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Avaliando a depressão no inicio do tratamento da hepatite C

15/08/2011

A gravidade dos sintomas depressivos observados no pré-tratamento é utilizada para avaliar o paciente e determinar a estratégia a ser seguida pelo psiquiatra durante o tratamento da hepatite C, porém um novo estudo publicado no "The American Journal of Gastroenterology" sugere que o mais importante para a conduta terapêutica é observar as mudanças que acontecem nas primeiras semanas do tratamento.

O estudo fez uma avaliação prospectiva medindo o grau de depressão de 129 pacientes utilizando a escala "Beck Depression Inventory (BDI)" encontrando no grupo 91 pacientes com sintomas mínimos de depressão, 28 pacientes com sintomas leves de depressão e 10 pacientes com sintomas moderados de depressão, conforme avaliação realizada antes do inicio do tratamento.

A mesma avaliação foi realizada no inicio do tratamento, na segunda e quarta semana do tratamento e a seguir a cada quatro semanas, até finalizar ou interromper o tratamento. Todos os pacientes foram tratados com interferon peguilado e ribavirina.

Ao se comparar o resultado pela média de todos os 129 pacientes, antes de iniciar o tratamento o resultado pelo "Beck Depression Inventory (BDI)" foi de um escore de 7,4, o que é considerado uma depressão mínima, já o mesmo teste realizado no final do tratamento deu um resultado médio com um escore de 12,6, significando uma depressão leve.

Ao analisar os 28 pacientes com depressão leve no inicio do tratamento foi encontrado que este grupo teve o maior aumento nos sintomas depressivos, maior ainda que nos 10 pacientes que no inicio do tratamento apresentavam depressão moderada.

Curiosamente os pesquisadores observam que os pacientes minimamente deprimidos no inicio do tratamento possuem menos probabilidades de conseguir a cura que os pacientes com depressão leve ou moderada, não encontrando uma resposta para tal fato, motivo pelo qual recomendam a realização de novos estudos.

MEU COMENTÁRIO:


A depressão afeta um número considerável de indivíduos infectados com hepatite C podendo piorar a intensidade com o tratamento utilizando interferon e ribavirina. Por esse motivo é importante que antes do tratamento o paciente seja encaminhado a um psiquiatra ou psicólogo para passar por uma avaliação e se diagnosticado algum sintoma de depressão o paciente seja medicado corretamente e passe a ser acompanhado de forma continua por um psiquiatra durante todo o tempo de tratamento.

O tratamento da hepatite C deve ser multidisciplinar. O beneficio para o paciente é superior quando uma equipe multiprofissional cuida do tratamento.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Changes in Depressive Symptoms and Impact on Treatment Course Among Hepatitis C Patients Undergoing Interferon-? and Ribavirin Therapy: A Prospective Evaluation - Judith Chapman, Megan Oser, Jill Hockemeyer, Julie Weitlauf, Surai Jones and Ramsey Cheung - Veterans Affairs Palo Alto Health Care System, Psychology Service, Palo Alto, California, USA - The American Journal of Gastroenterology , (9 August 2011) - doi:10.1038/ajg.2011.252


Carlos Varaldo
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