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A hepatite C na qualidade de vida

28/03/2005

Pacientes infectados com a Hepatite C apresentam uma diminuição significante em sua saúde quando relacionada com sua qualidade de vida e em alguns casos o sucesso de tratamento pode mitigar este efeito negativo.

Foi publicado em Hepatology do mês de abril de 2005, a revista oficial da Associação Americana para o Estudo de Doenças do Fígado (AASLD) um estudo onde os autores demonstram que os exames tradicionalmente realizados, como o nível das transaminases ou dano existente no fígado não apresentam nenhuma relação com a qualidade de vida do paciente.

Os pesquisadores consideraram dados relevantes obtidos em entrevistas com os pacientes outorgando valores para aqueles mais significativos. É conhecido que somente 20% dos infectados pela hepatite C poderá chegar a desenvolver cirroses antes da sua morte natural e não apresentam danos significantes no fígado.

Porem, estes indivíduos apresentam em muitos casos perda na sua qualidade de vida. É possível que existam sintomas que não envolvem o fígado, mas que possam produzir deficiências orgânicas, ou ainda que exista alguma associação entre o vírus da hepatite C e desordens psico-sociais.

Para melhor entender estas possíveis associações e encontrar formas melhores na atenção dos pacientes, os pesquisadores chefes do estudo, o Dr. Brennan M.R. Spiegel e Dr. Fasiha Kanwal do VA Greater de Los Angeles Healthcare System e da Universidade da Califórnia - UCLA examinaram 32 estudos publicados entre janeiro de 1990 e junho de 2004 comparando as alterações na qualidade de vida dos infectados com a hepatite C com pacientes não infectados.

Foi encontrado que os pacientes infectados com a hepatite C tiveram a qualidade de vida diminuída, principalmente no seu relacionamento social, a saúde física em geral, e na vitalidade. Em alguns estudos foram encontradas deficiências orgânicas, depressão, angustia e estigma.

Somente nos pacientes com cirroses e que foi possível se encontrar alguma relação entre o dano hepático e os níveis dos exames comparados com a perda de qualidade de vida.

Foi ainda comprovado que a qualidade de vida piora substancialmente naqueles pacientes que não conseguiram sucesso no tratamento.

Concluem os autores que a hepatite C diminui a qualidade de vida em função de uma serie de fatores clínicos, afetando a saúde física e mental em um numero significante de pacientes.

Fonte: Impact of Hepatitis C on Health Related Quality of Life: A Systematic Review and Quantitative Assessment, Brennan M.R. Spiegel, Zobair M. Younossi, Ron D. Hays, Dennis Revicki, Sean Robbins, and Fasiha Kanwal, Hepatology; April 2005; Volume 41, Issue 4

MEU COMENTÁRIO:


Mais um estudo que mostra a necessidade imediata para que o tratamento da hepatite C passe a ser realizado por uma equipe multidisciplinar, com o acompanhamento de psicólogos e psiquiatras, alem dos médicos especializados no tratamento.

Não podemos somente enxergar o fígado e o vírus, sendo necessário se enxergar o paciente como um ser humano complexo e completo.

Os médicos devem ser mais criteriosos e cuidadosos em indicar quem deve receber o tratamento. Os dados estatísticos mostram que aqueles que não conseguem sucesso no tratamento pioram substancialmente a qualidade de vida perante o fracasso do difícil e complicado tratamento.

Existem também os pacientes ansiosos, apavorados com a doença que sem apresentar danos significantes no fígado exigem do médico a receita para iniciar logo o tratamento. Nestes casos o médico deve ser pragmático e mostrar claramente qual e a historia natural da hepatite C, sua evolução, as chances de vir a desenvolver cirroses, as vantagens de por enquanto acompanhar o quadro clinico, e ainda os benefícios e os problemas que o tratamento pode acarretar. Para os médicos um trabalho difícil de explicar, pela complexidade e pelo tempo que ela demanda.

Já que os medicamentos atualmente disponíveis não conseguem a cura de todos os doentes (no genótipo 1 somente 42% tem sucesso no tratamento) deveria se tratar somente aqueles que apresentam um dano hepático considerável (provavelmente F2 ou superior ou que apresentem condições orgânicas que acelerem a progressão do dano hepático) simplesmente acompanhando todos os que não atingem este nível de comprometimento histológico, preservando-os de um fracasso e da piora na sua qualidade de vida.

Devemos considerar que em curto (dos anos) e meio prazo (entre cinco e seis anos) estarão disponíveis novos medicamentos, com maior eficácia terapêutica e menos efeitos adversos. Em relação a progressão do dano hepático, isto e pouco tempo quando falamos da hepatite C.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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