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Depressão - A maior causa de interrupção do tratamento na hepatite C

18/04/2011

A adesão ao tratamento é fundamental para se conseguir sucesso no tratamento da hepatite C. Um estudo realizado nos Estados Unidos pela empresa Medco Health Solutions, Inc., apresentado na "International Conference on Viral Hepatitis 2011" comprova que pacientes em tratamento com interferon peguilado que ao mesmo tempo estão recebendo tratamento contra a depressão apresentam maior aderência ao tratamento e em conseqüência possuem as maiores taxas de cura.

Segundo o estudo aproximadamente 40% dos pacientes em tratamento da hepatite C com interferon peguilado e ribavirina apresentam quadros depressivos, ocasionando uma menor adesão desses pacientes a terapia recomendada pelo médico. Isso coloca em risco o resultado esperado com o tratamento.

A pesquisa constatou que pacientes que também utilizam um antidepressivo apresentam as maiores taxas de adesão. Os pacientes em tratamento da hepatite C que antes do tratamento passaram por uma avaliação psicológica e receberam tratamento antidepressivo, 68,5% conseguiram boa aderência ao tratamento. Já no grupo de pacientes que antes do tratamento não foram submetidos a uma avaliação psicológica e não utilizaram qualquer antidepressivo durante o tratamento a aderência foi de somente 46%.

A pesquisa foi realizada com 3.607 pacientes em tratamento, dos quais 1.657 recebiam tratamento com antidepressivos. Os pacientes foram considerados aderentes quando completavam corretamente 80% das doses recomendadas dos medicamentos, nos dias e horários recomendados.

Os resultados apontam cada dia com maior ênfase para a importância do tratamento multidisciplinar da hepatite C. A triagem dos pacientes antes do tratamento por um psicólogo ou psiquiatra pode identificar sinais de depressão, os quais certamente serão potencializados com o inicio do tratamento com interferon peguilado e ribavirina, esses pacientes deverão receber tratamento antidepressivo antes e durante o tratamento da hepatite C.

Fica evidente que se 68,5% dos pacientes conseguem 80% de aderência se estão também tratando dos sintomas da depressão, o número de pacientes curados será muito superior aos somente 46% dos pacientes que sem tratamento da depressão conseguem uma aderência completa do tratamento.

MEU COMENTÁRIO:

O tratamento multidisciplinar aumenta a possibilidade de cura em mais de 20%, deveria por isso ser obrigatório no sistema público de saúde. A fármaco economia é assustadora e a não implementação de equipes multidisciplinares nos centros de tratamento é um desperdício de recursos públicos que deveria ser investigada pelo Tribunal de Contas da União, penalizando os responsáveis por tal má aplicação dos recursos.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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