O conteúdo desta página e extraído dos livros "Convivendo com a Hepatite C" e "A Cura da Hepatite C" - Proibida sua reprodução total ou parcial sem autorização expressa do autor, Carlos Varaldo
Aspectos emocionais e Psicológicos Notícias sobre hepatite C Ansiedade e cuidados O portador de hepatite C é por natureza uma pessoa ansiosa em relação a notícias que dizem respeito à doença, devorando rapidamente qualquer tipo de informação e reagindo dos mais diversos modos, indo da euforia à depressão. É necessário certo ceticismo diante de qualquer notícia sobre hepatite C. Tratase de uma doença recentemente descoberta, interpretada erroneamente pela maioria da população, inclusive, pela maioria dos profissionais da saúde, e com o agravante de que muitos se candidatam ao posto de salvador da pátria, comunicando ao mundo a descoberta da cura. Desde que inauguramos o nosso site na Internet (www.hepato.com) (preste atenção: não coloque o .br no final), passamos a fazer parte de uma rede mundial de troca de informações sobre hepatite C, da qual também participam agências de notícias, jornais especializados, universidades, grupos de estudos, grupos de apoio, congressos científicos e fuçadores de Internet. A cada semana recebemos mais de 300 informações e notícias publicadas na Internet, revistas e jornais de todo o mundo, falando de novas pesquisas, medicamentos, tratamentos, depoimentos etc.. Para se ter uma idéia, uma pesquisa na Internet por meio do sistema de buscas Altavista, pela frase exata hepatitis C, revela mais de 60 mil sites, sendo que nossa página é recomendada entre as 20 melhores do mundo. As notícias são as mais díspares e não passa semana sem que alguém anuncie o descobrimento de um novo medicamento ou terapia infalível, ou casos de cura milagrosa, ou ainda, curiosidades, como um frade espanhol que escreveu várias páginas afirmando que a hepatite C não existe, que é uma invenção dos americanos para vender medicamentos, que tudo não passa de um problema dos rins. Logicamente, o frade quer em seguida vender ervas milagrosas para tratar os rins. Nas palestras promovidas nas reuniões do Grupo Otimismo por médicos especialistas convidados, também são apresentados pontos de vista diferentes. Alguns acham a biópsia hepática indispensável antes de iniciar o tratamento e outros, não. Alguns exigem biópsia percutânea e outros, somente se feita por laparoscopia. O teste de carga viral PCR é utilizado como forma permanente de controle por alguns médicos, enquanto outros somente controlam as transaminases. Produtos hepatoprotetores ainda são rejeitados pela maioria dos médicos, porém um número cada vez mais significativo é recomendado como auxiliar no tratamento e no acompanhamento da doença. Algo em torno de 200 milhões de pessoas no mundo estão contaminadas com a hepatite C. Aí está um campo muito fértil para charlatões e embusteiros em geral, abusando da ansiedade e, em certos casos, tentando ganhar dinheiro com o desespero destas pessoas. O tratamento atual é muito caro e quem descobrir novos medicamentos certamente vai ganhar dinheiro em abundância. Por tudo isso, é necessário, em princípio, não acreditar em toda notícia ou informação, procurando se instruir por outros meios para checar a veracidade de cada dado recebido. A maioria das notícias cai no esquecimento em poucas semanas. Milhares de pesquisas estão sendo realizadas no mundo, todas tentando descobrir o medicamento. Isso é muito positivo, pois, com tudo o que está sendo feito, podemos afirmar que no máximo em três ou quatro anos estarão disponíveis medicamentos muito eficazes. Por enquanto, somente o tratamento à base de Interferon, combinado com os mais variados medicamentos, é que dá uma resposta sustentada em quase 45% dos tratados. De todos os outros tratamentos, nenhum consegue comprovar a erradicação do vírus, sendo que em alguns a redução do nível das transaminases já é um beneficio importante. Na falta de resposta aos medicamentos e também na tentativa de recuperar as partes afetadas do fígado, hepatoprotetores podem ser tentados e dietas podem ser benéficas, porém sempre consultando um médico especialista e observando a reação da chamada linha invisível de seu organismo. O médico deve compreender o paciente que procura alguma coisa além do Interferon, não limitando o portador a uma única esperança. Humanisticamente, é muito melhor tratar o doente como um todo e não somente da hepatite em si. Procure um médico com o qual possa travar uma relação de empatia e confiança. Se o diálogo com o seu médico é difícil ou radical, o melhor é procurar outro profissional. Freqüente um grupo de apoio a portadores e troque experiências com outros doentes. Só assim você poderá observar e comparar o que cada um está fazendo para enfrentar a hepatite C. Produtos e ervas hepatoprotetoras devem ser controladas e monitoradas, pois podem ser benéficas para uns e tóxicas para outros. Para evitar a acumulação no fígado, nunca tome um chá ou uma erva por um período superior a três meses. O medicamento auxiliar mais barato continua sendo o pensamento positivo, o ser superior que existe em qualquer religião. Está comprovado que a fé, a oração e o pensamento positivo ajudam, e muito, em qualquer tratamento médico. Pratiqueos e sentirá os resultados. Não espere milagres a curto prazo, porém em pouco tempo a mudança interior que você virá a experimentar trará excelentes resultados, não somente no controle da sua doença, como também, na sua vida em geral. O impacto do diagnóstico da hepatite C na qualidade de vida Realizamos uma pesquisa pela Internet entre os associados do Grupo Otimismo para saber qual foi a reação das pessoas ao serem diagnosticadas como portadoras de Hepatite Crônica. Curiosamente, 92% das 323 respostas indicavam que a palavra crônica resultou muito mais impactante que a palavra Hepatite, pois crônica soava com uma coisa definitiva, permanente. É muito importante a forma como os médicos comunicam o diagnóstico da doença e também como deve ser abordado o portador que não responde ao tratamento. O diagnóstico da hepatite C afeta mais a qualidade de vida do que a própria doença. Geralmente, pacientes conscientes da sua doença têm uma qualidade de vida inferior em relação àqueles que ignoram que estão doentes. Os indivíduos que são informados da sua infecção pela hepatite C passam a ter uma percepção subjetiva da sua saúde física e mental sumamente pobre, o que os leva a uma limitação das suas atividades diárias e a problemas emocionais. Em contraste, aqueles que não ficam sabendo que são portadores de hepatite C não apresentam mudanças na sua atividade física ou mental. Foram realizados estudos em pacientes, exusuários de drogas, com as seguintes especificações: eram demograficamente iguais e com uma história de risco similar, tanto bioquimicamente como virologicamente, com historias similares também no uso de drogas intravenosas, sendo que nenhum paciente tinha se injetado nos últimos 24 meses; estimouse que a média da data de infecção do grupo retroagia a 26 anos e que nenhum dos indivíduos tinha uma história de depressão ou qualquer outra doença atual que pudesse afetar a sua qualidade de vida; todos eles ainda sem sintomas físicos da doença ou alterações nas transaminases - esses indivíduos foram divididos em dois grupos. Num destes grupos, as pessoas foram avisadas que estavam contaminadas pela hepatite C, sendo recomendado, como única advertência, que evitassem o uso de bebidas alcoólicas. O outro grupo não foi informado da sua infecção, objetivandose observar qual seria a reação emocional e psicológica em ambos. A redução na qualidade de vida foi observada naqueles que ficaram sabendo da sua contaminação e tiveram afetadas algumas variáveis que medem a saúde emocional e física, bem como as atividades diárias. Nos pacientes que não foram informados sobre a sua infecção com a hepatite C, não foram observadas mudanças no que tange à saúde emocional ou física, e de forma nenhuma nas suas atividades diárias. O fato de que o grupo que não fora informado da doença não ter tido modificações na sua vitalidade e na saúde em geral sugere que os sintomas normalmente mencionados, como fadiga e cansaço, por pacientes com hepatite C, podem não ser derivados, ao menos exclusivamente, de um processo fisiológico. Porém, devese observar que os pacientes do estudo não tinham alterações nas transaminases e que não foram feitas biópsias para se saber o alcance do dano hepático. Não ficou definido o quanto na redução na qualidade de vida em qualquer dos grupos pode ser atribuída à hepatite C ou quanto pode ser atribuído a perturbações emocionais ou psicológicas, previamente documentadas neste grupo de usuários de drogas injetáveis. O que ficou claro no estudo é que pacientes diagnosticados com a hepatite C mostram uma redução global da sua qualidade de vida quando comparados com indivíduos que ainda não foram diagnosticados. Os resultados do estudo evidenciam que uma possível causa do impacto na qualidade de vida dos pacientes com hepatite C seja a forma como o indivíduo reage a sua nova condição. É plausível supor que os aspectos adversos sejam maiores do que os da própria doença. É muito possível que isto esteja relacionado à falta de informação do paciente em relação à doença e também à forma como ela é comunicada pelo médico. É provável que um diálogo apropriado por parte do médico ajude a reduzir os efeitos negativos do diagnóstico. Alguns médicos, conscientes desta situação e sabendo que é impossível explicar todo o necessário sobre a doença no curto espaço de uma consulta, principalmente no serviço público, encaminham os pacientes para os grupos de apoio, onde poderão se informar sobre os cuidados necessários, as formas de evitar a contaminação de familiares e amigos e principalmente sobre a evolução da doença. O paciente, conhecendo os depoimentos de outros contaminados, descobre que não está só, e ao descobrir que nem todos os contaminados contraem cirrose, mas sim cerca de 25% destes, percebem que, agora que estão sendo tratados e acompanhados, podem muito bem ficar entre os 75% que poderão ter uma vida normal, com pouco ou nenhum dano hepático. Daí, são visíveis os resultados na retomada da qualidade de vida e na eliminação do quadro estressante. Uma situação similar é observada nos depoimentos das reuniões dos grupos de apoio em portadores que não respondem ou não conseguem resultados no tratamento. Quando o médico simplesmente diz que nada mais pode ser feito, este portador entra em quadro depressivo, o qual, aliás, se não for tratado, pode se tornar irreversível. Em função dos depoimentos que freqüentemente recebemos, recomendamos aos médicos o máximo de cuidados ao informar sobre a detecção da hepatite C ou quando o tratamento não consegue resultados satisfatórios. É necessário lembrar que a saúde do paciente não é somente física e que muito tem a ver com a reação emocional. O ideal seria que cada hospital de porte médio ou grande tivesse um grupo de apoio próprio, multidisciplinar, no qual médicos de várias especialidades reuniriam, a cada 60 dias, durante um sábado, pacientes e familiares, explicando a doença e suas conseqüências, informando como lidar com as diversas situações e como se comportar. Deste tipo de reunião devem participar nutricionistas, psicólogos, professores de educação física, enfermeiros, farmacêuticos, enfim, todas as especialidades de alguma forma envolvidas com o paciente de hepatite C. Durante a reunião, portadores e familiares ficariam sabendo como atuar, como manter um regime alimentar correto a fim de alcançar o peso ideal, como elaborar um programa de exercícios e, principalmente, sairiam estimulados a se engajarem plenamente no seu tratamento. Com uma iniciativa como essa, sem dúvida, o hospital obteria um índice de sucesso bastante superior no tratamento. A pesquisa sobre o perfil picologico do portador pode ser vista apertando aqui>> Pesquisa sobre o perfil picologico do portador A pesquisa sobre o impacto do diagnostico pode ser vista apertando aqui>> Pesquisa sobre o impacto do diagnostico Vivendo com hepatite C Saiba que agora você é diferente. Levará muito tempo para se ajustar a suas novas capacidades, se diminuídas, e o ajuste é difícil, em função das expectativas que você tem. Os portadores acham freqüentemente um ponto de equilíbrio com o qual podem conviver. Para combater qualquer doença crônica, uma atitude esperançosa e positiva é essencial. Esteja preparado para uma possível falta de aceitação daqueles de quem você poderia esperar apoio. Pode ser um choque para todos, principalmente se você não puder ir jogar futebol regularmente com os amigos, ou se você depende de ser melhor acomodado em casa ou no trabalho. Há ainda aquelas pessoas que já ouviram falar que é aquela doença que vadios adquirem. Ao passar por tudo isso, o seu sistema emocional pode ficar bastante afetado. Ache novas fontes de apoio. Será importante criar vínculos novos com a família e amigos. Procure ajuda em grupos de apoio, Internet, psicólogos, religião e outros meios que achar necessários. Você precisará darse um tempo para criar uma imagem nova para você, até descobrir que suas limitações físicas não o limitam como pessoa, como alma, não importa o que as outras pessoas estejam dizendo. O desespero, a angústia e a alegria ao descobrir que você está contaminado com a hepatite C Quando uma pessoa descobre que é portador do vírus da hepatite C, geralmente, fica desesperado. Realmente, descobrir que é portador de uma doença grave e crônica não é a notícia que se estava esperando receber. Porém, mantenha a calma. Ser diagnosticado como portador da hepatite C não é uma sentença de morte. Não fique desesperado, pois no fundo você é uma pessoa de sorte. Agora, você já sabe que é portador de um vírus traiçoeiro e silencioso, que ataca o fígado sem causar sintomas. O grande perigo é desconhecer que está contaminado, como a maioria dos mais de quatro milhões de brasileiros portadores da doença. Se você olhar na rua, no seu trabalho, no seu grupo de amigos ou familiares, pode ter certeza de que um em cada trinta destas pessoas está com hepatite C e desgraçadamente não tomará nenhum cuidado nem realizará qualquer tratamento, pois ignora que está doente. Isto não serve como consolo, e também não é algo para deixar ninguém contente. Mas, você teve a graça de ser diagnosticado e poderá tomar as devidas providências e cuidados. Vejamos por que na minha opinião você é um sujeito de sorte... - De cada 100 pessoas contaminadas, 15 eliminam o vírus espontaneamente e 85 desenvolvem a doença crônica, o qual, lamentavelmente, é o seu caso. - De todos estes doentes crônicos, aproximadamente 1 em cada 4 ou 5, isto é de 20 a 25%, irá ter complicações maiores, como uma cirrose, e 5% do total poderá desenvolver câncer no fígado. - Quase todos os portadores são totalmente assintomáticos, isto é, não terão nenhum sintoma durante os primeiro anos. Os primeiros sintomas aparecem em média 13 anos após o contágio. Então, voltando ao seu caso, se você ficou sabendo da sua doença de forma espontânea, geralmente ao doar sangue ou num exame de rotina, fique contente, pois poderá tomar uma série de cuidados e iniciar tratamentos para negativar o vírus ou pelo menos deter ou diminuir o avanço acelerado do dano hepático. O importante neste momento da sua doença é ficar, dentro das estatísticas matemáticas, naqueles 75% que passarão o resto da sua vida sem nenhuma complicação importante no fígado e morrerão de velhice ou de qualquer outra causa, afastandose do grupo dos 25% que terão complicações hepáticas, aqueles que ainda não descobriram que estão contaminados. Parece uma piada de humor negro, porém esta é a mais nua e crua realidade. Mas não basta conhecer matemática para alterar a estatística. Será necessário que você siga rigorosamente determinados passos. - Procure um especialista em hepatite C. Eles ainda são muito poucos, porém isso é extremamente necessário, pois mais de 90% dos médicos desconhecem a doença, o seu diagnóstico e o seu tratamento. Informese nos hospitais universitários ou nas sociedades de hepatologia da sua cidade. - Após o resultado inicial do teste AntiHCV que deu positivo, será necessário fazer a confirmação do mesmo, mediante um teste chamado ELISA, e posteriormente por um teste, lamentavelmente muito caro, chamado PCRRNA do VÍRUS C. - Se a doença for confirmada, o médico vai determinar qual é o melhor tratamento para você. - Procure um grupo de apoio a portadores de hepatite C e compareça às reuniões. No grupo, você e a sua família irão conhecer como conviver com a hepatite C, os cuidados comportamentais que deverá ter, as dietas e exercícios recomendados, os tratamentos alternativos, conhecerão outros portadores, trocarão depoimentos, experiências e, ainda, poderão tirar dúvidas fazendo perguntas aos médicos especializados que dão suporte aos grupos. - Interrompa imediatamente com o consumo de álcool. Não beba socialmente e esqueça para sempre aquele chopinho de fim de semana. O álcool é potencialmente perigoso para a hepatite C. - Continue com sua rotina normal de trabalho e a sua vida social, diminuindo só as atividades muito enérgicas ou estressantes. - Lembre que o doente é você e não a sua família. Ela também está sofrendo com a sua doença e isso é normal, ao se descobrir uma enfermidade crônica. Porém a vida deles continua normal, sem dietas ou restrições. Enfim, seguindo esses conselhos básicos, mantendo um permanente controle médico e conhecendo a sua doença, você ainda terá uma vida plena por muitos e muitos anos. O fígado é um órgão vital, trabalha 24 horas por dia e nunca reclama ou dá sinais de dor. Quando emite algum sintoma, é porque está com algum problema e necessita de auxílio. Cuide de seu fígado para ele poder cuidar de você. Estresse deprime o sistema imunológico O sistema imunológico do corpo humano é um verdadeiro combatente, protegendo as pessoas contra doenças e impedindo que viroses e bactérias assumam o controle e arruínem nossa saúde. Mas um inimigo contra o qual o sistema imunológico nem sempre pode lutar é o estresse. Estudos mostraram que o sistema imunológico trabalha enfraquecido quando está sob o efeito do estresse, tornando o corpo mais vulnerável a resfriados, viroses e outras doenças. O efeito pode ser ainda maior em pacientes cujos sistemas imunológicos já estão comprometidos, como as pessoas infectadas pelo HIV, que são de alto risco para doenças letais. Um outro estudo mostrou que estresses graves ampliam em seis vezes a chance de sobreviventes de câncer de mama terem uma reincidência. Mas por que motivo aquilo em que pensamos e sentimos e o tipo de ambiente a que estamos expostos influencia tanto nossa saúde, alterando o equilíbrio que nosso sistema imunológico mantém no combate a doenças?. Quando as pessoas estão estressadas, pequenas alterações na função imunológica podem realmente ajudar a pender a balança e aumentar as possibilidades de alguém ficar doente. Isso se dá, principalmente, nas pessoas adultas, acima dos 60 ou 70 anos. Mas até para os mais jovens, há boas provas de que ocorrências de resfriados e gripes possam ser intensificadas por situações de vida, relativamente pequenas, mas estressantes. O estresse pode provocar a liberação do hormônio chamado ACTH pela glândula pituitária. Esse hormônio acaba por estimular a glândula suprarenal a liberar outro hormônio, chamado cortisona, o qual adere às células do sistema imunológico que estão lutando contra doenças, dificultando seu trabalho. Mas o estresse pode ter várias origens diferentes. Ficar preso em trânsito engarrafado é de fato frustrante. Mas os psicólogos dizem que os motoristas sabem que, em algum momento, o engarrafamento vai acabar, o que ajuda o sistema imunológico, em certa medida, a se proteger do estresse. Os estresses de longo prazo, como os relacionados a processos de divórcio ou à lembrança de acontecimentos traumáticos, no entanto, podem debilitar muito a capacidade do corpo de enfrentar uma infecção. Manter esses pensamentos ou lembranças vivas na mente permite que o estresse debilite o sistema imunológico de uma pessoa. Cuidado! Não se automedique! Isso pode ser extremamente perigoso. Conselhos de autoajuda Freqüentemente ficamos sabendo que temos hepatite C ao efetuarmos uma doação de sangue ou mediante um exame de rotina. Apesar de não ser uma boa notícia, também não é uma tragédia ou uma sentença de morte. Lembre sempre ... - Não tenha medo Na maioria das pessoas, a infecção não desaparece e teremos de aprender a conviver com ela. - Pense positivamente Muitas pessoas vivem o resto das suas vidas sem desenvolver doenças ou danos hepáticos. - Procure assistência médica Um médico especialista em hepatite C saberá identificar sinais de perigo, prever os problemas e nos manter informados dos novos tratamentos. - Evite contatos com sangue O vírus da hepatite C pode ser transmitido pelo sangue. Cubra imediatamente qualquer ferida e não compartilhe aparelhos de barbear, escovas de dentes, agulhas, aparelhos de manicure e pedicure, ou qualquer outra coisa que possa conter o mínimo de sangue. Tenha cuidados também com o sangue da menstruação. - Proteja seu fígado Seu fígado está danificado pelo vírus da hepatite C e precisa de cuidados especiais. - Não beba álcool Nunca tome álcool. O álcool pode danificar o fígado que está tentando lutar contra a hepatite. - Consulte seu médico antes de usar outros medicamentos Incluindo os de uso comum, de venda livre ou os chamados naturais. - Tenha preocupação com seu parceiro sexual As pesquisas mostram que é quase inexistente o contágio em casais monogâmicos, sendo, porém, freqüentemente maior naqueles com muitos parceiros. Use sempre camisinha. Informe sempre a seu parceiro que você tem o vírus. Autoajuda do portador O portador de hepatite C pode ajudar muito o seu organismo e seu sistema de defesa, ou na diminuição do ritmo do avanço da doença, seguindo algumas regras e conselhos básicos. - Não beba absolutamente nada que possa conter álcool, inclusive a chamada cerveja sem álcool. - Se não tiver imunidade para as hepatites A e B, procure submeterse à aplicação das vacinas para prevenir uma infecção. - Mantenha uma alimentação saudável, leve, equilibrada, com poucas gorduras. Tudo isso contribui para melhorar sua saúde e ajudar o seu fígado. Basta isso para você obter benefícios surpreendentes. - Controle seus sentimentos, tente não alterar seu estado de ânimo. Não fique revoltado por ter sido contaminado. Os outros não são culpados, não merecem seu mau humor. - Sempre que possível, converse com seus familiares, amigos e colegas de trabalho sobre a situação que você esta passando, explicando os efeitos dos medicamentos, solicitando compreensão durante este período difícil da sua vida. Explique o que é a hepatite C e suas formas de contágio. - Não tome nenhum medicamento ou complemento alimentar, inclusive os naturais, sem consultar previamente seu médico. - Pratique exercícios de forma rotineira, de preferência atividades aeróbicas, como caminhadas, ciclismo ou natação. - Diminua, ou preferentemente abandone o cigarro. O seu organismo vai agradecer. - Tenha fé. Freqüente alguma religião ou crença. Se existir algum grupo de apoio na sua cidade, participe das reuniões. A união e o exemplo dão muita força. - Continue com suas atividades normais tanto no trabalho como na vida social. Não rejeite nenhum convite para sair com amigos. O fato de não poder consumir bebidas alcoólicas não o torna um ser diferente. Lembre que quase a metade da população não consume bebidas alcoólicas por opção pessoal. - Fique contente e agradeça a Deus. Você já sabe que foi contaminado com a hepatite C e pode tratála. Milhões de pessoas sequer sabem que estão doentes. Seu parceiro foi diagnosticado com hepatite C ? Coloquese no lugar dele e imagine pelo que ele está passando. Primeiro, a frustração de não poder fazer tudo aquilo que fazia antes da doença, devido à falta de energia e à fadiga. Segundo, o medo de ser portador de uma doença pouco conhecida, para a qual, no momento, não existe a cura efetiva e que tem uma evolução imprevisível. Somese a isso a possibilidade de, algum dia, vir a realizar um transplante. Terceiro, os efeitos colaterais do tratamento com Interferon. Quarto, ter de enfrentar médicos que não conhecem a doença (a grande maioria). Tudo isso leva o portador a ficar irritado e de péssimo humor, e você será o alvo provável sobre quem ele descarregará seus sentimentos. Se você ama seu parceiro, não brigue com ele e compreenda a situação dele. Não pense que você está sendo injustiçado. Mais tarde, quando passar o golpe da descoberta, ele com certeza vai pedir perdão pelo comportamento que teve. Trate de estar junto a seu parceiro todo o tempo que puder, se possível fazendo tudo aquilo que sempre planejaram e nunca realizaram, e demonstre todo o seu amor e afeto neste momento tão difícil da vida de ambos.
Como posso ajudar um amigo ou familiar que está com hepatite C ?
Lembre sempre... 1) Você não pode curar seu amigo ou familiar. 2) Independente de seus esforços, os sintomas podem se tornar piores, ou podem melhorar. 3) Se você tiver muito ressentimento, estará atuando de forma errada. 4) Pode ser duro para você aceitar a doença; imagine então como é para o amigo ou familiar doente. 5) A aceitação da doença por todos do grupo pode ser útil, mas não necessário. 6) Você pode aprender algo sobre você mesmo aprendendo sobre a passagem de um amigo ou familiar pela doença. 7) Separe a pessoa do vírus. Ame a pessoa, até mesmo se você odeia o vírus. 8) Efeitos colaterais de medicamentos devem ser separados do estado de espírito da pessoa. 9) Não é bom para você ser negligente. Você tem necessidade dos outros e também pode precisar de atenção algum dia. 10) Suas chances de contrair hepatite C no contato casual ou sexual com um amigo ou familiar são extremamente baixas, tomandose pequenas precauções para evitar contato com o sangue. 11) A doença de um amigo ou familiar não é nada vergonhosa. Realmente você pode encontrar discriminação de pessoas apreensivas. 12) Ninguém é culpado. 13) Não esqueça de seu senso de humor. 14) Pode ser necessário revisar suas expectativas. 15) Reconheça a coragem notável que seu amigo ou familiar está demonstrando ao lidar com a doença. 16) Seu amigo ou familiar dirige a própria viagem da vida como você dirige a sua. 17) A pior resposta à sobrevivência é freqüentemente a de fechar sua vida emocional. Resista a isso. 18) Inabilidade para falar sobre sentimentos pode deixar você isolado. 19) As relações familiares podem estar em desordem na confusão sobre a doença. Pode ser necessário renegociar as coisas de modo a reestruturar a sua relação, emocional e fisicamente. 20) Reconhecer que uma pessoa limitou as suas capacidades não deve significar que você não espera nada mais dele. 21) Você pode sofrer momentos de aflição sobre o que teve e perdeu, ou ainda sobre o que nunca teve. 22) Depois de negação, tristeza e raiva, vem a aceitação. 23) Doenças são uma parte do livro de vida. 24) É absurdo acreditar que você pode tratar uma doença física como hepatite com conversa, embora conselhos possam ser úteis. 25) Os sintomas podem mudar com o passar do tempo. 26) A desordem pode ser periódica, com tempos de melhoria e deterioração, independente de suas esperanças ou ações. 27) Não assuma a total responsabilidade por seu amigo ou familiar doente. 28) Perdoe os outros por enganos feitos. 29) Médicos possuem diferentes graus de competência. 30) Se você não puder querer a si mesmo, não pode querer o outro. 31) As necessidades da pessoa doente não são sempre as primeiras a serem atendidas. 32) É importante ter limites no jogo, limites claros. 33) Doença crônica afeta a família inteira, não só a pessoa que de fato tem a doença. 34) É natural experimentar um caldeirão de emoções como aflição, culpa, medo, raiva, tristeza, confusão etc. Você, não o amigo ou familiar doente, é responsável por seus próprios sentimentos. 35) Você não está só. Compartilhando seus pensamentos e sentimentos com outros em um grupo de apoio será útil e benéfico para todos. 36) A doença crônica de um amigo ou familiar é um trauma para a família inteira. Você paga um preço se não receber apoio e ajuda. 37) Apóie as pesquisas sobre a hepatite C e a procura para uma cura! Hepatite e preconceito Editorial publicado no Jornal do Brasil, em 26/03/2002, assinado por Carlos Varaldo A atriz Pamela Anderson declarou haver contraído hepatite C ao compartilhar uma agulha de tatuagem com o marido. A declaração é corajosa, pois revelar que alguém está contaminado com o vírus da hepatite C poderia trazerlhe sérias conseqüências profissionais. Também nos Estados Unidos, a cantora de musica country Naomi Judd não somente foi a primeira pessoa famosa a declarar estar contaminada como é uma das principais ativistas na luta contra a doença, que já atinge 4 milhões de norteamericanos. Mas isso acontece nos Estados Unidos, onde o preconceito é menor e a informação é maior. A situação no Brasil, onde existe um número similar de contaminados, é bem diferente. Na minha luta contra a hepatite C tenho documentado depoimentos de pessoas que acabaram se divorciando, de outras que perderam amigos ou o emprego, de casos de médicos e dentistas que expulsaram o paciente. Isso evidentemente não é a regra geral, mas há pessoas que acham possível a transmissão de hepatite num simples aperto de mãos. O maior doente não é o contaminado, e sim aquele que sofre dos males da desinformação. A hepatite C geralmente é uma doença sem sintomas. A maioria dos contaminados ainda nem sabe que está doente. Não fique apavorado, mas se alguma vez você recebeu uma transfusão de sangue, injetouse ou aspirou drogas, sente cansaço permanente, usa tatuagens ou piercings, tem, na sua profissão, contato eventual com sangue (caso de enfermeiras, laboratoristas, médicos e dentistas), é muito conveniente que faça um teste de detecção da hepatite C. Ela se diferencia das conhecidas hepatites A e B principalmente quanto à forma de contágio. O simples contato com sangue contaminado não transmite a hepatite C. É necessária uma ferida aberta ou uma perfuração na pele, para que o contágio possa realizarse. Sexualmente a contaminação é difícil de acontecer. É baixa a contaminação entre parceiros monogâmicos. A hepatite C não é transmitida por beijos, abraços, suor, espirros, tosse, comidas, água, contato casual, amamentação ou pelo ato de compartilhar copos, garfos, facas ou pratos. É necessário tomar cuidados com aparelhos perfurocortantes que tenham contato com sangue, pois o vírus pode permanecer ativo por até três dias num aparelho ou instrumento contaminado. Entre os aparelhos mais comuns, temos os usados por manicuras e pedicuros. No barbeiro, exija o uso de navalha descartável. O homem não transmite a hepatite C a seus filhos. A mãe contaminada tem 5% de chances de ter um filho contaminado. A mãe contaminada pode amamentar, pois o leite materno não transmite a hepatite C. Se o leite materno não a transmite, qualquer outro fluido corporal muito menos. Os que usam drogas sabem que não se compartilham agulhas ou seringas, mas a contaminação com hepatite C pode se dar também ao se compartilhar o canudo para aspirar cocaína. Um número elevado de tatuados está contaminado. Devese evitar tatuagem. Piercings nunca devem ser trocados com amigos, e a operação de perfuração deve ser realizada por um profissional médico.No dentista, devese exigir o uso de luvas descartáveis e verificar se o sugador de saliva é novo. Pergunte se tudo foi esterilizado. Não existe vacina para proteger da hepatite C. A melhor vacina está na informação, na prevenção e nos cuidados gerais. É perfeitamente possível conviver com um portador de hepatite C. A doença não é aquele bicho de sete cabeças que andaram pintando. É uma doença séria, que deve ser detectada a tempo de poder ser tratada, antes de evoluir para um dano hepático irreparável. Tratando a hepatite C Saiba que agora você está diferente. Levará muito tempo para se ajustar a suas novas capacidades, se diminuídas, e o ajuste é difícil, em função das expectativas que você tem. Mas, com bastante freqüência, os portadores têm êxito em encontrar um ponto de equilíbrio com o qual podem conviver. Para combater qualquer doença crônica, e concluir bem seu tratamento, uma atitude esperançosa e positiva é essencial. Esteja preparado para uma possível falta de aceitação daqueles de quem você poderia esperar apoio. Pode ser um choque para todos, principalmente se você não puder ir jogar futebol regularmente com os amigos, ou se começar a depender de ser melhor acomodado em casa ou no trabalho. Há ainda aquelas pessoas que já ouviram falar que esta é aquela doença que vadios e marginais adquirem. Passar por tudo isso pode deixar o seu sistema emocional bastante afetado. De certo modo, servindo como consolo, isto até que é bom, pois você vai descobrir quem realmente é o seu amigo, quem tem verdadeiro amor por você, já que estes sim terão compreensão pelo que você está passando e ficando de seu lado neste momento difícil, até mesmo ajudandoo a superar mais esta etapa. O positivo é que você saberá diferenciar quem é amigo e quem está perto só por interesse, então sua vida passará a ser muito mais feliz, rodeado só de amizades verdadeiras e sinceras, sem fingimentos ou hipocrisias. Ache novas fontes de apoio. Será importante criar vínculos novos com a família e amigos. Procure ajuda em grupos de apoio, Internet, psicólogos, religião e outros meios que achar necessários. Você precisará darse um tempo para criar uma imagem nova para você, até descobrir que suas limitações físicas não o limitam como pessoa, como alma, não importa o que as outras pessoas estejam dizendo. Convivendo com o tratamento Muitas pessoas somente aprendem a apreciar a saúde quando têm de defrontarse com o fato, imprevisto, de que contraíram uma doença e que devem enfrentar um longo tratamento. Este estado novo na sua vida pode lhe trazer ansiedade e depressão, e fica difícil encontrar uma resposta para a pergunta: Por que eu ? Algumas pessoas resolvem isso facilmente, e a Dra. Elisabeth KublerRoss identificou cinco fases de ajuste para se aceitar o fato de contrair uma doença crônica. Os sentimentos que experimentamos, em tal situação, são negação, raiva, depressão, negociação e aceitação. Todas estas etapas são naturais e acontecem de forma espontânea. Não existe nenhum tempo fixo para ultrapassálas. Muitas vezes, fases diferentes se sobrepõem. Perceba que você tem de experimentar o sofrimento que o tratamento pode ocasionar para poder resolvêlo. Não tente esconder a lesão física e emocional. Experimente a dor e então deixe estar. Não tenha nenhum medo de expressar o que você sente. Aprenda a rir, tente ver algum humor em sua situação, e aprenda a desfrutar os prazeres simples de vida. Mantenha as linhas de comunicação abertas. Ajuda muito saber que alguém entende como você está se sentindo e pode ajudar a agüentar a carga. Não negligencie seu ego pessoal. Estando só, você pode ter uma perspectiva pessoal da qual julgamentos tranqüilos, sábios, oportunidades para crescimento pessoal e um otimismo novo sobre a vida podem emergir. Não hesite em buscar conselhos para sua situação especial. Alguns problemas são grandes demais para você resolver por conta própria. Carregue a sua responsabilidade e perceba que você desempenha um papel importante em sua doença. Conselhos de autoajuda durante o tratamento - Não tenha medo, não será um vírus que de tão pequenino nem sequer pode ser visto no microscópio, que vai derrotar você. - Pense positivamente, você vai superar a doença e conseguir a cura. - Um bom médico, especialista em hepatite C, saberá identificar sinais de perigo que possam surgir durante o tratamento, prever antecipadamente os problemas e encontrar uma solução. - Proteja seu fígado e cuide dele. Facilite as tarefas de seu fígado com uma alimentação adequada. - Não beba álcool e evite o cigarro. - Consulte seu médico antes de usar outros medicamentos, incluindo os de uso comum, de venda livre ou os chamados naturais. Encontrando apoio Na maioria das vezes, os familiares e amigos de um doente em tratamento desejam ser úteis e compreensivos, porém onde achar apoio apropriado? Para conseguir informações sobre a doença, procure um grupo de apoio na sua cidade. Produz um profundo alívio encontrar outros que falam o mesmo idioma. David Spiegel, professor da Universidade de Medicina de Stanford, escreveu que as mulheres com câncer de mama avançado que participaram de grupos de apoio terapêutico viveram uma média de 18 meses a mais do que as que só receberam cuidados médicos. Os membros de um grupo de apoio estarão em níveis diferentes da doença, e aqueles que estão melhorando ou já passaram pelos mesmos problemas servem como uma inspiração, como um caminho oferecido aos demais. Na realidade, o Dr. Spiegel acredita que quando as pessoas doentes são ajudadas por outros doentes, sentemse menos desamparadas em face à própria doença, e isso provoca uma reação mais efetiva no tratamento. Lembrese, entretanto, que nem todos os grupos de apoio são iguais. Os grupos ideais são aqueles que animam os participantes a encontrar o tratamento que eliminará a sua doença ou que lhe permitirá alcançar uma sobrevida repleta de satisfações. Muitas pessoas aprenderam lições importantes sobre como tocar a vida, e de fato viver muito bem, freqüentando os grupos dos Alcoólicos Anônimos, nos casos de alcoolismo, ou participando dos programas de crescimento espiritual patrocinados por instituições religiosas ou psicólogos. Se não é possível você freqüentar um grupo de apoio, poderá encontrar ajuda suficiente na Internet. Na última década, o mundo ficou menor para aqueles que devem conviver com uma doença crônica. Sempre haverá um newsgroup, uma lista, um chat, ou um sítio consagrado à nossa doença. Você poderá trocar informações, apoio e também poderá encontrar um amigo para escutar seus problemas. É muito importante manterse anônimo na Internet para não passar a receber, abusivamente e sem requerer, emails e anúncios de produtos, pois isso o fará desistir rapidamente. Desconfie quando alguém diz que o serviço é gratuito e que você somente necessita registrarse. No fundo, há sempre algum interesse comercial, caso contrário a informação estaria disponível sem nenhuma pergunta ou solicitação de registro. Tenha cuidado porque sempre existem pessoas desonestas, sem escrúpulos, as quais podem também dirigir um grupo ou uma associação, querendo conseguir vantagens de qualquer espécie, desde econômicas até de projeção política. Alguns podem usar de denominações pomposas, pois o papel aceita qualquer coisa. Se o grupo usa palavras como Federação, Nacional, Fórum, Consenso ou outras neste estilo ufanista, averigúe se realmente ele tem a representação alardeada. A Internet pode ajudar, perguntando a grupos de outras cidades se o grupo da sua região é sério e representativo. Na Internet você vai encontrar muitas páginas, porém fuja daquelas em que o mais importante é direcionálo para uma conta bancária com o intuito de fazer doações ou pagar uma mensalidade. Não gaste dinheiro com isto, pois você vai passar por um tratamento muito caro, no qual poderá precisar de exames ou medicamentos que não se conseguem gratuitamente. Guarde seu rico dinheiro para eventualidades futuras. Tenha muito cuidado, avaliando toda a informação encontrada de forma criteriosa. Informes ao consumidor aconselham que você desconfie de qualquer um que prometa uma longa lista de tratamentos, ou que fale sobre um novo paradigma ou de medicamentos miraculosos para tratar da doença, ou também de quem, com demasiada freqüência, se queixa do tratamento médico. Finalmente, nunca deixe a ajuda médica. Se algum grupo lhe indicar isso, afastese desse grupo. Seu médico pode recomendar endereços na Internet, ou um grupo de apoio, ou ainda um psicólogo para melhor satisfazer as suas necessidades. Seu familiar está em tratamento ? Então preparese para sofrer as conseqüências, pois é provável que o estado de ânimo dele, suas reações e até a forma de atuar e pensar possam se modificar durante o tratamento. Até poderíamos afirmar que os efeitos colaterais são sentidos com maior intensidade pela família, os parceiros, os amigos e os colegas de trabalho. As reações podem ser diferentes de tudo aquilo que você já conhecia da parte dele. Geralmente, um dos efeitos colaterais é deixar o paciente irritadiço, sem paciência, com o pavio curto, uma pilha de nervos prestes a explodir por qualquer motivo, descarregando sua intolerância em quem estiver por perto. Coloquese no lugar dele e imagine que ele está passando pela frustração de não poder fazer tudo aquilo que fazia antes da doença, devido à falta de energia e à fadiga, pelo medo de ser portador de uma doença pouco conhecida, para a qual, no momento, não existe a cura para todos os tratados e que tem uma evolução imprevisível. Somese a isso a possibilidade de, algum dia, vir a realizar um transplante. Tudo isso leva o portador a ficar irritado e de péssimo humor, e você será o alvo provável sobre quem ele descarregará seus sentimentos. Se você ama seu parceiro, não brigue com ele e compreenda a situação dele. Não pense que você está sendo injustiçado. Mais tarde, quando passar o golpe da descoberta, ele com certeza vai pedir perdão pelo comportamento que teve. Trate de estar junto a seu parceiro todo o tempo que puder, se possível fazendo tudo aquilo que sempre planejaram e nunca realizaram, e demonstre todo o seu amor e afeto neste momento tão difícil da vida de ambos. Assim você vai preservar a amizade, o amor, o convívio, o emprego ou até o casamento. Tenha paciência, pois esta é uma fase passageira. Como posso ajudar um amigo ou familiar que está em tratamento ? Lembre sempre... 1) Você não pode curar seu amigo ou familiar, mas pode ajudar muito na recuperação dele. 2) Independente de seus esforços, os sintomas podem se tornar piores, ou podem melhorar. 3) Se você tiver muito ressentimento, estará atuando de forma errada. 4) Pode ser duro para você aceitar a doença; imagine então como é para o amigo ou familiar doente. 5) A aceitação da doença por todos do grupo pode ser útil, mas não necessário. 6) Você pode aprender algo sobre você mesmo por meio do convívio com um amigo ou familiar que esteja passando pela doença. 7) Separe a pessoa da doença. Ame a pessoa, até mesmo se você odeia o vírus. 8) Os efeitos colaterais do tratamento devem ser separados do estado de espírito da pessoa. 9) Não é bom para você ser negligente. Você tem necessidade dos outros e também pode precisar de atenção algum dia. 10) Suas chances de contrair hepatite C no contato casual ou sexual com um amigo ou familiar são extremamente baixas, tomandose pequenas precauções para evitar contato com o sangue. 11) A doença de um amigo ou familiar não é nada vergonhosa. Realmente você poderá sofrer discriminação de pessoas apreensivas que desconhecem a doença. Explique a eles do que se trata. 12) Ninguém é culpado. 13) Não esqueça de seu senso de humor. 14) Pode ser necessário revisar suas expectativas de vida. 15) Reconheça a coragem notável que seu amigo ou familiar está demonstrando ao lidar com a doença e o tratamento. 16) A pior resposta à sobrevivência é freqüentemente a de fechar sua vida emocional. Resista a isso. 17) As relações familiares podem estar em desordem na confusão sobre a doença. Pode ser necessário renegociar as coisas de modo a reestruturar a sua relação, emocional e fisicamente. 18) Reconhecer que uma pessoa limitou as suas capacidades não deve significar que você não espera nada mais dele. 19) Depois de negação, tristeza e raiva, vem a aceitação. 20) Doenças são uma parte do livro da vida. Saiba compreender. 21) É absurdo acreditar que você pode tratar uma doença física como hepatite com conversa, embora conselhos possam ser úteis e muitas vezes ajudem. 22) Os sintomas e o comportamento podem mudar com o passar do tempo. 23) A desordem pode ser periódica, com tempos de melhoria e deterioração, independente de suas esperanças ou ações. 24) Não assuma a total responsabilidade por seu amigo ou familiar doente. 25) As necessidades da pessoa doente não são sempre as primeiras a serem atendidas. 26) Uma doença crônica afeta a família inteira, não só a pessoa que de fato tem a doença. 27) É natural experimentar um caldeirão de emoções como aflição, culpa, medo, raiva, tristeza, confusão etc. Você, não o amigo ou familiar doente, é responsável por seus próprios sentimentos. 28) Você não está só. Compartilhar seus pensamentos e sentimentos com outros, freqüentando um grupo de apoio, será útil e benéfico para todos. Depressão Muitos que contraem uma doença ou se encontram em tratamento, principalmente aquelas ainda não totalmente conhecidas pela totalidade da comunidade médica, foram tratados inicialmente como sofrendo de histeria, depressão etc. Antes da identificação da hepatite C, em 1989, muitos dos sintomas foram associados à depressão, e muitos médicos ainda hoje acreditam que a hepatite C normalmente é assintomática e que tudo não passa de invenção do paciente. Outra ocorrência importante são aqueles pacientes que podem adquirir depressão secundária se suas vidas foram alteradas, ou porque a doença interferiu com o trabalho ou com a vida social e familiar. Esta conseqüência indireta da doença pode ser erroneamente considerada por alguns profissionais médicos como indicação de uma causa em lugar de um efeito dos sintomas observados. No tratamento da hepatite C os estudos mostram que, durante o tratamento, 65% não apresentam nenhum sintoma de depressão, 18% sofrem leves sintomas, 9% apresentam depressão moderada e 7% depressão severa. Em relação a pensamentos suicidas, 9% dos pacientes declaram ter pensado nisto, porém sem intenção de realizar o ato; 2% informam que teriam gostado de se matar e 1% teria se matado se tivesse tido a oportunidade, sendo que 88% não pensaram absolutamente em suicídio. Os médicos devem dar muitíssima atenção aos sinais de depressão, solicitando assistência psicológica para o paciente caso achem necessário. O tratamento com Interferon aumenta as chances de depressão em pacientes propensos a estados depressivos. Ser positivo, o melhor medicamento Uma equipe de pesquisadores exibiu a um grupo de pessoas uma fita de vídeo de 15 minutos sobre a madre Teresa de Calcutá trabalhando com pacientes leprosos. A um outro grupo foi mostrada uma fita sobre os horrores dos campos de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Ao final da exibição, todos fizeram um exame para medir o nível de imunoglobulina A, um anticorpo que protege o organismo contra os vírus que atacam o sistema respiratório e que se encontram na mucosa intestinal e na saliva. Observouse que, alguns participantes conseguiram manter altos os anticorpos por uma hora, e outros por até seis horas. Os resultados nas pessoas que assistiram ao vídeo da madre Teresa mostraram também que o nível dos anticorpos, de modo geral, se elevou e se manteve alto por seis horas. No grupo que assistiu ao filme da guerra, a imunoglobulina A diminuiu, deixando todos mais propensos a contrair uma gripe ou resfriado. Para averiguar o porquê destas diferenças, foi mostrado a todos uma fotografia de um casal olhando o horizonte. Alguns interpretaram se tratar de um casal de namorados e outros enxergaram um casal após uma briga. Os que pensaram de forma positiva, enxergando o amor do casal, foram aqueles que mantiveram o anticorpo alto por seis horas. Já aqueles que interpretaram a fotografia de modo negativo ou cínico pertenciam ao grupo que somente tinha conseguido manter o nível de anticorpos alto por 1 hora.. A conclusão dos pesquisadores é que a empatia e a compaixão que experimentaram as pessoas que assistiram a madre Teresa produziram sentimentos de bemestar físico, e que a saúde pode ser beneficiada por uma atitude positiva frente ao mundo. É muito importante manter uma atitude positiva, sem ansiedade ou temor, quando estamos contaminados por um vírus, já que a cada dia fica mais provado cientificamente que o sistema imunológico é controlado por nossas atitudes e pensamentos. Tentar viver em harmonia, feliz, vivenciando atitudes alegres pode ajudar. Lembre que já está comprovado que o riso, ou uma simples gargalhada, poderá ser considerado um efetivo medicamento para elevar o nível de serotonina no organismo, para ativar o sistema imunológico; então, use e abuse da alegria. Deixe a tristeza de lado, entre assistir um filme de guerra ou a uma divertida comédia, prefira esta última que, com certeza, vai fazer muito melhor a sua alma e ao seu corpo.
O tratamento causa estresse ? Qualquer tratamento demorado causa ansiedade e stress. Fale com seus familiares e amigos sobre o problema que está enfrentando. As pessoas não podem ler a sua mente. O apoio da família e dos amigos torna a luta mais fácil. Procure grupos de apoio a portadores de hepatite. Em sua cidade, deve existir algum. Caso contrário, tente formar um grupo com outros portadores. Conversar com alguém que está passando pelo mesmo problema pode ajudar muito a ambos. Procure, se necessário, apoio psicológico ou espiritual. Procure a sua igreja ou ingresse em uma. Está provado cientificamente que orar ou meditar é altamente relaxante e reconfortante, e que ativa as defesas do organismo. Procure qualquer tipo de religião, mas procure sempre aquela que dê paz e conforto espiritual para você. Leia livros de autoajuda para absorver atitudes e pensamento positivos. Conhecendo o estresse O sistema imunológico do corpo humano é um verdadeiro combatente protegendo as pessoas contra doenças e impedindo que viroses e bactérias assumam o controle e arruínem nossa saúde. Mas um inimigo contra o qual o sistema imunológico nem sempre pode lutar de forma eficiente é o estresse. Estudos mostraram que o sistema imunológico trabalha enfraquecido quando está sob o efeito do estresse, tornando o corpo mais vulnerável a resfriados, viroses e outras doenças, e ainda respondendo menos ao efeito dos medicamentos. O efeito pode ser ainda maior em pacientes cujos sistemas imunológicos já estejam comprometidos, como as pessoas infectadas com o HIV, o vírus da Aids, que são de alto risco. Outro estudo mostrou que situações graves de estresse ampliam em seis vezes a chance de sobreviventes de câncer de mama terem uma reincidência. O que pensamos e sentimos e o tipo de ambiente a que estamos expostos influencia na nossa saúde e na reação do organismo frente a doenças e na resposta aos efeitos dos medicamentos. Especialmente em pessoas adultas, o estresse parece exercer um papel mais importante, mas, até para os mais jovens, há boas provas de que ocorrências de resfriados e gripes podem ser intensificadas por relativamente pequenas situações estressantes da vida. Quando as pessoas estão estressadas, pequenas alterações na função imunológica podem realmente diminuir as possibilidades de cura. O estresse pode provocar a liberação do hormônio chamado ACTH pela glândula pituitária. Esse hormônio acaba por estimular a glândula suprarenal a liberar outro hormônio, chamado cortisona, que adere às células do sistema imunológico que estão lutando contra doenças, dificultando seu trabalho. Mas o estresse pode ter várias origens diferentes. Ficar preso em trânsito engarrafado é de fato frustrante. Mas os psicólogos dizem que os motoristas sabem que, em algum momento, o engarrafamento vai acabar, o que ajuda o sistema imunológico, em certa medida, a se proteger do estresse. Sabendo que a situação é passageira, superável, que tem um fim previsto, de no máximo 48 semanas de tratamento, a situação estressante será infinitamente menor. Os estresses de longo prazo, como os relacionados a processos de divórcio ou à lembrança de acontecimentos traumáticos, no entanto, podem debilitar muito a capacidade do corpo de enfrentar uma infecção. Manter esses pensamentos ou lembranças vivas na mente permite que o estresse debilite o sistema imunológico de uma pessoa. Até poucos anos, eram raros os cientistas que acreditavam que o estado mental poderia influir numa doença e na recuperação do paciente. A relação entre mente e corpo era considerada um território exclusivo da psiquiatria. Atualmente, os pesquisadores demonstraram que o estresse psicológico aumenta a possibilidade de ficar doente, descobrindo que o nocivo não é o estresse em si, e sim a falta de capacidade para resolver os problemas associados que resultam da pressão pelas demandas exteriores e da complexidade para lidar com elas. Influem sobre esta capacidade diferentes situações, desde a herança genética, as experiências da infância, a dieta alimentar, o exercício físico, relacionamentos pessoais e até o modo como conseguimos dormir, a presença ou ausência de relações de amizade sinceras e íntimas, o nível social e financeiro, além do acúmulo situações estressantes que venham a sobrecarregar o indivíduo. Se você tem se sentido estressado, tente relaxar e esquecer os problemas, faça uma caminhada, respire fundo e pausadamente, procure um amigo para uma conversa descontraída, vá ao shopping ou ao cinema, leia um livro ou uma revista. Porém, se sentir necessidade, não hesite em falar com o seu médico ou procurar ajuda especializada. Hepatite e preconceito
Carlos Varaldo - Artigo publicado pelo Jornal do Brasil em 26/03/2002 A atriz Pámela Anderson declarou haver contraído hepatite C ao compartilhar uma agulha de tatuagem com o marido. A declaração é corajosa, pois revelar que alguém está contaminado com o vírus da hepatite C poderia trazerlhe sérias conseqüências profissionais. Também nos Estados Unidos, a cantora de musica country Naomi Judd não somente foi a primeira pessoa famosa a declarar estar contaminada como é uma das principais ativistas na luta contra a doença, que já atinge 4 milhões de norteamericanos. Mas isso acontece nos Estados Unidos, onde o preconceito é menor e a informação é maior. A situação no Brasil, onde existe um número similar de contaminados, é bem diferente. Na minha luta contra a hepatite C tenho documentado depoimentos de pessoas que acabaram se divorciando, de outras que perderam amigos ou o emprego, de casos de médicos e dentistas que expulsaram o paciente. Isso evidentemente não é a regra geral, mas há pessoas que acham possível a transmissão de hepatite num simples aperto de mãos. O maior doente não é o contaminado, e sim aquele que sofre dos males da desinformação. A hepatite C, geralmente, é uma doença sem sintomas. A maioria dos contaminados ainda nem sabe que está doente. Não fique apavorado, mas se alguma vez você recebeu uma transfusão de sangue, injetouse ou aspirou drogas, sente cansaço permanente, usa tatuagens ou piercings, tem, na sua profissão, contato eventual com sangue (caso de enfermeiras, laboratoristas, médicos e dentistas), é muito conveniente que faça um teste de detecção da hepatite C. Ela se diferencia das conhecidas hepatites A e B principalmente quanto à forma de contágio. O simples contato com sangue contaminado não transmite a hepatite C. É necessária uma ferida aberta ou uma perfuração na pele, para que o contágio possa realizarse. Sexualmente a contaminação é difícil de acontecer. É baixa a contaminação entre parceiros monogâmicos. A hepatite C não é transmitida por beijos, abraços, suor, espirros, tosse, comidas, água, contato casual, amamentação ou pelo ato de compartilhar copos, garfos, facas ou pratos. É necessário tomar cuidados com aparelhos perfurocortantes que tenham contato com sangue, pois o vírus pode permanecer ativo por até três dias num aparelho ou instrumento contaminado. Entre os aparelhos mais comuns, temos os usados por manicuras e pedicuros. No barbeiro, exija o uso de navalha descartável. O homem não transmite a hepatite C a seus filhos. A mãe contaminada tem 5% de chances de ter um filho contaminado. A mãe contaminada pode amamentar, pois o leite materno não transmite a hepatite C. Se o leite materno não a transmite, qualquer outro fluido corporal muito menos. Os que usam drogas sabem que não se compartilham agulhas ou seringas, mas a contaminação com hepatite C pode se dar também ao se compartilhar o canudo para aspirar cocaína. Um número elevado de tatuados está contaminado. Devese evitar tatuagem. Piercings nunca devem ser trocados com amigos, e a operação de perfuração deve ser realizada por um profissional médico.No dentista, devese exigir o uso de luvas descartáveis e verificar se o sugador de saliva é novo. Pergunte se tudo foi esterilizado. Não existe vacina para proteger da hepatite C. A melhor vacina está na informação, na prevenção e nos cuidados gerais. É perfeitamente possível conviver com um portador de hepatite C. A doença não é aquele bicho de sete cabeças que andaram pintando. É uma doença séria, que deve ser detectada a tempo de poder ser tratada, antes de evoluir para um dano hepático irreparável. |
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