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A idade e a possibilidade de cura da hepatite C

21/09/2009

Uma analise em 569 pacientes infectados com o genótipo 1 que se encontram incluídos na fase 3 do ensaio clínico randomizado "NV15801/NV15942" utilizando o interferon peguilado Pegasys combinado a ribavirina em tratamento de 48 semanas foi realizada pelos pesquisadores, dividindo os pacientes em dois grupos dependendo da idade.

Um dos grupos incluía todos os que ainda não tinham completado 50 anos de idade, e o outro grupo incluía os pacientes com mais de 50 anos de idade. O objetivo era comparar a resposta terapêutica desses dois grupos para saber se a idade influi na possibilidade de cura.

A resposta sustentada, considerada a cura, quando o vírus se encontra indetectável seis meses após o final do tratamento, foi conseguida por 52% dos pacientes com menos de 50 anos, sendo menor, de 39% entre os pacientes com mais de 50 anos de idade.

Considerando somente os pacientes que na semana quatro do tratamento se encontravam indetectáveis (considerados respondedores rápidos e com maior possibilidade de sucesso com o tratamento) o índice de cura chegou aos 83% desses no grupo com menos de 50 anos de idade, caindo para 61% no grupo com mais de 50 anos de idade.

As taxas de recidiva do vírus em pacientes que durante o tratamento conseguiram negativar, mas o vírus voltou e naqueles que terminaram o tratamento negativo, mas seis meses após se encontravam novamente positivos, foi de 41% nos pacientes acima de 50 anos e de somente 25% nos pacientes com menos de 50 anos.

Concluem os autores que a idade pode influir na possibilidade de cura da hepatite C, especialmente porque em muitos pacientes mais velhos não sempre e possível se manter aderência total aos medicamentos, sendo necessárias reduções nas dosagens de interferon peguilado e ribavirina com maior freqüência que em pacientes com menos de 50 anos.

MEUS COMENTÁRIOS:

Importante estudo, pois a cada dia aumenta o número de infectados com hepatite C com mais de 50 anos de idade, situação preocupante quando é conhecido que a idade diminui a possibilidade da cura.

Fica então mais uma interrogação sobre o contraproducente que é aguardar que um infectado tenha fibrose F2 para poder iniciar o tratamento pelo sistema publico da saúde, pois a maioria deles provavelmente vai ter que aguardar alguns anos, passando da barreira dos 50 anos objeto da constatação deste estudo, perdendo grandes possibilidades de cura da hepatite C.

A cada 100 pacientes infectados com o genótipo 1 tratados, a cura e conseguida por 52 se ainda tem menos de 50 anos, mas se passar dessa idade somente 39 conseguirão a cura. A possibilidade de cura de um individuo com menos de 50 anos e 33% superior que de pacientes com mais de 50 anos.

Mandando o paciente para casa, para aguardar ficar mais velho e mais grave, todos perdem. Os infectados perdem a possibilidade de cura e em conseqüência muitos perderam atá a vida e, o governo, não consegue qualquer fármaco economia ao postergar o tratamento, pois estará conseguindo um resultado menor, pífio, gastando os mesmos recursos para curar um número menor de pacientes.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Peginterferon alfa-2a (40kDa) and ribavirin: comparable rates of sustained virological response in sub-sets of older and younger HCV genotype 1 patients K. R. Reddy 1 , D. Messinger 2 , M. Popescu 3 and S. J. Hadziyannis 4
1 Hospital of the University of Pennsylvania, Philadelphia, PA, USA ; 2 IST GmbH, Mannheim, Germany ; 3 Roche, Basel, Switzerland ; and 4 Henry Dunant Hospital, Athens, Greece
Correspondence to K. Rajender Reddy, Hospital of the University of Pennsylvania, 3400 Spruce Street, Philadelphia, PA 19104, USA. E-mail: rajender.reddy@uphs.upenn.edu
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Carlos Varaldo
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