10/08/2009
Estigmas ainda persistentes nas hepatites
Convidado para dar uma palestra no grupo de apoio de Osasco, o GAPHOR no próximo domingo 16 de agosto com o tema "Aprendendo a conviver com a hepatite crônica", um assunto difícil para os infectados já que cada individuo aceita ou reage das formas mais diversas possíveis ante a incerteza do futuro, estava enumerando a infinidade de situações que podem se apresentar e me deparei com o estigma e discriminação que as hepatites B e C ainda apresentam na sociedade.
Tal vez um dos principais problemas que prejudicam a parte emocional, psicológica e a qualidade de vida dos infectados com as hepatites B e C seja o estigma e discriminação, ainda muito altos entre a população em geral. Na hepatite B pode ser observado até um estigma em maior grau que em relação ao HIV/AIDS.
Isso e resultado de falta de informação correta, da falta de campanhas que mostrem as características individuais das doenças. No início da epidemia da AIDS a discriminação era total, pessoas evitavam conviver com um infectado, mas com a realização de campanhas informativas o estigma praticamente acabou e, hoje os indivíduos HIV positivos convivem em igualdade de condições nos círculos sociais e na vida profissional. As hepatites carecem de ações dos governos nesse sentido, para evitar a discriminação.
Mas o que falar e como falar para diminuir os preconceitos em relação ao estigma nas hepatites? Numa campanha preventiva devemos falar em "transmissão" ou em "contagio", devemos falar de "portadores" de hepatites ou de "pessoas com" hepatite, devemos falar de pessoas "expostas ao risco" ou de "grupos de risco" ou ainda de "condutas de risco".
Quando formamos o Grupo Otimismo achamos por bem ser uma associação de "portadores" um termo adequado naquela ocasião, mas esse será o termo politicamente correto na atualidade. Qual a interpretação de "portadores" na população em geral?. Nesses 12 anos nunca escutei alguém falar que e "portador" da hepatite B ou C, ele simplesmente se classifica como infectado ou doente.
Na AIDS e comum alguém falar abertamente que "vive com o HIV", provavelmente por ser uma doença que ainda não consegue a cura, já na hepatite C muitos dos curados falam brincando que são "ex-portadores".
A palavra "contagio" quando utilizada em campanhas de prevenção pode aumentar a discriminação, já que "contagioso" e interpretado como um alerta de algo do qual deve se manter distancia, que deve se evitar o contato. A palavra "transmissão" parece ser mais adequada. Existe "contagio" do vírus da gripe, porque ele está no ar, invisível, aparece de repente, mas nas hepatites o que existe e a transmissão de uma pessoa para outra em condições muito bem definidas. A colocação correta deveria ser "vias de transmissão" explicando cada uma das hepatites, já que nas hepatites B e C elas são diferentes, tal quais duas doenças diferentes.
Lamentavelmente a falta de campanhas informativas de largo alcance e de forma permanente sobre as hepatites por parte do governo mantém a população quase que totalmente ignorante sobre a maior epidemia da humanidade, podemos considerar a omissão na divulgação das hepatites como a culpada pela discriminação e estigma sofrida pelos infectados.
Campanhas de prevenção e informação não devem focar somente conhecimento sobre hepatites, elas devem ser mais humanas, não realizando julgamentos sobre grupos de maior risco, não condenando, por exemplo, os usuários de drogas ou os profissionais do sexo. Para evitar novos infectados e necessário vencer as barreiras da discriminação, do estigma e da segregação, pois elas são obstáculos para a prevenção.
É necessário informar da melhor forma possível, para que algum dia ninguém tenha medo de poder falar abertamente que está infectado com uma das hepatites, B ou C, e para não ser mais excluído socialmente, profissionalmente ou até de editais de concursos públicos para admissão no funcionalismo.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
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pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas estarán muriendo por culpa de las hepatitis B o C en el mundo!
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!