente possível a chamada geração "Baby Boom" que são os indivíduos nascidos entre 1946 e 1964.

Com o envelhecimento dos infectados com hepatite C, haverá um aumento dos gastos com cirrose descompensada e câncer de fígado nas próximas duas décadas. As mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento, como a resposta imunológica diminuída, distúrbios metabólicos, deficiências nutricionais, contribuem para resultados ruins nos idosos.

O declínio relacionado com a idade na regeneração do fígado é reduzido com o envelhecimento (até 70% menor do que em mais jovens).

Na hepatite B existem varias opções terapêuticas de excelente resposta, mas é uma tendência mundial que a melhor opção para eliminar a hepatite B daqui a algumas décadas seria a vacinação universal. Não existe desculpa alguma para não se vacinar toda a população.

Nos infectados com idade avançada a hepatite B é um facilitador para o desenvolvimento do câncer no fígado. Portanto, a idade é um fator determinante na iniciação de vigilância para o aparecimento de tumores em pacientes com hepatite B crônica.

Já na hepatite C a incidência e prevalência do vírus continuam a diminuir entre os indivíduos mais jovens (dados dos Estados Unidos divulgados pelo CDC) onde a prevalência é de 1,6% na população em geral, mas atinge 4,3% nos indivíduos com idade entre 40 e 49 anos. Estudo similar feita em Europa mostra que a proporção de infectados com o genótipo 1 aumenta com a idade, sendo que entre os infectados com menos de 65 anos 57% possuem o genótipo 1 e, na faixa de idade entre 65 e 80 anos a proporção dos infectados com o genótipo 1 é de 72%.

Os dados dos dois estudos são preocupantes, pois adultos com mais de 65 anos de idade são os que com maior frequência apresentam complicações da cirrose e câncer no fígado. A idade no momento da infecção é um fator importante para apresentar uma fibrose mais avançada, além disso, a progressão para fibrose pode ser mais rápida quando a infecção ocorre em indivíduos mais velhos, independentemente da duração da infecção. Por exemplo, o tempo médio para desenvolvimento de cirrose foi de 33 anos em indivíduos infectados quando no momento da infecção a idade deles era entre 21 e 30 anos, em comparação com 16 anos para desenvolver cirrose quando a infecção aconteceu em indivíduos maiores de 40 anos.

O diagnostico da hepatite C não pode ser feito pela transaminase ALT, pois ela se encontra elevada em 46% dos indivíduos jovens, mas somente 10.6% dos infectados adultos apresentam uma ALT elevada. Somente com o teste ANTI-HCV é possível diagnosticar corretamente a infecção.

O diagnostico precoce, na menor idade possível é importante devido a que pelos efeitos colaterais e adversos da terapia atual muitos idosos não podem receber o tratamento, os condenando a viver com a progressão da doença.

Concluem os autores que os adultos idosos representam uma população com maior risco de complicações da doença hepática, apresentando maior risco de mortalidade que a população em geral.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Viral Hepatitis in the Elderly - Andres F Carrion MD; Paul Martin MD; FACG - The American Journal of Gastroenterology. 2012; 107 (5) :691-697.


Carlos Varaldo
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