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Qualidade de vida e transaminases

22/01/2007

O Journal of Viral Hepatitis do mês de dezembro publica um estudo realizado na Alemanha onde os pesquisadores observaram se a qualidade de vida de pessoas infectadas com a hepatite C era modificada pelo nível das transaminases.

Vários estudos já comprovaram que a qualidade de vida de um individuo e afetada pela infecção com o vírus da hepatite C. Por outro lado foi tradicionalmente aceito pela medicina que pacientes que apresentam transaminases em níveis normais deveriam ter poucos danos no fígado e que por isso não precisariam de tratamento. Uma teoria controversa já que foi comprovado um entre cinco pacientes evolui para danos consideráveis sem apresentar alterações nas transaminases ficando demonstrado que o que deve ser avaliado e o grau de fibrose para um correto diagnostico.

Outros estudos demonstram que pacientes com pouco dano hepático e transaminases normais apresentam maiores possibilidades de conseguir a cura da hepatite C com o tratamento, não sendo aconselhável esperar por maiores danos no fígado para serem tratados, quando então terão maior dificuldade em ter sucesso.

Os pesquisadores incluíram 115 pacientes com hepatite C, sendo 45 deles com níveis de transaminases persistentemente normais e 70 com transaminases elevadas. Um outro grupo, utilizado como controle era formado por 50 indivíduos saudáveis, negativos para a hepatite C. O estado emocional e psicológico de todos os pacientes foi avaliado utilizando questionários e formulários aceitos cientificamente para medir estes parâmetros.

O nível de qualidade de vida dos pacientes com hepatite C que apresentavam transaminases normais foi inferior ao encontrado no grupo de indivíduos não infectados. As maiores diferenças foram encontradas em sintomas como a depressão, irritabilidade, fadiga, relação com a família ou parceiro e, ainda, na vontade de viver, na forma de olhar o futuro.

Não foram encontradas diferenças significativas na qualidade de vida entre os pacientes infectados que apresentavam transaminases normais ou elevadas. Somente a irritabilidade demonstrada mais como uma "raiva" maior foi encontrada com maior intensidade nos pacientes com transaminases elevadas em comparação com o grupo de transaminases normais.

Os autores concluem que a deterioração da qualidade de vida nos indivíduos infectados com a hepatite C e semelhante em pacientes que apresentam transaminases normais quando comparada aos pacientes com transaminases elevadas.

MEU COMENTÁRIO:

Resultados interessantes que demonstram a dificuldade de se avaliar se um paciente com hepatite pode ser considerado com "hepatopatia grave". Vemos que a utilização do MELD para avaliar a capacidade laborativa de um infectado com hepatite é uma total ficção, sendo necessária uma avaliação multidisciplinar, por diversas especialidades médicas conforme os sintomas apresentados ou relatados pelo paciente. Um fator que deve ser levado em consideração em qualquer conceito de hepatopatia grave.

Fonte:
M Von Wagner, J H Lee, B Kronenberger, and others. Klinik fur Innere Medizin II, Universitatsklinikum des Saarlandes, Homburg, Germany - Impaired health-related quality of life in patients with chronic hepatitis C and persistently normal aminotransferase levels. Journal of Viral Hepatitis 13(12): 828-834. December 2006.


Carlos Varaldo
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