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09/06/2008


A revista "Isto É" publica entrevista com um psiquiatra americano o qual conta como a experiência de ficar doente muda a forma de atender os pacientes por parte dos profissionais de saúde.

Em muitas oportunidades escrevi que antes de receitar o interferon no tratamento da hepatite C os médicos deveriam experimentar se auto-aplicar um para assim poder entender como serão as próximas 48 semanas do paciente, podendo dessa forma oferecer um melhor atendimento.

Sem comentários, segue na integra a entrevista e sugiro que todos os médicos deveriam ler o livro "Quando os médicos se tornam pacientes" do Dr. Robert Klitzman assim que for lançado.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo






Quando os médicos adoecem


Por CILENE PEREIRA
Revista "Isto É"
11 de junho de 2008 - ENTREVISTA


Nada como viver o outro lado de uma mesma situação para enxergá- la de maneira diferente. Quando se trata de um médico que experimenta a circunstância de ser, ele próprio, o doente, o impacto pode ser profundo. A experiência deixa lições marcantes e resulta na maioria das vezes em uma mudança drástica na maneira de praticar a medicina. Algo como antes e depois de ser doente por um dia. Esta foi a constatação do psiquiatra americano Robert Klitzman, professor associado de clínica psiquiátrica da Universidade de Colúmbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A conclusão foi obtida a partir de duas fontes. A primeira, ele mesmo. Dias após o ataque de 11 de setembro, em 2001, Klitzman caiu deprimido.

Além da tragédia em si, o atentado atingiu diretamente sua família, já que sua irmã estava entre as vítimas. Mesmo com todos os sintomas da doença que conhece tão bem, o médico relutou em aceitar o diagnóstico. Aos que mencionavam a possibilidade de o psiquiatra estar com depressão, ele respondia que na verdade estava apenas gripado. Havia dois problemas aí. Klitzman se sentia envergonhado e fraco, exatamente os sentimentos que tanto lutara para tirar de seus pacientes. O psiquiatra também manifestava a típica característica da categoria de se sentir imune às enfermidades. "Acho que os médicos pensam que vestem mágicos casacos brancos. Doenças acontecem para todos os outros, menos para eles", diz.

A experiência pessoal o despertou para a reflexão. Klitzman queria entender mais sobre as sensações, os medos e as descobertas dos médicos quando eles mesmos eram os doentes. Para isso, o psiquiatra entrevistou 50 colegas que haviam passado por essa vivência. O resultado da investigação está descrito no livro "Quando os médicos se tornam pacientes", lançado nos Estados Unidos. A obra é a primeira sobre o tema e traz achados surpreendentes. Os médicos relataram, por exemplo, que só depois de ficarem internados é que perceberam como um ambiente avariado, com janelas ou aparelhos de tevê quebrados, interfere no estado de ânimo do enfermo. Eles também confessaram ter sentido na pele o que é sofrer com os sintomas considerados menores pelos profissionais de saúde - entre eles a dor, a náusea e a insônia - e não receber a atenção necessária. E todos, sem exceção, admitiram que mudaram a forma de tratar seus doentes após deixar o hospital. "Eles passaram a ver os doentes e a si mesmos de maneira radicalmente diferente. Tornaram- se muito mais sensíveis às queixas e às necessidades das pessoas a quem atendem", disse o psiquiatra nesta entrevista à ISTOÉ.


ISTOÉ - O que o levou a escrever o livro?

Robert Klitzman - Decidi escrevêlo em grande parte por causa de minha experiência. Infelizmente, tive uma irmã que morreu no ataque de 11 de setembro de 2001. Por várias semanas, senti toda a tristeza do luto, mas também não conseguia me levantar da cama. Meus músculos e meu corpo inteiro doíam. Só me sentia confortável debaixo dos lençóis frescos da minha cama. Eu pensava que estava gripado, mas amigos me diziam que os meus sintomas levavam a crer que era depressão. Eu respondia: "Não, estou apenas gripado." No final, eles estavam certos. Eu tinha todo o treinamento de um psiquiatra, mas não havia reconhecido que os sinais indicavam a doença. Fiquei surpreso por ter falhado no meu próprio diagnóstico. Comecei a me perguntar o que acontecia com outros médicos que, como eu, ficavam doentes. Como eles encaravam essa nova condição.

ISTOÉ - Por que o sr. resistiu à idéia de que estava com depressão?

Klitzman - Hoje, olhando em retrospecto, entendo que resisti em reconhecer meus sintomas por causa da sensação de vergonha. Via muitas vezes outros médicos se referindo aos pacientes como "um deles", não como "um de nós", e quase sempre olhando-os de cima para baixo. Não queria que isso acontecesse comigo. Além disso, eu realmente me sentia um fraco. Era como se algo estivesse errado comigo.

ISTOÉ - Como o sr. produziu o livro?

Klitzman - Eu verifiquei a literatura científica e descobri que existem poucos casos relatados de médicos que ficam doentes e registram sua experiência. Duas compilações feitas por esses poucos profissionais tinham sido publicadas, mas apenas apresentando um caso atrás do outro, sem analisar as histórias, suas similaridades e diferenças ou discorrer sobre áreas que alguns médicos preferem não discutir. Então, resolvi escrever o livro, o primeiro sobre esse tema, baseado no que vivi e nos depoimentos dos 50 colegas que entrevistei.

ISTOÉ - Quais foram suas principais constatações?

Klitzman - Muito do que os médicos me disseram me surpreendeu. Por exemplo, o fato de eles terem ficado doentes os fez voltarem-se mais para as questões espirituais. Antes, boa parte costumava não dar importância a pedidos de pacientes como "o senhor rezaria por mim?". Mas, como doentes, perceberam quanto essa questão era importante. Por isso, muitos quiseram se tornar mais espiritualizados porque viram que isso poderia ajudar seus pacientes de alguma maneira. O problema é que vários eram muito "cientistas" e acabaram tendo problemas de acreditar de fato em alguma coisa. Curiosamente, estes médicos diversas vezes disseram que se sentiam deprimidos, o que, na opinião deles, era resultado da falta de espiritualidade ou levava a ela.

ISTOÉ - O que mais o surpreendeu?

Klitzman - Depois de ficarem internados, os médicos passaram a perceber quantos detalhes ignoravam, mas que são importantes para os pacientes na medida em que carregam um grande peso simbólico: constataram que não é nada bom ficar deitado em um quarto de hospital com janelas quebradas, sem flores, com tevês e aparelhos de som quebrados, sentados ou deitados vestindo apenas uma camisola aberta nas costas, por exemplo. Estes detalhes concretos fizeram os especialistas notarem pela primeira vez a força dessas indignidades.

ISTOÉ - Que outras lições eles tiraram?

Klitzman - Eles notaram, quando deitados na cama como doentes, que o fato de seus médicos se sentarem na beira do leito, em vez de ficar em pé, ao lado da cama, faz uma grande diferença. Esta postura demonstra mais proximidade, acolhimento. Deixa o doente mais à vontade e seguro em relação a quem o está tratando. Por isso, quando voltaram ao trabalho, eles mudaram sua maneira de se aproximar dos pacientes. Começaram a se sentar próximo em vez de ficarem distantes, em pé.

ISTOÉ - Há outro exemplo?

Klitzman - Sim. Um cirurgião me disse que, quando ele foi submetido a uma operação, ouviu de seu médico, na noite anterior ao procedimento, algo como "existem 5% de chance de você morrer amanhã na sala de operação". Este médico me contou que não conseguiu dormir naquela noite. Somente depois ele concluiu que seu cirurgião poderia ter mudado a forma de dizer o que falou. Poderia ter dito, por exemplo, "existem 95% de chance de que você continue vivendo depois de amanhã". Este indivíduo me disse que praticava a medicina havia 30 anos e nunca percebera que essas duas afirmações, que estatisticamente são as mesmas, tinham significado emocional tão diferente para os pacientes. Como conseqüência, ele agora alterou sua maneira de informar os pacientes sobre suas chances de vida e tem orientado seus residentes a fazer o mesmo.

ISTOÉ - E quanto ao tratamento recebido dos enfermeiros?

Klitzman - Vários médicos disseram que, quando eles deixaram as enfermarias onde estavam internados, as enfermeiras disseram: "Você foi um bom paciente. Não nos incomodou em nenhum momento." Eles ficaram perplexos com este tipo de comentário. Então a definição de "bom paciente" era a que fazia menção ao doente que não incomodava seus cuidadores.

ISTOÉ - Como ter ficado doente pode ajudar um médico a ser um profissional melhor?

Klitzman - De muitas maneiras. A experiência ajuda, por exemplo, a enxergar os erros de comunicação com o doente e a tentar melhorar essa aproximação. Os médicos que entrevistei disseram que a comunicação com seus especialistas era muito pobre. Agora, eles oferecem sugestões sobre como os doentes podem obter explicações precisas e compreensíveis sobre termos técnicos ou vagos demais. Eles conseguem interagir melhor com os pacientes.

ISTOÉ - Como isso passou a ocorrer na prática?

Klitzman - Alguns médicos ouviram de seus próprios especialistas coisas como "bem, seu câncer não deve reaparecer tão cedo" ou "muito rápido". Mas o que é "tão cedo" ou "muito rápido"? Essas expressões significam semanas, meses ou anos? Ao passarem por essa situação, viram que devem dizer claramente o que são esses termos "rápido", "devagar" ou "momentaneamente". E admitiram que os pacientes podem e devem exigir de seus médicos definições mais precisas de expressões ambíguas. Além disso, eles sempre desprezavam parte das reclamações dos pacientes. Apenas quando se tornaram doentes é que começaram a levar muitas queixas mais a sério, percebendo como o cansaço freqüente, a insônia ou a náusea, sintomas considerados menores, poderiam ser muito mais incômodos e estressantes do que eles podiam imaginar. Antes, quando o doente se queixava, pensavam: "É outro paciente que gosta de reclamar."

ISTOÉ - Há algum caso específico que ilustre essa questão?

Klitzman - A história de uma gastroenterologista que entrevistei é exemplar. Ela tratava dores abdominais e, de repente, começou a manifestar também o problema. Sabe o que esta médica me confessou? "Não tinha idéia de que, quando os pacientes falavam de dor, era aquilo terrível que eu estava sentindo. O sofrimento ia muito além do que podia ser descrito pelas palavras e eu mesma tive dificuldade em transmitir o que estava havendo comigo." Este relato, assim como o de muitos outros que admitiram jamais terem imaginado a intensidade e os danos que causavam sintomas como dor e náusea, mostra quanto a maioria dos médicos ignora o padecimento dos doentes.

ISTOÉ - No livro, o sr. afirma que os médicos são ensinados a se colocar acima das doenças e dos doentes. Por que afirma isso?

Klitzman - Os estudantes de medicina implicitamente aprendem a ajustar- se à hierarquia médica, da qual obviamente fazem parte. Eles sempre vêem um médico experiente acima deles e os pacientes na última escala do ranking. Na pesquisa que fiz para o livro, médicos disseram, por exemplo: "Quando eu era apenas um paciente..." A frase revela como consideram o indivíduo que estão tratando. A educação médica tem de levar essas questões a sério e modificar esse entendimento.

ISTOÉ - O sr. também diz que os pacientes tendem a sentir medo dos médicos e assumir perante eles uma posição de reverência.

Klitzman - Realmente. Fiquei surpreso de ver que até mesmo os médicos com quem conversei tentaram ser "agradáveis" aos seus especialistas, queriam ser cooperativos e não dar más notícias a eles. Eles próprios ficaram surpresos de notar como "editavam" o que falavam para os profissionais de saúde. Descobriram que quando o médico lhes perguntava "como você está?", eles respondiam "ok", mesmo quando não se sentiam bem. Viram ainda que, quando falavam de seus problemas, suas dores, os médicos tendiam a ficar impacientes e de cara feia. No final, eles começaram a notar que seus próprios pacientes "editavam" o que sentiam.

ISTOÉ - Isso é um problema grave?

Klitzman - Os doentes apresentam a tendência de ser cautelosos e reverenciar os médicos, o que os impede de ter uma comunicação correta dos sintomas.

ISTOÉ - Como os médicos reagiram ao seu livro?

Klitzman - Para minha surpresa, meus colegas responderam de forma muito positiva. Acho que o livro despertou algo dentro deles: o lado humano que vive debaixo de seus aventais brancos. O livro conta histórias bem humanas - a minha e as outras - e penso que os leitores, incluindo os médicos, reconhecem isso. Eles conseguem se ver naquelas situações, o que, espero, os faça refletir mais sobre suas atitudes para com os doentes.





GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22
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09/06/2008


La revista "Isto É (Esto Es)" publica entrevista con un psiquiatra americano el cual cuenta como la experiencia de se enfermar muda la forma de atender los pacientes por parte de los profesionales de la salud.

En muchas oportunidades escribí que antes de recetar el interferón en el tratamiento de la hepatitis C los médicos deberían experimentar se auto-aplicar uno para así poder entender cómo serán las próximas 48 semanas del paciente, pudiendo ofrecer una mejor atención durante el tratamiento.

Sin comentarios, sigue en la integra la entrevista y sugiero que todos los médicos deberían leer el libro "Cuando los médicos se vuelven pacientes" del Dr. Robert Klitzman al ser editado en sus países.

Carlos Varaldo
Grupo Optimismo






Cuando los médicos enferman


Por CILENE PEREIRA Traducción de Carlos Varaldo
Revista Semanal "Isto É" (Brasil)
Del 11 de junio de 2008 - ENTREVISTA



Nada como vivir el otro lado de una misma situación para poder verla de manera diferente. Cuando se trata de un médico que experimenta la circunstancia de ser, él propio, el enfermo, el impacto puede ser profundo. La experiencia deja lecciones marcantes y resulta la mayoría de las veces en un cambio drástico en la manera de practicar la medicina. Algo como antes y después de ser enfermo por un día. Ésta fue la constatación del psiquiatra americano Robert Klitzman, profesor asociado de clínica psiquiátrica de la Universidad de Colúmbia, en Nueva York, en Estados Unidos. La conclusión fue obtenida desde dos fuentes. La primera, él mismo. Días después el ataque de 11 de septiembre, en 2001, Klitzman cayó deprimido.

Además de la tragedia en sí, el atentado alcanzó directamente su familia, ya que su hermana estaba entre las víctimas. Mismo con todos los síntomas de la enfermedad que conoce tan bien, el médico resistió en aceptar el diagnóstico. A los que mencionaban la posibilidad del psiquiatra estar con depresión, respondía que en verdad estaba apenas con gripe. Había dos problemas ahí. Klitzman se sentía avergonzado y flaco, exactamente los sentimientos que tanto luchara para tirar de sus pacientes. El psiquiatra también manifestaba la típica característica de la categoría de sentirse inmune a las enfermedades. "Creo que los médicos piensan que visten mágicos chalecos blancos. Enfermedades acontecen para todos los otros, menos para ellos", dice.

La experiencia personal lo despertó para la reflexión. Klitzman quería entender más sobre las sensaciones, los miedos y los hallazgos de los médicos cuando ellos mismos eran los enfermos. Para eso, el psiquiatra entrevistó 50 colegas que habían pasado por esa experiencia. El resultado de la investigación está descrito en el libro "Cuando los médicos se vuelven pacientes", lanzado en Estados Unidos. La obra es la primera sobre el tema y trae hallazgos sorprendentes. Los médicos relataron, por ejemplo, que solo después de que quedan internados es que percibieron cómo un ambiente feo, mal cuidado, con ventanas o aparatos de televisión sin funcionar, interfiere en el estado de ánimo del enfermo. Ellos también confesaron haber sentido en la piel lo que es sufrir con los síntomas considerados menores por los profesionales de salud - entre ellos el dolor, la náusea y el insomnio - y no recibir la atención necesaria. Y todos, sin excepción, admitieron que mudaron la forma de tratar sus enfermos después de dejar el hospital. "Pasaron a ver los enfermos y a sí mismos de manera radicalmente diferente. Pasaron a ser mucho más sensibles a las quejas y a las necesidades de las personas a quien atiendan", dijo el psiquiatra en esta entrevista a la ISTO É.



ISTO É - ¿Qué lo llevó a escribir el libro?

Robert Klitzman - Decidí escribir en gran parte a causa de mi experiencia. Lamentablemente, tuve una hermana que murió en el ataque de 11 de septiembre de 2001. Por varias semanas, sentí toda la tristeza del luto, pero también no conseguía me levantar de la cama. Mis músculos y mi cuerpo entero dolían. Solo me sentía confortable debajo de las sábanas de mi cama. Pensaba que estaba con gripe, pero amigos me decían que mis síntomas llevaban a creer que era depresión. Yo respondía: "No, estoy apenas con gripe." Ellos, estaban ciertos. Tenía todo el entrenamiento de un psiquiatra, pero no había reconocido que las señales indicaban la enfermedad. Me quedé sorprendido por haber fallado en mi propio diagnóstico. Empecé a preguntarme qué pasaba a otros médicos que, como yo, quedaban enfermos. Como ellos encaraban esa nueva condición.

ISTO É - ¿Por qué el sr. resistió a la idea del que estaba con depresión?

Klitzman - Hoy, mirando en reprospecto, entiendo qué resistí en reconocer mis síntomas a causa de la sensación de vergüenza. Veía muchas veces otros médicos se refiriendo a los pacientes como "de ellos", no como "uno de nosotros", y casi siempre mirándolos de arriba para abajo. No quería que eso pasase conmigo. Además, yo realmente me sentía un flaco. Era como si algo estuviese equivocado conmigo.

ISTO É - ¿Cómo el sr. produjo el libro?

Klitzman - Verifiqué la literatura científica y descubrí que existen pocos casos relatados de médicos que al caer enfermos registran su experiencia. Dos compilaciones hechas por esos pocos profesionales habían sido publicadas, pero apenas presentando un caso atrás del otro, sin analizar las historias, sus similitudes y diferencias o discurrir sobre áreas que algunos médicos prefieren no discutir. Entonces, resolví escribir el libro, el primero sobre ese tema, basado en lo que viví y en las declaraciones de los 50 colegas que entrevisté.

ISTO É - ¿Cuáles fueron sus principales constataciones?

Klitzman - Mucho que los médicos me dijeron me sorprendió. Por ejemplo, el hecho de ellos haber quedado enfermos les hizo se inclinar más para las cuestiones espirituales. ¿Antes, buena parte solía no dar importancia a peticiones de pacientes cómo "el señor rezaría por mí?". Pero, como enfermos, percibieron cuánto esa cuestión era importante. Por eso, muchos quisieron se volver más espiritualizados porque vieron que eso podría ayudar sus pacientes de alguna manera. El problema es que varios eran muy "científicos" y acabaron teniendo problemas de creer de hecho en un algo. Curiosamente, estos médicos diversas veces dijeron que se sentían deprimidos, qué, en la opinión de ellos, era resultado de la falta de espiritualidad o llevaba a ella.

ISTO É - ¿Qué más lo sorprendió?

Klitzman - Después de estar internados, los médicos pasaron a percibir cuántos detalles ignoraban, pero que son importantes para los pacientes en la medida en la que cargan un gran peso simbólico: constataron que no es nada bueno estar acostado en un cuarto de hospital con ventanas rotas, sin flores, con televisiones y radios sin funcionar, sentados o acostados vistiendo apenas un camisón abierto en la espalda, por ejemplo. Estos detalles concretos hicieron los especialistas sentir por la primera vez la fuerza de esas indignidades.

ISTO É - ¿Qué otras lecciones ellos tiraron?

Klitzman - Ellos notaron, cuando acostados en la cama como enfermos, que algunos de los médicos se sientan en la orilla del lecho, en vez de quedarse en pie, al lado de la cama, y esto hace una gran diferencia. Esta postura demuestra más proximidad con el enfermo. Deja el enfermo más a gusto y seguro con relación a quien lo está tratando. Por eso, cuando volvieron al trabajo, mudaron su manera de aproximarse a los pacientes. Comenzaron a se sentar próximo del paciente en vez de que quedar distantes, en pie.

ISTO É - ¿Hay otro ejemplo?

Klitzman - Sí. Un cirujano me dijo que, cuando él fue sometido a una operación, oyó de su médico, en la noche anterior al procedimiento, algo como "existen 5% de posibilidad de usted morir mañana en la sala de operación". Este médico me contó que no logró dormir en aquella noche. Solamente después él concluyó que su cirujano podría haber mudado la forma de decir lo que habló. Podría haber dicho, por ejemplo, "existen 95% de posibilidad de que usted continúe viviendo pasado mañana". Este individuo me dijo que practicaba la medicina había 30 años y nunca percibiera qué ésas dos afirmaciones, que estadísticamente son las mismas, tenían significado emocional tan diferente para los pacientes. Como consecuencia, él ahora alteró su manera de informar los pacientes sobre sus posibilidades de vida y ha orientado sus residentes a hacer lo mismo.

ISTO É - ¿Y en cuanto al tratamiento recibido de los enfermeros?

Klitzman - Varios médicos dijeron que, cuando ellos dejaron las enfermerías donde estaban internados, las enfermeras dijeron: "Fue un buen paciente. No nos fastidió en ningún momento." Ellos quedaron perplejos con este tipo de comentario. Entonces la definición de "buen paciente" era la que hacía mención al enfermo que no fastidiaba sus cuidadores.

ISTO É - ¿Cómo haber enfermado puede ayudar un médico a ser un profesional mejor?

Klitzman - De muchas formas. La experiencia ayuda, por ejemplo, a ver los errores de comunicación con el enfermo y a intentar mejorar esa aproximación. Los médicos que entrevisté dijeron que la comunicación con sus especialistas era muy pobre. Ahora, ofrecen sugestiones sobre como los enfermos pueden lograr explicaciones necesarias y comprensibles sobre explicaciones técnicas o vagas demás. Consiguen una mejor relación con los pacientes.

ISTO É - ¿Cómo eso pasó a ocurrir en la práctica?

Klitzman - ¿Algunos médicos oyeron de su propios especialistas cosas cómo "bien, su cáncer no debe reaparecer tan rápido" o "en corto plazo"? ¿Pero lo qué es "corto plazo" o "muy rápido"? ¿Esas expresiones significan semanas, meses o años? Al pasar por esa situación, vieron que deben decir claramente lo que significa "rápido", "despacio" o "momentáneamente". Y admitieron que los pacientes pueden y deben exigir de sus médicos definiciones más precisas de expresiones ambiguas. Además, ellos siempre despreciaban parte de las reclamaciones de los pacientes. Apenas cuando se volvieron enfermos es que empezaron a llevar muchas quejas más en serio, percibiendo cómo el cansancio frecuente, el insomnio o el mareo, síntomas considerados menores, podrían ser mucho más incómodos y estresantes que ellos podían imaginar. Antes, cuando el enfermo se quejaba, pensaban: "Es otro paciente que le gusta reclamar."

ISTO É - ¿Hay algún caso específico qué ilustre esa cuestión?

Klitzman - La historia de una gastroenterologista que entrevisté es ejemplar. Trataba dolores abdominales y, de repente, empezó a manifestar también el problema. ¿Sabe lo que esta médica me confesó? "No tenía idea de que, cuando los pacientes decían de dolor, era aquello terrible que yo estaba sintiendo. El sufrimiento iba mucho más lejos de lo que podía ser descrito por las palabras y yo misma tuve dificultad en transmitir lo que estaba habiendo conmigo." Este relato, así como lo de muchos otros que admitieron jamás haber imaginado la intensidad y los daños que causaban síntomas como dolor y mareo, muestra en cuanto la mayoría de los médicos ignora el padecimiento de los enfermos.

ISTO É - En el libro, el sr. afirma que los médicos son enseñados a se colocar arriba de las enfermedades y de los enfermos. ¿Por qué afirma eso?

Klitzman - Los estudiantes de medicina implícitamente aprenden a se subordinar a la jerarquía médica, de la cual obviamente hacen parte. Ellos siempre ven un médico experimentado arriba de ellos y los pacientes en la última escala del ranking. En la investigación que hice para el libro, médicos dijeron, por ejemplo: "Cuando yo era apenas un paciente..." La frase revela como consideran el individuo que están tratando. La educación médica tiene que llevar esas cuestiones en serio y modificar ese entendimiento.

ISTO É - El sr. también dice que los pacientes tienden a sentir miedo de los médicos y asumir frente ellos una posición de reverencia.

Klitzman - Realmente. Me quedé sorprendido de ver que hasta mismo los médicos con quienes conversé intentaron ser "agradables" a sus especialistas, querían ser cooperativos y no dar malas noticias a ellos. Ellos propios se quedaron sorprendidos de notar como "editaban" lo que decían para los profesionales de salud. ¿Descubrieron qué cuándo el médico les preguntaba "cómo usted está?", respondían "OK", mismo cuando no se sentían bien. Vieron aunque, cuando decían de sus problemas, sus dolores, los médicos tendían a ponerse impacientes y de cara fea. En el final, empezaron a notar que sus propios pacientes "editaban" lo que sentían.

ISTO É - ¿Eso es un problema grave?

Klitzman - Los enfermos presentan la tendencia de ser cautelosos y reverenciar los médicos, lo qué les impide de tener una comunicación correcta de los síntomas.

ISTO É - ¿Cómo los médicos reaccionaron a su libro?

Klitzman - Para mi sorpresa, mis colegas respondieron de forma muy positiva. Creo que el libro despertó algo dentro de ellos: el lado humano que vive debajo de sus delantales blancos. El libro cuenta historias bien humanas - mía y las otras - y pienso que los lectores, incluyendo los médicos, reconocen eso. Consiguen se ver en aquellas situaciones, qué, espero, les haga reflexionar más sobre sus actitudes para con los enfermos.

Carlos Varaldo
Grupo Optimismo







Last updated 8.6.2008