020_rvs_port

O uso de fatores de crescimento consegue evitar a maioria das interrupções no tratamento da hepatite C

13/12/2010

Um número significante de pacientes em tratamento da hepatite C interrompe o tratamento prematuramente. Os fatores que ocasionam as interrupções do tratamento do genótipo 1 antes de completar as 48 semanas são diferentes conforme o período em que acontece a interrupção.

Uma pesquisa realizada nos hospitais que tratam os veteranos de guerra dos Estados Unidos foi realizada estudando retrospectivamente os prontuários clínicos de 11.019 pacientes tratados entre os anos de 2002 e 2007.

No total 53% dos pacientes completaram pelo menos 38,4 semanas do tratamento (80% das previstas 48 semanas), sendo que 16,5% interromperam o tratamento antes de ter conseguido a resposta virológica, ainda com o vírus detectável e 30,9% interromperam o tratamento quando o vírus se encontrava indetectável.

Os principais fatores que influenciaram na interrupção do tratamento antes da semana 12 do tratamento aconteceram em 1.184 pacientes, entre os quais se encontravam os que apresentavam quadro de cirrose, pacientes diabéticos, em pacientes com transtornos ocasionados pelo uso de drogas ou pela anemia com níveis de hemoglobina abaixo de 9,5 g/dl sem terem utilizado eritropetina para aumentar o nível.

Nos pacientes que interromperam o tratamento entre as semanas 12 e 24, entre os quais se encontravam 317 que tinham conseguido negativar antes da semana 12 do tratamento, os principais fatores foram um aumento no nível da creatinina, sintomas de depressão pré-tratamento e falta de utilização de fatores de crescimento, como eritropoetina e filgastrin.

Nos pacientes que interromperam o tratamento entre as semanas 24 e 48 não foram identificados fatores independentes que justificassem a interrupção.

Concluem os autores com as seguintes recomendações:

- Usuários de drogas devem receber apoio e acompanhamento antes e durante o tratamento da hepatite C, objetivando evitar o abandono do tratamento.

- Pacientes que apresentam sintomas depressivos antes do inicio do tratamento devem receber tratamento antidepressivo especializado, antes de iniciar o tratamento da hepatite C e durante todo o tratamento, tentando evitar a interrupção da terapia.

- Pacientes cirróticos e com diabetes são mais suscetíveis aos efeitos colaterais do tratamento devendo receber acompanhamento constante.

- O uso adequado dos fatores de crescimento, como a eritropoetina e o filgastrin conduz a uma melhoria na anemia e no aumento das defesas, permitindo na maioria dos casos continuar com o tratamento da hepatite C.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Predictors of Early Treatment Discontinuation Among Patients With Genotype 1 Hepatitis C and Implications for Viral Eradication - Lauren A. Beste; George N. Ioannou; Jason A. Dominitz; Meaghan S. Larson; Michael Chapko - Clinical Gastroenterology and Hepatology - Volume 8, Issue 11 , Pages 972-978, November 2010


Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO