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Diferenças entre os diversos consensos e protocolos de tratamento da hepatite C

15/09/2014

Estou regressando do Congresso Latino Americano de Fígado da ALEH realizado em Cancún onde foi apresentado o consenso de tratamento da hepatite C para América Latina e casualmente no Brasil o Ministério da Saúde estará publicando a consulta publica do Protocolo de Tratamento da hepatite C no sistema publico de saúde - SUS.

É importante neste momento, onde todos poderão contribuir com criticas e sugestões no texto apresentado para o protocolo entender as diferenças que existem entre os diversos consensos e guias de tratamento já publicados no mundo.

Aqui em Cancún essas diferenças entre eles e o porque dessas diferenças foram amplamente discutidas em apresentação realizada pelo Dr. Hugo Chenquier. Aproveito então para fazer um resumo das características especificas de cada um deles.

1 - Consenso da Sociedade Americana de fígado:

Aparentemente é o mais avançado em termos de tratamento da hepatite C, acabando de vez com o interferon peguilado, o telaprevir e o boceprevir, passando a tratar todos os pacientes, com qualquer grau de fibrose, com sofosbuvir e simeprevir.

Esse foi o conceito divulgado no inicio do ano e desde lá diversas atualizações já foram realizadas. A mais importante delas é que desde agosto já deixou de indicar tratamento a todos os infectados, recomendando que pacientes com fibrose igual ou inferior a F2 podem aguardar a chegada de novos medicamentos. Essa nova recomendação, limitando quem deve receber tratamento imediato foi ocasionada pelo preço atual dos medicamentos que estavam levando os sistemas de saúde a falência.

Em relação ao interferon peguilado ainda é necessário em algumas situações de tratamento. O motivo pelo qual o texto do consenso americano o elimina totalmente é porque nos Estados Unidos todo empregado possui plano de saúde privado e como no país os planos de saúde são obrigados a dar os medicamentos, caso existisse a opção do peguilado eles estariam negando os novos tratamentos devido ao custo elevado e continuariam a tratar com interferon peguilado.

Por tanto, não é que o interferon peguilado não deve ser mais utilizado e sim que isso é uma situação especial dos Estados Unidos, valida somente para aquele país devido a legislação que regula os planos de saúde.

2 - Consenso Europeu:

O consenso da EASL é a guia de tratamento dos países da comunidade europeia, mas não é uma obrigação da forma como tratar. Cada país aprova, ou não, os medicamentos indicados, isto é, não todos os países oferecem o recomendado na guia de tratamento da EASL.

Chega inclusive a indicar medicamentos ainda não aprovados na Europa, como foi o caso, já em abril, de indicar o daclatasvir, medicamento que somente agora foi aprovado pela agencia reguladora da Europa. Dessa forma evitam ter que realizar alterações nos textos a todo momento.

Insistindo, não todos os países incorporam os medicamentos indicados pelo consenso, cada um deve aprovar e comprar de forma independente.

O interferon continua a ser indicado no consenso da EASL.

3 - Consenso Latino Americano:

A Associação Latino Americana de Fígado - ALEH - no seu consenso segue os passos do consenso europeu, isto é, a recomendação é geral, mas como existem países muito diferentes na capacidade de atendimento das hepatites e na capacidade de pagamento pelos medicamentos, cada um segue seus próprios critérios, como é o caso do Brasil.

O interferon continua a ser indicado no consenso da ALEH.

4 - Brasil - Consenso e Protocolo de tratamento:

As sociedades médicas de hepatologia e infectologia ainda não redigiram algum consenso de tratamento incluindo os novos medicamentos sofosbuvir, simeprevir, daclatasvir e 3D.

O Ministério da Saúde redige protocolos de tratamento. Os protocolos são elaborados conforme as evidencias científicas porem considerando a capacidade de atendimento instalada e os recursos do orçamento, motivo pelo qual sempre serão restritivos se comparados com os consensos ou guias de tratamento das sociedades médicas. O interferon continuará a ser indicado no Protocolo.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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