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Progressão natural da hepatite C

25/04/2005

A apresentação 615 no 40th EASL (B J Veldt and others. MODELLING THE NATURAL COURSE OF CHRONIC HEPATITIS C: VALIDATION AND CLINICAL IMPLICATIONS. Abstract 615) mostra que o curso natural da evolução da hepatite C e variável e, que atualmente e incerta e provavelmente desproporcional a forma como isto e calculado, já que todos os estudos publicados também incluem os pacientes que morrem por causas que não são relacionadas a doença hepática, aumentando assim o número de óbitos.

Neste estudo foram estudados pacientes nos quais se conhecia a data da infecção e sobre estes foram realizados estudos histológicos (biopsias) para se conhecer a taxa de progressão e aparecimentos dos diversos eventos clínicos. Os resultados foram ajustados com a mortalidade acontecida por fatores não relacionados ao fígado.

O risco absoluto de mortalidade diretamente relacionada ao fígado em indivíduos infectados há 30 anos com a hepatite C foi de 8,5% entre os homens e de 5,5% entre as mulheres, considerando o grupo que foi infectado na faixa dos 30 anos de idade. A media de mortalidade nesta faixa de idade foi aumentada em somente 2% quando comparadas a mortes não relacionadas ao fígado.

Porem naqueles indivíduos com cirroses a media de mortalidade foi notadamente superior, chegando no grupo de maior idade a 24,6% para os homens e a 36,8% para as mulheres.

Embora a progressão da hepatite C seja superior em indivíduos de maior idade a taxa media de mortalidade permaneceu abaixo de 2%, devido a um aumento da taxa de mortalidade, nesta faixa de idade avançada por problemas não originados por doenças no fígado.

Já em pessoas que se infectaram quando se encontravam na faixa dos 50 anos se observou que a taxa de mortalidade por problemas no fígado, trinta anos após a infecção foi de 28,3% entre os homens e de 20,6% entre as mulheres.

MEU COMENTÁRIO:

Observamos pelo presente estudo que a progressão natural da doença em indivíduos infectados na idade media de 30 anos e lenta e que ao cabo de trinta anos entre 5,5% e 8,5% deles virão a falecer por culpa da infecção.

Lembro que fatores externos, como outras doenças, podem afetar a progressão natural da doença, e os números apresentados devem ser olhados com cautela os considerando como uma media, não significando que todos os infectados apresentaram a mesma evolução. Alguns terão uma progressão mais rápida e outros mais lentos. Cada caso e um caso diferente e estes resultados são a media dos casos observados.

Assim, analisando que os cirróticos aumentam as chances de morrer por culpa da doença, o estudo nos mostra a importância que a detecção precoce tem sobre a saúde do individuo e a necessidade imediata de se detectar os atuais infectados.

Ainda, o modelo apresentado permite melhor identificar quais pacientes correm maior risco de uma progressão desfavorável, se tentando nestes a aplicação de terapias mais eficazes, de forma imediata e possibilitando que outros possam aguardar a chegada de tratamentos mais eficazes, seguros e com menores efeitos colaterais

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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