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Se sentir culpado ou penalizado por estar doente aumenta as dores

12/09/2011

É muito comum escutar infectados com as hepatites B ou C (também com qualquer outra doença) reclamar sobre o porquê isso aconteceu com eles. Não fica duvida ser essa uma forma negativa de pensar, pois uma doença pode acontecer com qualquer pessoa, não se constituindo numa condenação ou penalidade.

Um estudo da Universidade de Granada, na Espanha, publicado na revista Universitas Psychologica indica que as pessoas que pensam de forma negativa percebem as dores de forma mais intensa e manifestam maior propensão a ansiedade.

Na pesquisa participaram 50 indivíduos, 25 homens e 25 mulheres, os quais foram avaliados na orientação temporal utilizando o "Inventario de Perspectiva Temporal de Zimbardo (ZTPI)" um teste que descreve as atitudes do passado, do presente e do futuro e, na avaliação da qualidade de vida relacionada com a saúde utilizando o Questionário da Saúde "SF-36" com o qual se conhece a saúde física e mental.

Conforme o resultado fica evidente que a dimensão mais influente na saúde é a percepção do passado, assim, uma visão ou pensamento negativo está direcionado com piores indicadores da saúde. Essas pessoas apresentam maiores dificuldades para realizar esforços físicos e uma maior predisposição para adoecer, percebem a dor corporal com maior intensidade e apresentam uma tendência à depressão, ansiedade e alterações no comportamento.

Segundo os autores existem três perfis temporais predominantes, os "predominantemente negativos", os "predominantemente positivos" e os "predominantemente equilibrados", sendo estes últimos os que resultam em atitudes mais saudáveis, pois aprendem com as experiências passadas e fixam metas futuras a serem alcançadas, sem descuidar de viver o momento atual de forma agradável e confiante.

Curiosamente os "predominantemente positivos", isto é, os que renunciam a tudo para alcançar determinado objetivo, não apresentam uma saúde física e mental prejudicada, mas os índices não são tão bons como os "predominantemente equilibrados", concluem os pesquisadores.

Dentro da pesquisa se encontram citados alguns estudos anteriores, com conclusões semelhantes:

1 - Indivíduos com orientação temporal "predominantemente positiva" apresentariam melhor qualidade de vida relacionada com a saúde - (Hall & Fong, 2003).

2 - Indivíduos com orientação temporal "predominantemente positiva" e presente hedonista (que procuram o prazer atual a tudo custo) teriam melhor qualidade de vida que os indivíduos "predominantemente negativos" ou presente fatalista - (Hamilton et al., 2003).

3 - Indivíduos com orientação temporal "predominantemente equilibrada" apresentam melhor saúde, em especial a saúde mental - (Drake et al., 2008).

Então, para sentir menos dor e menos efeitos colaterais dos medicamentos, que tal pensar positivo? Não foi por acaso que quando criamos o grupo decidimos o chamar de OTIMISMO, pois o pensamento positivo aumenta a autoestima do paciente e com isso a possibilidade de cura é muito superior ou a progressão da doença é menor.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
La percepción del tiempo: influencias en la salud física y mental - Cristián Oyanadel , Gualberto Buela-Casal - Universidad de Granada, España - Univ. Psychol. Bogotá, Colombia V. 10 No. 1 PP. 149-161 ene- abr 2011 ISSN 1657-9267


Carlos Varaldo
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