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A menor fibrose melhor possibilidade de cura

17/05/2009

Uma pesquisa realizada na Austrália, no Royal Perth Hospital que foi apresentado no 44° Congresso Europeu (EASL) demonstra mais uma vez a importância do diagnostico precoce da hepatite C e como, a menor grau de fibrose, a possibilidade de cura aumenta consideravelmente.

O estudo era destinado a avaliar a segurança da utilização do interferon peguilado alfa 2-a, PEGASYS em regime de indução, com aplicação de duas ampolas por semana, e comparar com pacientes incluídos num segundo grupo que recebeu o tratamento tradicional com uma ampola de PEGASYS por semana. Todos os pacientes se encontravam infectados com o genótipo 1 da hepatite C e receberam ribavirina em dosagens de 1.000 até 1.200 mg/dia em tratamento de 48 semanas.

O total de pacientes incluídos na pesquisa foi de 641, significativo em relação à qualidade dos resultados. No grupo existima 127 pacientes (20,3%) que apresentavam idade media de 49 anos e fibrose hepática avançada ou cirrose (F3 e F4), os restantes pacientes apresentavam idade media de 43 anos e graus de fibrose inexistente (F0), leve (F1) ou moderada (F3).

Após seis meses o final do tratamento a resposta sustentada, considerada a cura da hepatite C foi à seguinte:

- Pacientes com grau de fibrose F3 ou F4 que receberam o tratamento tradicional de uma ampola de PEGASYS por semana e ribavirina conseguiram 24% de resposta sustentada;

- Pacientes com grau de fibrose F3 ou F4 que receberam o tratamento de indução com duas ampolas de PEGASYS por semana e ribavirina conseguiram 28% de resposta sustentada;

- Pacientes com grau de fibrose F0, F1 ou F2 que receberam o tratamento tradicional de uma ampola de PEGASYS por semana e ribavirina conseguiram 55% de resposta sustentada;

- Pacientes com grau de fibrose F0, F1 ou F2 que receberam o tratamento de indução com duas ampolas de PEGASYS por semana e ribavirina conseguiram 58% de resposta sustentada.


Os pacientes com fibrose F3 e F4 apresentaram maiores efeitos colaterais durante o tratamento que os pacientes F1, F2 ou F3, mas o percentual que por efeitos adversos tiveram que interromper o tratamento foi similar em todos os níveis de fibroses.

Concluem os pesquisadores que não existe diferença significativa no tratamento de indução com o tratamento tradicional, mas que o grau de fibrose e fator muito importante na possibilidade de cura dos pacientes.

MEU COMENTÁRIO:

Consensos e protocolos recomendam o tratamento dos infectados com o genótipo 1 quando o grau de fibrose e igual ou superior a F2. Em geral essa colocação e baseada em que a resposta ao tratamento do genótipo 1 e pobre e que a progressão do dano hepático e lenta, motivo pelo qual recomendam observar o paciente para se aguardar iniciar o tratamento quando se encontrem disponíveis medicamentos mais eficazes ou, iniciar o tratamento nos casos em que se observa um avanço considerável no grau de fibroses.

É uma colocação que não deixa de ser correta, mas será que ao se escrever esses conceitos de consenso e serem colocados nos protocolos de tratamento (tal qual foi estabelecido pela Portaria 34/2007 no Brasil) perguntaram o que pensavam os pacientes. Será que todos os infectados conseguem viver com o vírus no organismo sem ansiedade, estresse ou depressão? Será ético não tratar um paciente com idade e grau de fibrose menor, que apresenta uma possibilidade de cura muito maior que, aguardar ele ter idade maior e grau de fibrose mais avançado e dessa forma ter menor possibilidade de cura?

É por esses motivos que pacientes recorrem a Justiça. Todo ser humano doente quer a oportunidade da cura, seja qual for a doença e mais ainda quando a possibilidade de cura e muito superior, até o dobro pelos resultados deste estudo.

Ter possibilidade de cura de 55% quando a fibrose e F2 ou inferior e de somente 24% se o grau de fibrose chegou a F3 e uma colocação irrefutável. Quem quiser obrigar a que o paciente aguarde piorar o quadro de fibrose para iniciar o tratamento estará condenando a metade dos infectados a perder a possibilidade de curar a doença. Um verdadeiro e irracional raciocínio.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
WSC Cheng, S Roberts, M Weltman, and others. Efficacy and Safety of Peginterferon Alfa-2a 360 µg/Week in Combination with Ribavirin in Hepatitis C Genotype 1 Patients with Cirrhosis: Analysis from the Chariot Study. 44th Annual Meeting of the European Association for the Study of the Liver (EASL 2009). Copenhagen, Denmark. April 22-26, 2009.
Hepatitis Australia. Large scale Australian Hepatitis C Study Shows Need to Treat Sooner. Press release. April 22, 2009. - Royal Perth Hospital, Perth, Australia; Alfred Hospital, Melbourne Australia; Nepean Hospital, Sydney, Australia; Greenslopes Hospital, Brisbane, Australia; Monash Medical Centre, Melbourne, Australia; Royal Prince Alfred Hospital, Australia; SEALS, Prince of Wales Hospital, Sydney, Australia; St. Vincent's Hospital, Melbourne, Australia; Roche Products, Sydney, Australia; Roche, Nutley, NJ; National Centre in HIV Epidemiology and Clinical Research, Sydney, Australia


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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