09/02/2007
OPINIÃO
O que procuram os pacientes?
Carlos Varaldo (*)
(Opinião publicada em mais de 30 jornais no Brasil)
Muitas vezes o indivíduo com uma doença pergunta a si mesmo se existe, por parte do médico, conhecimento da diferença sobre o conceito daquilo que é doença e do que é saúde? O médico, do outro lado da mesa, acostumado com os sinais da doença como um fato biológico olha exclusivamente para os indicadores da doença esquecendo o indivíduo. É comum encontrar pacientes totalmente desapontados com esta atitude inconsciente de alguns profissionais da medicina, prejudicando como um todo o conceito da classe médica.
A resposta pela qual procura o doente e, também, aquela que o médico procura encontrar, podem ser tão diferentes que muitas vezes se transformam em frustração para ambos. Situação difícil de solucionar já que por um lado a doença pode ser muito mais daquilo reconhecido como tal pela medicina ou pelo conhecimento do profissional e, por outro, o paciente pode ter procurado o médico por motivos que não são derivados de uma doença específica. Parece que durante a consulta ambos os lados da mesa procuram pateticamente alguma coisa perdida em algum outro lugar e, provavelmente, estejam procurando no lugar errado.
Muitos elementos colaboram para formar um ambiente impróprio para uma correta relação entre o médico e o paciente. O paciente pode estar procurando o apoio não encontrado com um outro profissional da saúde, talvez uma explicação que sirva como consolo numa doença crônica ou explicações sobre como reparar um erro médico, um diagnóstico equivocado, mas a curta duração da consulta, a baixa remuneração dos médicos e, em muitos casos a insatisfação com a falta de infra-estrutura nos hospitais faz com que a relação durante a consulta seja frustrante. Nas doenças crônicas o intervalo entre a causa e o aparecimento de sintomas e prolongado. A relação entre o médico e paciente deverá permanecer por anos, mas o tempo reduzido das consultas não permitirá criar uma relação de confiança necessária para se encontrar as respostas necessárias.
Um olhar humano, uma conversa com palavras amigas, escutando o paciente, dedicando mais dez minutos, perguntando a ele sobre seus problemas e angústias poderia tornar mais fluida a consulta e estabelecer vínculos menos superficiais, aumentando a empatia e a confiança na relação com o médico. Atitudes deste tipo desarmariam o "
impaciente" transformando-o em um verdadeiro "
paciente", o qual passará a participar de forma mais ativa no seu tratamento sem exigir respostas ou soluções imediatas, com índices menores de abandonos no tratamento das doenças crônicas.
Um novo tipo de paciente existe atualmente. É o paciente "
semi-especializado", aquele que procura informações na internet ou freqüenta grupos de apoio formados por pacientes onde se discutem os últimos avanços da medicina. Um paciente complicado para médicos com pouco conhecimento atualizados ou para os que não gostam de dar maiores explicações. Somando a isto o aparecimento de advogados especializados em dano moral ou por erro médico está ocasionando uma revolução na relação médico-paciente.
Uma relação estabelecida por séculos, mas que se encontra em processo de transformação com resultados altamente positivos para ambos os lados. Estamos caminhando para um atendimento mais humanizado e multidisciplinar, onde o médico vai compartilhar os pacientes com outros profissionais, dividindo responsabilidades, deixando de ser o sumo conhecedor de tudo aquilo que aflige o paciente. Deixaremos de ter um "
Deus" único, soberano e passaremos a ter um excelente grupo de "
anjos" cuidando do paciente.
A palavra "
paciente" é utilizada há mais de 2.600 anos, desde Hipócrates. Quando a população totalmente analfabeta dependia de poucos sábios para tratar suas doenças, assim, deviam ser "
pacientes" para entender os conselhos e mudar sua forma de vida, praticamente a única terapia possível na época.
Já a palavra "
consulta" é muito apropriada e deveria ser dada uma ênfase maior no seu significado, na sua compreensão pelos médicos. Consulta vem de "
consultor", ou seja, numa consulta o médico deve explicar detalhadamente a situação do paciente, da sua doença mostrando o que pode vir a acontecer com seu estado de saúde tratando ou não. Deve, ainda, explicar que a intervenção cirúrgica, os exames ou os medicamentos a serem utilizados apresentam benefícios e riscos. Explicado tudo, detalhadamente, o paciente é quem deve decidir a estratégia que aceita seguir.
Entender que o médico é um "
consultor" permite cobrar pela consulta, pois o serviço foi realmente prestado, independente de o paciente seguir ou não os conselhos recebidos. Já cobrar pela doença não apresenta o mesmo princípio. A antiga medicina tradicional chinesa entendia muito bem este conceito, onde os médicos não podiam cobrar do paciente se não conseguissem curar a doença. Na época atual seria mais ou menos como levar um eletrodoméstico ao serviço autorizado. A oficina cobra pelo orçamento, mas é o cliente que decide consertar ou não o aparelho.
Como paciente, olhando do outro lado da mesa, até que aplicar esta prática não seria uma má idéia. Tenho certeza que os pacientes ficariam muito satisfeitos. Confesso que não tive coragem de consultar nenhum médico a respeito disso.
(*) Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22 Rio de Janeiro - Brasil
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09/02/2007
OPINIÓN
¿Lo qué procuran los pacientes?
Carlos Varaldo (*)
¿Muchas veces el individuo con una enfermedad pregunta a sí mismo se existe, por parte del médico, conocimiento de la diferencia sobre el concepto de aquello qué es enfermedad y que es salud? El médico, del otro lado de la mesa, acostumbrado con las señales de la enfermedad como un hecho biológico mira exclusivamente para los indicadores de la enfermedad olvidando el individuo. Es común encontrar pacientes totalmente desapuntados con esta actitud inconsciente de algunos profesionales de la medicina, perjudicando como un todo el concepto de la clase médica.
La respuesta por la cual busca el enfermo y, también, aquélla que el médico busca encontrar, pueden ser tan diferentes que muchas veces se transforma en frustración para ambos. Situación difícil de solucionar ya que por un lado la enfermedad puede ser mucho más de aquello reconocido como tal por la medicina o por el conocimiento del profesional y, por otro, el paciente puede haber procurado el médico por motivos que no son derivados de una enfermedad específica. Parece que durante la consulta los dos lados de la mesa procuran patéticamente algo perdido en algún otro lugar y, probablemente, estén procurando en el lugar errado.
Muchos elementos colaboran para formar un ambiente impropio para una correcta relación entre el médico y el paciente. El paciente puede estar procurando el apoyo no encontrado con otro profesional de la salud, tal vez una explicación que sirva como consuelo en una enfermedad crónica o explicaciones sobre como reparar un error médico, un diagnóstico equivocado, pero la corta duración de la consulta, la baja remuneración de los médicos y, en muchos casos la insatisfacción con la falta de infraestructura en los hospitales hace que la relación durante la consulta sea frustrante. En las enfermedades crónicas el intervalo entre la causa y el aparecimiento de síntomas es prolongado. La relación entre el médico y paciente deberá permanecer por años, pero el tiempo reducido de las consultas no permitirá crear una relación de confianza necesaria para encontrar las respuestas necesarias.
Un mirar humano, una charla con palabras amigas, escuchando el paciente, dedicando más diez minutos, preguntando a él sobre sus problemas y angustias podría tornar más fluida la consulta y establecer vínculos menos superficiales, aumentando la empatía y la confianza en la relación con el médico. Actitudes de este tipo desarmarían el "
impaciente" transformándolo en un verdadero "
paciente", el cual pasará a participar de forma más activa en su tratamiento sin exigir respuestas o soluciones inmediatas, con índices menores de abandonos en el tratamiento de las enfermedades crónicas.
Un nuevo tipo de paciente existe actualmente. Es el paciente "
semi-especializado", aquél que busca informaciones en el internet o frecuenta grupos de apoyo formados por pacientes donde se discuten los últimos avances de la medicina. Un paciente complicado para médicos con poco conocimiento actualizado o para los que no le gusta dar mayores explicaciones. Sumando a esto el aparecimiento de abogados especializados en daño moral o por error médico está aconteciendo una revolución en la relación médico-paciente.
Una relación establecida por siglos, pero que se encuentra en proceso de transformación con resultados altamente positivos para los dos lados. Estamos caminando para un servicio más humanizado y multidisciplinar, donde el médico estará compartiendo los pacientes con otros profesionales, dividiendo responsabilidades, dejando de ser el único conocedor de todo aquello que aflige el paciente. Dejaremos de tener un "
Dios" único, soberano y pasaremos a tener un excelente grupo de "
ángeles" cuidando del paciente.
La palabra "
paciente" es utilizada hace más de 2.600 años, desde Hipócrates. Cuando la población totalmente analfabeta dependía de pocos sabios para tratar sus enfermedades, así, debían ser "
pacientes" para comprender los consejos y transformar su forma de vida, prácticamente la única terapia posible en la época.
Ya la palabra "
consulta" es muy apropiada y debería ser dado un énfasis mayor en su significado, en su comprensión por los médicos. Consulta viene de "
consultor", o sea, en una consulta el médico debe explicar de forma detallada la situación del paciente, de su enfermedad, mostrando lo que puede acontecer con su estado de salud, tratando o no. Debe, aún, explicar que la intervención quirúrgica, las pruebas o los medicamentos a ser utilizados presentan beneficios y riesgos. Explicado todo, detalladamente, el paciente es quien debe decidir la estrategia que acepta seguir.
Entender qué el médico es un "
consultor" permite cobrar por la consulta, pues el servicio fue realmente prestado, independiente del paciente seguir o no los consejos recibidos. Ya cobrar por la enfermedad no presenta el mismo principio. La antigua medicina tradicional china comprendía muy bien este concepto, donde los médicos no podían cobrar del paciente si no lograsen curar la enfermedad. En la época actual sería más o menos como llevar un electrodoméstico al servicio autorizado. El técnico cobra por el presupuesto, pero es el cliente que decide arreglar o no el aparato.
Como paciente, mirando del otro lado de la mesa, hasta que aplicar esta práctica no sería una mala idea. Tengo certeza que los pacientes quedarían muy satisfechos. Confieso que no tuve coraje de consultar ningún médico a respecto de esta práctica.
(*) Carlos Varaldo
Grupo Optimismo