016_psi_port

A importância da adaptação psicológica ao ser diagnosticado com hepatite crônica

23/08/2010

Ninguém está preparado para receber o diagnostico de qualquer doença, pior ainda quando a doença é pouco conhecida da população e, ainda, é considerada uma doença crônica. Convenhamos que a notícia não alegra ninguém e, pior ainda, muitos pacientes estarão saindo da consulta com duas, não com uma, doença. Falo com duas doenças porque alem da hepatite muitos recebem como brinde um problema psicológico, resultando em ansiedade, medo, depressão, incógnita sobre o futuro e, outras "cositas" mais.

Em casos assim, a adaptação psicológica a nova situação resulta fundamental, pois uma pessoa que passou a ter sintomas depressivos estará perdendo muito de seu sistema imunológico, as suas defesas ficarão debilitadas, o colocando em situação vulnerável ao ataque do vírus que acabou de descobrir, talvez seja essa uma das estratégias de ataque do vírus da hepatite.

Qualquer doença crônica provoca mudanças significativas na vida do indivíduo, afetando a qualidade de vida, alterando hábitos arraigados, afetando o bem-estar. Um número significativo de pacientes, lamentavelmente, não aceita a nova situação de conviver com um vírus no organismo e desenvolverão transtornos psicológicos, desenvolvendo pensamentos negativos. É chegado então o momento de reagir, de procurar ajuda se for necessário.

É incrível, mas pessoas que nada sentiam e que não apresentam sintomas de nenhuma espécie, após receber o diagnostico passam a sentir sintomas inespecíficos, entre eles se sentem cansadas, podem apresentar debilidade, dificuldade de concentração e memória, relatam sentir um incomodo do lado direito do abdome e até com menor vontade de participar da vida social. Aparecem sintomas fisiológicos característicos dos processos inflamatórios e infecciosos que também acontecem quando diagnosticadas outras doenças, como o câncer e a diabete.

Pacientes diferentes reagem de forma diferente. Alguns enfrentam a nova situação escondendo suas emoções, evitando ou inibindo qualquer manifestação que possa ser observada por familiares e amigos, mas essa talvez seja a pior forma de atuar, pois uma má adaptação a nova realidade estará piorando a doença. O médico não conseguirá dar a devida atenção a um problema reprimido, afetando a comunicação com o paciente o que resultará em falta de adesão ao tratamento proposto.

Aqueles que expressam suas emoções são os que melhor conseguem enfrentar os problemas psicológicos. Aceitar e expressar os sentimentos e emoções requer tempo de adaptação à nova realidade, mas resulta na diminuição do mal estar, recupera o equilíbrio psicológico e fisiológico e favorece a interação social.

Pacientes que aceitam e expressam suas emoções passam a viverem muito mais adaptados as condições e situações ao saber que estão convivendo com a hepatite crônica. Sendo consciente disso a adesão ao tratamento é maior, as mudanças no estilo de vida são aceitas e a conduta com família, amigos e companheiros de trabalho correm sem maiores traumas.

A adaptação não deve ser somente psicológica. Também as mudanças no estilo de vida devem ser vistas com naturalidade. Uma vida saudável, com pratica de exercícios físicos, chegar a ter o peso ideal a sua altura e uma alimentação balanceada é fundamental, mas sempre tomando o cuidado que o doente é o individuo e não a família. É normal ver que quando um membro da família é diagnosticado com pressão alta a esposa passa a cozinhar tudo sem sal, sacrificando toda a família por que um deles não pode comer sal. O mesmo acontece com quem descobre a hepatite, tudo bem que ele não possa beber bebidas alcoólicas, mas o restante da família não pode ser privada de um vinho ou uma cerveja.

Também, não tudo é negativo ao descobrir a hepatite no seu organismo. Por incrível que pareça muitos pacientes reagem de forma totalmente positiva. Aqueles que sempre pensavam que esse tipo de coisas somente acontece com os outros, descobrem que não são seres superiores ou intocáveis. O efeito negativo do diagnostico provoca nesses indivíduos um efeito psicológico positivo o que os leva a encontrar uma forma melhor de apreciar a vida, mudam prioridades, aumentam sua determinação para efetuar tarefas e melhoram sua relação com grupos sociais e a família.

A melhor terapia para enfrentar o convívio com uma hepatite crônica inclui estratégias destinadas a conseguir atitudes otimistas ante a doença. Vemos que muitos encontram vantagens positivas, pois com o choque se deram conta que não estavam no caminho correto, que estavam pensando muito em si próprio e não atentando para a relação com familiares e amigos.

É curioso, não pensava escrever sobre o tema, mas como estou compilando mais de 400 e-mails recebidos comentando sobre sinais e sintomas sentidos pelo infectado com hepatite antes e após o diagnostico, com o qual estamos escrevendo um livro interativo, sentei no computador e o texto acima foi fluindo. Ao mesmo tempo vejo como fomos felizes, lá em 1998 quando formamos o grupo, em ter dado o nome de OTIMISMO. Na reunião discutíamos que deveríamos aceitar e enfrentar a doença com otimismo e pensamento positivo, sem depressão, sem culpa, pois a informação e o conhecimento da forma de atuar da doença resultam se tratar de um excelente medicamento.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO