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Nos portadores de hepatite C os problemas aumentam após os 60 anos de idade

05/04/2010

Novos casos de infecção na hepatite C são a cada dia em menor número, isso devido a que desde 1993 os testes estão disponíveis, todo sangue de transfusão e testado e, o material médico e descartável ou corretamente esterilizado. Não podemos falar que a hepatite C está totalmente controlada quanto à prevenção, mas a realidade e que a grande maioria das pessoas portadoras se infectaram antes de 1993, seja por transfusões de sangue, procedimentos cirúrgicos ou por utilização de agulhas de injeção quando ainda eram seringas de vidro e não corretamente esterilizadas.

Isso é muito bom pelo lado da prevenção de novos casos mostrando claramente que a guerra está sendo ganha em relação a evitar novas infecções, mas por outro lado e altamente preocupante observar que muito pouco está sendo feito para atender todos aqueles que se infectaram nas décadas de 70 e 80 e que se encontram infectados por mais de 20 ou 30 anos e o dano no organismo está se agravando.

Não existem na devida necessidade campanhas de prevenção da vida, da saúde, para aqueles já infectados, inclusive na hepatite B, assim como não existe infra-estrutura que possa atender a demanda por serviços de saúde para atender os milhões de infectados. Faltam médicos e hospitais para tal!

São dois os principais problemas enfrentados pelos infectados com mais de 60 anos de idade. É conhecido que os pacientes jovens apresentam maiores possibilidades de curar a hepatite que os pacientes idosos, pois à medida que aumenta a idade a resposta terapêutica é menor, assim como pacientes mais jovens apresentam menor dano no fígado e por conseqüente menos complicações da doença que os pacientes de idade mais avançada.

Um estudo publicado em Gastroenterology, mais um, demonstra que o grau de fibrose é inversamente relacionado com a idade dos pacientes, quanto mais velhos maiores danos hepáticos são encontrados, não importando em que idade aconteceu a infecção.

Alertam para o fato que por estudos retrospectivos e estimado que 25% dos infectados, se não diagnosticados e tratados desenvolvem cirrose, mas por projeção matemática estimam que nas próximas duas décadas, por envelhecimento dos infectados, aproximadamente 40% dos infectados estarão desenvolvendo cirrose, aumentando drasticamente os problemas graves causados pela hepatite C.

Estimam, também, que o "pico" dos casos de cirroses acontecerá no ano de 2020, passando depois a declinar, em função que como acontecem poucas novas infecções o número total de infectados com a hepatite C será menor com a morte, natural ou por culpa da doença, dos atuais infectados.

Concluem que se fossem realizadas amplas campanhas de diagnostico e se fosse oferecido tratamento aos casos mais preocupantes, o número de casos de cirroses e de mortes pelos problemas diretamente relacionados à hepatite C poderiam ser reduzidos nos próximos dez anos. Em um calculo matemático eles estimam que se o governo desse a devida atenção ao problema, os casos de cirroses poderiam ser reduzidos em 16%, os de descompensação em 42%, os de câncer de fígado em 31% e os de mortes relacionados com a doença em 36%.

MEU COMENTÁRIO:

Nem seria necessário fazer qualquer comentário, pois os números mostram de forma clara e fria o genocídio que significa continuar com a atual pouca importância que os gestores da saúde estão dando as hepatites.

Mas em vez de um comentário vou fazer uma pergunta: Senhores gestores, respondam sinceramente se vocês conseguem olhar firmemente nos olhos de seus filhos ou dormir com a consciência tranqüila sabendo que estão sendo coniventes com o descaso em relação aos já infectados com as hepatites?

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
GL Davis, MJ Alter, H El-Serag, and others. Aging of the Hepatitis C Virus-Infected Persons in the United States: A Multiple Cohort Model of HCV Prevalence and Disease Progression. Gastroenterology 138(2): 513-521 - February 2010.
Infectious Disease Epidemiology Program, University of Texas Medical Branch, Galveston, TX; Division of Hepatology, Baylor University Medical Center and Baylor Regional Transplant Institute, Dallas, TX; Assistance Publique Hôpitaux de Paris, Université Pierre et Marie Curie Liver Center, Paris, France; Baylor College of Medicine and Michael E. DeBakey Veterans Affairs Medical Center, Houston, TX


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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