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GRUPO OTIMISMO DE APOIO A PORTADORES DE HEPATITE C
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16/01/2006
Afrodescendentes e hepatite C
Pessoas de todas as raças estão infectadas pela hepatite C, porém as pessoas de pele escura, os afrodescendentes, por razões ainda desconhecidas apresentam uma evolução clinica diferente dos pacientes de pele branca e até a resposta terapêutica e também diferente.
Neste texto estarei comentando um artigo do Dr. Brian Pearlman publicado no mês de janeiro na revista Clinical Infectious Diseases com o título de "Infecção com o Vírus da Hepatite C em Afro Americanos". O Dr. Brian Pearlman trabalha na área de pesquisas de diversas instituições entre as quais o Centro de Hepatite C do Centro Médico de Atlanta, o Colégio Médico da Geórgia, e a Emory University School of Medicine, Atlanta, Geórgia, nos Estados Unidos.
O estudo compara diversas características da doença e de seu tratamento em indivíduos brancos (caucasianos) e de pele negra (afrodescendentes) sendo um alerta importante para países como o Brasil, com alta miscigenação. No Brasil praticamente toda a população possui em maior ou menor grau, uma percentagem de genes afrodescendentes, motivo pelo qual a resposta terapêutica global, de toda a população, pode ser muito diferente da obtida nos estudos clínicos realizados nos Estados Unidos ou Europa, onde predomina a raça branca. Estudos ao respeito deveriam ser patrocinados pelas autoridades de saúde.
Inicialmente são mostradas as principais diferenças entre estes dois grupos de indivíduos.
Dados epidemiológicos:
Nos Estados Unidos o ultimo censo populacional informa que 75% da população e branca, 12% são afrodescendentes e 13% de outras etnias (3). Embora os afrodescendentes sejam 12% da população e estimado que eles representem aproximadamente 22% dos americanos infectados pela hepatite C (1). O modo de transmissão da hepatite C parece ser semelhante para indivíduos brancos e afrodescendentes (4).
Enquanto 70% dos brancos infectados possuem o genótipo 1, entre os afrodescendentes a prevalencia deste genótipo e muito superior (2). Não se sabe a razão desta diferença.
A progressão da doença, em relação a fibroses e dano histológico, conforme estudos (5) e mais lenta nos afrodescendentes que nos brancos, porém a velocidade e possibilidade de desenvolver câncer no fígado e duas vezes superior aos brancos (6) (8). As mortes por câncer de fígado nos afrodescendentes e 23 vezes superior que nos brancos (7), um número impressionante.
Sobre o tratamento
A resposta terapêutica ao tratamento com interferon peguilado e ribavirina e consideravelmente mais baixas nos afrodescendentes que nos indivíduos brancos. Quando da realização dos ensaios clínicos realizados para aprovação dos medicamentos muitos poucos pacientes afrodescendentes eram incluídos nos protocolos. Somente após a aprovação do peguilado e que foram realizados estudos nesta população especifica.
O primeiro destes estudos (9) comparou 100 pacientes afrodescendentes com um grupo de 100 pacientes brancos caucasianos (não hispânicos), todos eles tratados com interferon peguilado alfa 2-b e ribavirina. Os dois grupos eram similares em relação à idade dos pacientes, carga viral, genótipo, etc. A tolerância, efeitos adversos, depressão e aderência ao tratamento foram similares nos dois grupos. A resposta sustentada conseguida nos dois grupos foi surpreendente. No grupo de pacientes brancos a cura foi obtida por 52% dos pacientes, uma resposta similar aos estudos anteriores publicados na literatura cientifica já, no grupo de afrodescendentes somente 19% conseguiram a cura.
Pode ser que algumas diferenças dos pacientes, como sexo, peso corporal, presença de diabetes ou uso de álcool e drogas possam ter influenciado no resultado, mas nenhum deles poderia ocasionar tamanha diferença na resposta terapêutica. Os autores concluíram que foi a cor da raça o fator responsável.
Um outro estudo (11) tratou 78 pacientes afrodescendentes e 28 pacientes brancos com interferon peguilado alfa 2-a e ribavirina. Todos os pacientes tinham características similares. Em caso de queda de plaquetas foi utilizado a Granulokine para não reduzir a dosagem do interferon ou evitar a interrupção do tratamento. Foi observado que 39% dos brancos tiveram que interromper o tratamento contra 23% dos afrodescendentes. Já a taxa de resposta sustentada seis meses após o tratamento foi de 39% entre os brancos e de 26% entre os afrodescendentes.
Dos 36 pacientes afrodescendentes que não conseguiram a cura, 22% deles conseguiram uma melhora no grau de fibroses, comprovado pela realização de uma segunda biopsia, mostrando que apesar de não conseguir sucesso no tratamento obtiveram uma melhora no estado do fígado.
Um terceiro estudo se encontra em andamento e deverá apresenta resultados já em 2006. Chamado, em inglês, de Viral Resistance to Antiviral Therapy for Chronic Hepatitis C (VIRAHEP-C) o mesmo inclui 200 pacientes afrodescendentes e 200 brancos que recebem tratamento com interferon peguilado e ribavirina. Os objetivos são para avaliar a resposta terapêutica de cada grupo e pesquisar fatores específicos dos pacientes em relação ao vírus, inclusive variáveis genéticas e imunológicas, para ver se as mesmas têm alguma influencia nos resultados do tratamento.
Fonte:
B L Pearlman. Hepatitis C Virus Infection in African Americans. Clinical Infectious Diseases 42(1): 82-91. January 1, 2006.
Citando as seguintes referencias bibliográficas:
1. Alter MJ. Epidemiology of hepatitis C. Hepatology 1997; 26(3 Suppl 1):62S5S.
2. Alter MJ, Kruszon-Moran D, Nainan OV, et al. The prevalence of hepatitis C virus infection in the United States. N Engl J Med 1999; 341:55662.
3. Hobbs F, Stoops N. Demographic trends in the 20th century. US Census Bureau, census 2000. Special reports series CENSR-4. Washington, DC: US Government, 2002. Available at http://www.census.gov/prod/2002pubs/censr-4.pdf.
4. Reddy KR, Hoofnagle JH, Tong MJ, et al. Racial differences in responses to therapy with interferon in chronic hepatitis C. Hepatology 1999; 30:78793.
5. Wiley TE, Brown J, Chan J. Hepatitis C infection in African Americans: its natural history and histological progression. Am J Gastroenterol 2002; 97:7006.
6. El-Serag HB. Hepatocellular carcinoma: recent trends in the United States. Gastroenterology 2004; 127:S2734.
7. El-Serag HB, Mason AC. Rising incidence of hepatocellular carcinoma in the United States. N Engl J Med 1999; 340:74550.
8. Nguyen MH, Whittemore AS, Garcia RT, et al. Role of ethnicity in risk for hepatocellular carcinoma in patients with chronic hepatitis C and cirrhosis. Clin Gastroenterol Hepatol 2004; 2:8204.
9. Muir AJ, Bornstein JD, Killenberg PG. Peginterferon alfa-2b and ribavirin for the treatment of chronic hepatitis C in blacks and non-hispanic whites. N Engl J Med 2004; 350:226571.
10. Ohnishi K, Matsuo S, Matsutani K, et al. Interferon therapy for chronic hepatitis C in habitual drinkers: comparison with chronic hepatitis C in infrequent drinkers. Am J Gastroenterol 1996; 91:13749.
11. Jeffers L, Cassidy W, Howell CD, Hu S, Reddy KR. Peginterferon alfa-2a (40 kd) and ribavirin for black American patients with chronic HCV genotype 1. Hepatology 2004; 39:17028.
12. Jacobson I, Brown R, McCone J, et al. Weight based ribavirin dosing improves virologic response in HCV-infected genotype 1 African Americans compared to flat dose ribavirin with peginterferon alfa-2b combination therapy. Hepatology 2004; 40(4 Suppl 1):217A.
13. Toriani FJ, Rodriguez-Torres M, Rockstroh JK, et al. Peginterferon alfa-2a plus ribavirin for chronic hepatitis C virus infection in HIV-infected patients. N Engl J Med 2004; 351:43850.
14. Chung RY, Andersen J, Volberding P, Robbins GK, et al. Peginterferon alfa-2a plus ribavirin versus interferon alfa-2a plus ribavirin for chronic hepatitis in HIV-coinfected persons. N Engl J Med 2004; 351:4519.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA A PORTADORES DE HEPATITIS C
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16/01/2006
Afro descendientes y hepatitis C
Personas de todas las razas están infectadas por la hepatitis C, sin embargo las personas de piel oscura, los afro descendientes, por razones aún desconocidas presentan una evolución clínica diferente de los pacientes de piel blanca y hasta la respuesta terapéutica es también diferente.
En este texto estaré comentando un artículo del Dr. Brian Pearlman publicado en el mes de enero en la revista Clinical Infectious Diseases con el título de "Infección por el Virus de la Hepatitis C en Afro Americanos". El Dr. Brian Pearlman trabaja en la área de pesquisas de diversas instituciones entre las cuales el Centro de Hepatitis C del Centro Médico de Atlanta, el Colegio Médico de Georgia, y la Emory University School of Medicine, Atlanta, Georgia, en Estados Unidos.
El estudio compara diversas características de la enfermedad y de su tratamiento en individuos blancos (caucasianos) y de piel negra (afro descendientes) siendo un alerta importante para países como Brasil, con alta mezcla de razas. En Brasil prácticamente toda la población posee en mayor o menor grado, un porcentaje de genes afro descendientes, motivo por el cual la respuesta terapéutica global, de toda la población, puede ser muy diferente de la lograda en los estudios clínicos realizados en Estados Unidos o Europa, donde predomina la raza blanca. Estudios sobre el tema deberían ser patrocinados por las autoridades de salud.
Inicialmente son mostradas las principales diferencias entre éstos dos grupos de individuos.
Datos epidemiológicos:
En Estados Unidos el último censo informa que 75% de la población es blanca, 12% son afro descendientes y 13% de otras etnias (3). Aunque los afro descendientes sean 12% de la población es estimado que ellos representen aproximadamente 22% de los americanos infectados por la hepatitis C (1). El modo de transmisión de la hepatitis C parece ser semejante para individuos blancos y afro descendientes (4).
Mientras 70% de los blancos infectados poseen el genotipo 1, entre los afro descendientes la prevalencia de este genotipo es muy superior (2). No se sabe la razón de esta diferencia.
La progresión de la enfermedad, con relación a fibrosis y daño histológico, conforme estudios (5) es más lenta en los afro descendientes que en los blancos, sin embargo la velocidad y posibilidad de desarrollar cáncer en el hígado es dos veces superior a los blancos (6) (8). Las muertes por cáncer de hígado en los afro descendientes es 23 veces superior que en los blancos (7), un número impresionante.
Sobre el tratamiento
La respuesta terapéutica al tratamiento con interferón pegilado y Ribavirina es considerablemente menor en los afro descendientes que en los individuos blancos. Cuando de la realización de los ensayos clínicos realizados para aprobación de los medicamentos muy pocos pacientes afro descendientes eran incluidos en los protocolos. Solamente después de la aprobación del pegilado es que fueron realizados estudios en esta población específica.
El primero de estos estudios (9) comparó 100 pacientes afro descendientes con un grupo de 100 pacientes blancos caucasianos (no hispánicos), todos ellos tratados con interferón pegilado alfa 2-b y ribavirina. Los dos grupos eran similares con relación a la edad de los pacientes, carga viral, genotipo, etc. La tolerancia, efectos adversos, depresión y adherencia al tratamiento fueron similares en los dos grupos. La respuesta sostenida conseguida en los dos grupos fue sorprendente. En el grupo de pacientes blancos la cura fue lograda por 52% de los pacientes, una respuesta similar a los estudios anteriores publicados en la literatura científica ya, en el grupo de afro descendientes solamente 19% consiguieron la cura.
Puede ser que algunas diferencias de los pacientes, como sexo, peso corporal, presencia de diabetes o uso de alcohol y drogas puedan haber influenciado en el resultado, pero ninguno de ellos podría ocasionar tan grande diferencia en la respuesta terapéutica. Los autores concluyeron que fue el color de la raza el factor responsable.
Un otro estudio (11) trató 78 pacientes afro descendientes y 28 pacientes blancos con interferón pegilado alfa 2-a y ribavirina. Todos los pacientes tenían características similares. En caso de baja en la cantidad de las plaquetas fue utilizado el Granulokine para no reducir la dosis del interferón o evitar la interrupción del tratamiento. Fue observado que 39% de los blancos tuvieron que interrumpir el tratamiento contra 23% de los afro descendientes. Ya la tasa de respuesta sostenida seis meses después el tratamiento fue del 39% entre los blancos y del 26% entre los afro descendientes.
De los 36 pacientes afro descendientes que no consiguieron la cura, 22% de ellos consiguieron una mejora en el grado de fibrosis, comprobado por la realización de una segunda biopsia, mostrando que a pesar de no conseguir éxito en el tratamiento obtuvieron una mejora en el estado del hígado.
Un tercer estudio se encuentra en ejecución y deberá presentar resultados ya en 2006. Llamado, en inglés, de Viral Resistance to Antiviral Therapy for Chronic Hepatitis C (VIRAHEP-C) el mismo incluye 200 pacientes afro descendientes y 200 blancos que reciben tratamiento con interferón pegilado y ribavirina. Los objetivos son para evaluar la respuesta terapéutica de cada grupo e pesquisar factores específicos de los pacientes con relación a los virus, incluso variables genética e inmunológica, para ver si las mismas tienen alguna influencia en los resultados del tratamiento.
Fuente:
B L Pearlman. Hepatitis C Virus Infection in African Americans. Clinical Infectious Diseases 42(1): 82-91. January 1, 2006.
Citando las siguientes referencias bibliográficas:
1. Alter MJ. Epidemiology of hepatitis C. Hepatology 1997; 26(3 Suppl 1):62S5S.
2. Alter MJ, Kruszon-Moran D, Nainan OV, et al. The prevalence of hepatitis C virus infection in the United States. N Engl J Med 1999; 341:55662.
3. Hobbs F, Stoops N. Demographic trends in the 20th century. US Census Bureau, census 2000. Special reports series CENSR-4. Washington, DC: US Government, 2002. Available at http://www.census.gov/prod/2002pubs/censr-4.pdf.
4. Reddy KR, Hoofnagle JH, Tong MJ, et al. Racial differences in responses to therapy with interferon in chronic hepatitis C. Hepatology 1999; 30:78793.
5. Wiley TE, Brown J, Chan J. Hepatitis C infection in African Americans: its natural history and histological progression. Am J Gastroenterol 2002; 97:7006.
6. El-Serag HB. Hepatocellular carcinoma: recent trends in the United States. Gastroenterology 2004; 127:S2734.
7. El-Serag HB, Mason AC. Rising incidence of hepatocellular carcinoma in the United States. N Engl J Med 1999; 340:74550.
8. Nguyen MH, Whittemore AS, Garcia RT, et al. Role of ethnicity in risk for hepatocellular carcinoma in patients with chronic hepatitis C and cirrhosis. Clin Gastroenterol Hepatol 2004; 2:8204.
9. Muir AJ, Bornstein JD, Killenberg PG. Peginterferon alfa-2b and ribavirin for the treatment of chronic hepatitis C in blacks and non-hispanic whites. N Engl J Med 2004; 350:226571.
10. Ohnishi K, Matsuo S, Matsutani K, et al. Interferon therapy for chronic hepatitis C in habitual drinkers: comparison with chronic hepatitis C in infrequent drinkers. Am J Gastroenterol 1996; 91:13749.
11. Jeffers L, Cassidy W, Howell CD, Hu S, Reddy KR. Peginterferon alfa-2a (40 kd) and ribavirin for black American patients with chronic HCV genotype 1. Hepatology 2004; 39:17028.
12. Jacobson I, Brown R, McCone J, et al. Weight based ribavirin dosing improves virologic response in HCV-infected genotype 1 African Americans compared to flat dose ribavirin with peginterferon alfa-2b combination therapy. Hepatology 2004; 40(4 Suppl 1):217A.
13. Toriani FJ, Rodriguez-Torres M, Rockstroh JK, et al. Peginterferon alfa-2a plus ribavirin for chronic hepatitis C virus infection in HIV-infected patients. N Engl J Med 2004; 351:43850.
14. Chung RY, Andersen J, Volberding P, Robbins GK, et al. Peginterferon alfa-2a plus ribavirin versus interferon alfa-2a plus ribavirin for chronic hepatitis in HIV-coinfected persons. N Engl J Med 2004; 351:4519.
Carlos Varaldo
Grupo Optimismo