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O estresse na vida profissional nos portadores de hepatite

18/04/2006

Os portadores de hepatite comumente apresentam sintomas de estresse nas suas atividades profissionais com quadros de ansiedade e depressão os quais são totalmente compreensíveis quando nos deparamos com o medo do desconhecido, com a responsabilidade de termos que enfrentar uma doença crônica, muito pouco conhecida e de tratamento complexo. Este estresse e caracterizado pela exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional).

É mais comum observar este estresse em portadores de hepatite C que nos portadores de hepatite B. Há uma preponderância nas mulheres e principalmente naquelas que não possuem um parceiro estável.

Trata-se de um conjunto de condutas negativas que primeiro aparecem no ambiente de trabalho, como por exemplo, a deterioração do rendimento, a perda de responsabilidade, atitudes passivo-agressivas com os outros e perda da motivação, onde se relacionariam tanto fatores internos, na forma de valores individuais e traços de personalidade, como fatores externos, na forma das estruturas organizacionais, ocupacionais e grupais.

Psiquiatras e psicólogos a definem com o nome de Síndrome de Burnout. O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.

Os sintomas básicos dessa síndrome começam com uma exaustão emocional onde a pessoa sente que não pode mais dar nada de si mesma. Em seguida desenvolve sentimentos e atitudes muito negativas, como por exemplo, um certo cinismo na relação com as pessoas do seu trabalho e aparente insensibilidade afetiva.

Finalmente o paciente manifesta sentimentos de falta de realização pessoal no trabalho, afetando sobremaneira a eficiência e habilidade para realização de tarefas e de adequar-se à organização.

Esta síndrome é o resultado do estresse emocional incrementado na interação com outras pessoas. Algo diferente do estresse genérico, a Síndrome de Burnout geralmente incorpora sentimentos de fracasso. Seus principais indicadores são: cansaço emocional, despersonalização e falta de realização pessoal.

Sempre que o paciente considerar se encontrar em um quadro de estresse, ansiedade ou depressão é necessário procurar auxilio médico especializado, de preferência um psiquiatra, o qual saberá identificar corretamente a causa e receitar medicamentos específicos. A família também deve estar atenta a estes câmbios de atitude e ajudar seu familiar a encontrar o melhor caminho para tratar do problema existente.

O quadro evolutivo tem diferentes fases, mas nunca devem ser usados como auto-avaliação ou auto-medicação. Suspeitando de se encontrar com um dos sintomas consulte sempre o médico.

Primeira fase:

- Diante da pergunta o que você tem? normalmente a resposta é "não sei, não me sinto bem"

Segunda fase
:

- Irritabilidade ou ansiedade persistentes.

- Sinais físicos de tensão, como dentes roendo e mandíbulas estalando.

- Dificuldade para dormir.

- Problemas de digestão.

- Enxaquecas.

- Esquecimentos e habilidade de concentração reduzida.

- Coração por momentos disparando.

- Falta de vontade, ânimo ou prazer de ir a trabalhar.

- Dores nas costas, pescoço e coluna.

Terceira fase:

- Procrastinação.

- Descumprimento do horário de trabalho. Chega tarde e sai cedo.

- Esgotamento persistente.

- Recusa de trabalhar em grupo.

- Sinais de sarcasmo e cinismo.

- Aumento do consumo de álcool, café, tabaco e alimentos.

- Apatia, pouca vontade de relacionamento com outras pessoas.

- Sensação de perseguição "todos estão contra mim".

Fase final:

- Depressão.

- Problemas de saúde crônicos.

- Aparecimento de doenças psicossomáticas, tais como alergias, psoríase, picos de hipertensão, etc..

- Fadiga crônica sentimental e/ou física.

- As fantasias de "sair" de sociedade deixando todas as responsabilidades para trás.

- Sensação de estar preso e possivelmente com pensamentos suicidas.

- Durante esta etapa, ou antes, dela o ideal e afastar-se do trabalho.

Vemos assim que os sintomas psiquiátricos devem ser avaliados para um correto diagnostico sobre a capacidade profissional de um individuo afetado por uma doença como a hepatite. No diagnostico da "hepatopatia grave" não pode deixar de fazer parte um laudo emitido por um psiquiatra ou psicólogo, complementando o laudo do médico especialista em fígado.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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