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Nível baixo de vitamina D está associado a menor possibilidade de cura da hepatite C

05/11/2012

Mais um dos tantos estudos em relação ao nível de vitamina D no organismo e a possibilidade de sucesso com o tratamento utilizando interferon peguilado e ribavirina. A nova pesquisa foi publicada em AIDSMAP de outubro e foi realizada em indivíduos co-infectados HIV/HCV.

O estudo constatou que pessoas co-infectados com AIDS e hepatite C deficientes no nível de vitamina D no organismo são menos propensos a obter uma resposta precoce ou obter sucesso com o tratamento da hepatite C.

A vitamina D atua de forma imunomodulador diminuindo a ação antiviral do vírus da hepatite C e reduzindo a inflamação do fígado. Pesquisas anteriores mostravam uma alta prevalência de deficiência de vitamina D em pessoas co-infectados. Diversas publicações mostram que mono infectados com hepatite C respondem melhor ao tratamento quando os níveis de vitamina D são maiores.

Nesta pesquisa foi encontrado que apenas 20% dos co-infectados tinham níveis de vitamina D acima de 30 mcg/L, valor definido como o ideal, medidos pelo teste "25-hidroxi-vitamina D" trinta e cinco dias antes do inicio do tratamento.

Os pacientes foram divididos em três grupos. Os considerados com níveis normais apresentavam um resultado acima de 30 mcg/L, os insuficientes apresentam níveis entre 10 e 30 mcg/L e, os insuficientes, porque se encontravam com níveis abaixo de 10 mcg/L.

Os fatores de risco para falha de tratamento, como alta carga viral, genótipos 1 ou 4, fibrose avançada (F3) ou cirrose (F4), resultado CT ou TT no teste IL28B foram considerados para avaliar o resultado do tratamento evitando falhas estatísticas.

A taxa de resposta virológica precoce (EVR) alcançada pelo grupo com Vitamina D acima de 30 mcg/L foi de 98%, ficando em 68% nos pacientes com vitamina D entre 10 e 30 mcg/L e, somente 47% dos pacientes com vitamina D abaixo de 10 mcg/L obtiveram a resposta rápida.

A resposta sustentada (cura da hepatite C) foi obtida por 85% dos pacientes com níveis de Vitamina D acima de 30 mcg/L, por 60% nos pacientes com vitamina D entre 10 e 30 mcg/L e, somente por 40% dos pacientes com vitamina D abaixo de 10 mcg/L.

Concluem os autores que a suplementação de vitamina D deve ser considerada e avaliada ao se indicar o tratamento da hepatite C.

MEU COMENTÁRIO

A vitamina D é barata, segura, amplamente conhecida de médicos e da população e diversos estudos mostram que pessoas com doenças crônicas apresentam níveis mais baixos de vitamina D.

Se está comprovado que níveis baixos prejudicam a possibilidade de cura da hepatite C porque ainda existem médicos que não realizam o exame de "25-hidroxi-vitamina D" nos infectados?

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Low vitamin D levels are associated with impaired virologic response to PEGIFN+RBV therapy in HIV/HCV coinfected patients Mandorfer, Mattias; Reiberger, Thomas; Payer, Berit A.; Ferlitsch, Arnulf; Breitenecker, Florian; Aichelburg, Maximilian C.; Obermayer-Pietsch, Barbara; Rieger, Armin; Trauner, Michael; Peck-Radosavljevic, Markus; Vienna HIV & Liver Study Group - AIDS - 1 October 2012 - online edition - doi: 10.1097/QAD.0b013e32835aa161


Carlos Varaldo
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