019_psi_port

Tratamento da hepatite C em indivíduos com doenças psiquiátricas

06/04/2009

Pessoas acometidas de doenças crônicas apresentam maior possibilidade de desenvolver doenças psiquiátricas, em especial a depressão, que a população em geral. É até natural que isso acontece, pois o simples conhecimento de ser diagnosticado com uma doença crônica pode afetar a expectativa em relação à vida de alguns desses indivíduos.

Na hepatite C não é diferente. Estudos realizados nos Estados Unidos estimam que a taxa de indivíduos infectados com a hepatite C que apresentam algum sintoma de alteração de comportamento pode ser entre 4 e 20 vezes maior que na população em geral, que entre os americanos e de 1,8%. A enorme diferença nos resultados encontrados e que alguns desses estudos pesquisaram em populações especificas, como usuários de drogas, co-infectados, população de rua, alcoólatras, etc., onde outros fatores contribuem para aumentar a taxa de pessoas com distúrbios psiquiátricos, motivo pelo qual não são resultados que possam ser generalizados.

Pacientes com alterações mentais, depressão ou problemas psiquiátricos são, em muitos casos, excluídos de receber o tratamento da hepatite C. O argumento contra o tratamento desta população decorre dos efeitos colaterais associados ao interferon e a ribavirina, como depressão, irritabilidade, alterações do humor, tendências suicidas e, até recaída no uso de drogas ou bebidas alcoólicas. É conhecido que pacientes que apresentam algum desses sintomas possuem maior risco de exacerbação dos mesmos pelo efeito dos medicamentos.

Durante o tratamento da hepatite C até 21% dos pacientes podem apresentar algum sintoma depressivo, mas naqueles que apresentam sinais prévios o percentual de pacientes afetados chegou a 58% em alguns estudos controlados.

Não entanto novas pesquisas demonstram que praticamente todos os pacientes podem receber o tratamento se o mesmo e realizado com uma abordagem multidisciplinar e com controle estrito dos efeitos colaterais. Usando esta abordagem são obtidos resultados de resposta sustentada semelhantes aos pacientes que não apresentam distúrbios psiquiátricos.

Não podemos considerar os efeitos colaterais como o maior problema enfrentado por esses pacientes durante o tratamento da hepatite C e, sim, a forma como eram tratados e acompanhados. Com uma abrangente avaliação psiquiátrica antes de iniciar o tratamento, uma analise dos riscos e benefícios, a discussão previa entre o psiquiatra e o médico que cuida da hepatite sobre os medicamentos que serão utilizados para avaliar as interações e determinar as dosagens corretas, o tratamento, se realizado na modalidade multidisciplinar, acaba com a restrição existente em relação à recomendação do tratamento.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO