29/03/2010
Publicada análise sobre as diferenças entre os interferon peguilados
Foi publicado no "Hepatology" uma revisão sistemática e meta-análise do grupo hepato-biliar da "Cochrane" comparando a eficácia terapêutica e a segurança de peginterferon-alfa-2a (Pegasys) versus peginterferon-alfa-2b (PegIntron).
Uma meta-análise é um método estatístico utilizado para combinar resultados de estudos obtidos após revisão sistemática da literatura científica sobre determinado assunto. Na publicação, a busca foi realizada nas bases de dados do MEDLINE, EMBASE, e LILACS até o mês de julho de 2009, e os estudos foram selecionados pela sua metodologia e importância estatística.
Após a revisão sistemática foram selecionadas 12 publicações comprendendo um total de 5.008 pacientes e tinha como objetivo comparar estatisticamente os resultados de resposta sustentada obtidos pelo interferon peguilado alfa 2-a (Pegasys) e o interferon peguilado alfa 2-b (PegIntron) ambos utilizados combinados com a ribavirina, assim como confrontar os efeitos colaterais e adversos de ambos os medicamentos.
Quando as diversas publicações são interpretadas separadamente fica impossível saber se um dos medicamentos é superior ao outro. No entanto, ao se combinar os dados das publicações por meios estatísticos, os pesquisadores do Grupo Cochrane informam que interferon peguilado alfa 2-a (Pegasys) parece estar associado com uma eficácia superior. Na análise dos pacientes por intenção de tratar, (isto é, considerando todos os que iniciaram o tratamento), a resposta virológica sustentada da combinação de interferon peguilado alfa 2-a (Pegasys) e ribavirina foi 47%, contra 41% da combinação de interferon peguilado alfa 2-b (PegIntron) e ribavirina. Deve ser considerado que todo calculo estatístico possui um intervalo de confiança, podendo alterar o resultado para mais ou para menos.
Para análise dos eventos adversos, foram incluídas 12 publicações e não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes entre os dois interferons, que podem ser considerados equivalentes quanto à segurança. Os eventos adversos e colaterais pesquisados incluíam anemia, neutropenia, baixa nas plaquetas, depressão, fadiga, dor de cabeça, insônia, febre, náusea e falta de ar.
ESCLARECIMENTOS:
Declaro não ter recebido nenhuma solicitação por parte dos fabricantes para interpretar e/ou divulgar o artigo publicado no Hepatology, também, não realizei qualquer consulta previa aos dois fabricantes sobre os resultados ou se desejavam se manifestar sobre a publicação, evitando dessa forma qualquer conflito de interesses.
Fica assim a disposição de ambos os fabricantes a oferta de divulgar neste mesmo espaço todo e qualquer comentário ou release que acharem conveniente, os quais serão colocados na integra, sem comentários da minha parte, porem, para evitar replicas e discussões, que em geral não são nada construtivas, pois confundem os pacientes, achei democrático aguardar até o final desta semana (1° de abril) o recebimento de qualquer comentário ou release por parte dos fabricantes para serem divulgados de forma conjunta caso ambos enviem material. Com essa divulgação conjunta, ou não, o assunto estará totalmente fechado da minha parte. Não aceitarei publicar qualquer replica o treplica após o dia 1° de abril.
Considero de fundamental importância que cada laboratório fabricante de medicamentos lute acirradamente para divulgar fatos que auxiliem os tratamentos, aumentando a segurança na utilização dos medicamentos e capacitando os profissionais da saúde. É assim que a medicina avança e se aprimora.
Os doze estudos selecionados pelo Grupo Cochrane para realizar a meta análise foram os seguintes:
1 - Ascione A, De Luca M, Tartaglione MT, Lampasi F, Di Costanzo GG,
Lanza AG, et al. Peginterferon Alfa-2a Plus Ribavirin Is More Effective
Than Peginterferon Alfa-2b Plus Ribavirin for Treating Chronic Hepatitis
C Virus Infection. Gastroenterology 2010 Jan;138:116-122.
2 - Berak H, Horban A, Wasilewski M, Stanczak JJ, Kolakowska-Rzadzka A.
Randomized, open label trial comparing efficacy and safety of pegylated
interferon alfa 2A vs alfa 2B treatment of patients with chronic hepatitis C
infected with non 2/3 genotypes-12 week virological response analysis.
HEPATOLOGY 2005;42(Suppl.):S1.
3 - Bruno R, Sacchi P, Ciappina V, Zochetti C, Patruno S, Maiocchi L, et al.
Viral dynamics and pharmacokinetics of peginterferon alpha-2a and peginterferon
alpha-2b in naive patients with chronic hepatitis C: a randomized,
controlled study. Antivir Ther 2004;9:491-497.
4 - Di Bisceglie AM, Ghalib RH, Hamzeh FM, Rustgi VK. Early virologic
response after peginterferon alpha-2a plus ribavirin or peginterferon alpha-
2b plus ribavirin treatment in patients with chronic hepatitis C. Viral
Hepat 2007;14:721-729.
5 - Kolakowska A, Berok H, Wasilewski M, Horbon A. Relevance between
fibrosis and response to treatment with peginterferon alfa2a vs alfa2b with
ribavirin in chronic hepatitis C genotype 3 patients. Randomized open
label study. HEPATOLOGY 2008;48:1278.
6 - Laguno M, Cifuentes C, Murillas J, Veloso S, Larrousse M, Payeras A, et al.
Randomized trial comparing pegylated interferon alpha-2b versus pegylated
interferon alpha-2a, both plus ribavirin, to treat chronic hepatitisCin
human immunodeficiency virus patients. HEPATOLOGY 2009;49:22-31.
7 - McHutchison JG, Lawitz EJ, Shiffman ML, Muir AJ, Galler GW, Mc-
Cone J, et al. Peginterferon Alfa-2b or Alfa-2a with Ribavirin for Treatment
of Hepatitis C Infection. N Engl J Med 2009;361:580-593.
8 - Rumi MG, Aghemo A, Prati GM, D'Ambrosio R, Donato MF, Soffredini
R, et al. Randomized Study of Peginterferon-_2a Plus Ribavirin vs Peginterferon-
_2b Plus Ribavirin in Chronic Hepatitis C. Gastroenterology
2010 Jan;138(1):108-115.
9 - Scotto G, Fazio V, Fornabaio C, Tartaglia A, Di Tullio R, Saracino A, et al.
Peg-interferon alpha-2a versus peg-interferon alpha-2b in nonresponders
withHCVactive chronic hepatitis: a pilot study. J Interferon Cytokine Res
2008;28:623-630.
10 - Silva M, Poo J, Wagner F, Jackson M, Cutler D, Grace M, et al. A randomised
trial to compare the pharmacokinetic, pharmacodynamic, and antiviral effects
of peginterferon alfa-2b and peginterferon alfa-2a in patients with chronic
hepatitis C (COMPARE). HEPATOLOGY 2006;45:204-213.
11 - Sinha S, Gulur P, Patel V, Hage-Nassar G, Tenner S. A randomized
prospective clinical trial comparing pegylated interferon alpha 2a/ribavirin
versus pegylated interferon alpha 2b/ribavirin in the treatment of chronic
hepatitis C. Am J Gastroenterol 2004;99:237.
12 - Yenice N, Mehtap O, Gumrah M, Arican N. The efficacy of pegylated
interferon alpha 2a or 2b plus ribavirin in chronic hepatitis C patients.
Turk J Gastroenterol 2006;17:94-98.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Peginterferon alpha-2a is associated with higher sustained virological response than peginterferon alfa-2b in chronic hepatitis C: Systematic review of randomized trials - Awad T, Thorlund K, Hauser G, Stimac D, Mabrouk M, Gluud C. - Hepatology, Vol. 51, No. 3, 2010
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
03/04/2010
A todos,
Semana passada distribuímos o artigo "Publicada análise sobre as diferenças entre os interferon peguilados" informando que caso os fabricantes desejassem se manifestar daríamos uma semana de tempo para tal, quando então daríamos por encerrado o assunto, isso para evitar replicas e treplicas e, ainda, que da nossa parte não seria feito nenhum comentário, publicando na integra as colocações casos as recebêssemos.
Recebemos somente comentários da MSD, fabricante do PegIntron (alfapeginterferona 2b) que publicamos na integra a seguir.
Agradecemos a forma ética e cientifica como a MSD colocou suas considerações e comentários sobre a publicação.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
Nota da MSD Brasil
Foi publicada no volume deste mês do Hepatology uma metanálise realizada pelo Instituto Cochrane de Pesquisa comparando as duas alfapeginterferonas para o tratamento da hepatite C crônica. Respeitamos o nível da Hepatology e do Instituto Cochrane de Pesquisa, contudo o tratamento da hepatite C crônica tem tantas variáveis para atingir RVS que para assegurar que exista superioridade de um produto sobre outro, deve haver rigorosa uniformidade no que tange as características dos pacientes, a gravidade da doença, aos aspectos relacionados à virulência, a multicentralidade dos estudos e por último e não menos importante as doses utilizadas para comparação entre produtos ou esquemas terapêuticos.
Nesta análise em particular,
para que o resultado fosse justo nunca se poderiam comparar os produtos com doses que não aquelas usualmente empregadas ou aprovadas em bula. Cerca de 25% dos pacientes da análise foram tratados com dose inferior de alfapegiterferona 2b (PegIntron) da aquela recomendada em bula (23,4% dos pacientes tratados com 1,0mcg/kg/sem) e os pacientes tratados com PegIntron receberam dose inferior de ribavirina em relação ao grupo de alfapeginterferona 2a (71% receberam menos de 13mg/kg/dia no grupo de alfapeginterferona 2b 1,5mcg/kg/sem) e finalmente jamais se poderiam comparar estudos multicêntricos a estudos de um único centro o que ocorreu em alguns dos estudos escolhidos.
A metanálise realizada teve como objetivo avaliar as diferenças de eficiência de cada droga, analisando não somente a eficácia (RVS), mas também eventos adversos e mortalidade. A conclusão final foi que quanto à eficiência, não há dados suficientes que comprovem diferenças entre as duas alfapeginterferonas.
Foram selecionados 12 estudos através do MEDLINE, EMBASE, LILACS e Cochrane Central Register of Controlled Trials. Destes 12 estudos, 8 foram selecionados para avaliar somente a eficácia (reposta virológica sustentada). Alguns pontos importantes podem ser considerados nesta análise:
Estes 8 estudos totalizaram 4.335 pacientes tratados, e o estudo IDEAL corresponde a 51,8% deles (a maioria da população).
6 estudos concluíram que a RVS foi significativamente semelhante para os dois esquemas de tratamento, e dois estudos (Ascione et al e Rumi et al - MIST) concluíram que existe uma superioridade nas suas respectivas populações para alfapeginterferona 2a.
Estes são dois estudos realizados na Itália, sendo um em um centro único e o outro em dois centros. O estudo MIST administrou a ribavirina conforme a bula dos produtos, portanto comparou esquemas terapêuticos e não alfapeginterferonas (lembramos que a dose do Rebetol após o IDEAL e estudo MIST foi modificada para os pacientes na faixa de 75 a 85kg de 1000mg/dia para 1200mg/dia pelo FDA, pois no IDEAL estes receberam doses médias inferior à 13mg/kg/dia).
Na análise foram incluídos pacientes do estudo IDEAL que receberam alfapeginterferona 2b 1,0mcg/kg/sem associado à ribavirina. Lembramos que esta não é a dose recomendada em bula do produto. Estes pacientes equivalem a 23,4% da população total analisado (n=1016).
Havia estudos em populações especiais como Laguno et al que foi realizado em pacientes coinfectados, Scotto et al somente em pacientes não respondedores à terapia prévia e Kolakowska et al foi realizado somente em pacientes genótipos 3.
O IDEAL foi um estudo realizado que tinha como endpoint primário avaliar a RVS nos diferentes esquemas terapêuticos e não as alfapeginterferonas, e assim com doses diferentes de ribavirina, o que desfavoreceu o grupo de alfapeginterferona 2b com doses médias de ribavirina inferior a 13mg/kg/dia.
Acreditamos ser uma análise de resultados de estudos que apresenta alguns dados questionáveis ao envolver grupos bastante diferentes principalmente para comparar duas alfapeginterferonas.
A alfapeginterferona 2b tem sido utilizada em todos os estudos com inibidores de protease (Boceprevir, Narlaprevir, Telaprevir, MK7009) sendo uma importante medicação para a terapia de base no futuro.
A MSD é uma empresa marcada pelo seu pioneirismo no tratamento da hepatite C crônica com o interferon alfa 2b (Intron A) e ribavirina (Rebetol), e também responsável pelo lançamento da primeira alfapeginterferona (alfapeginterferona 2b - PegIntron), que trouxe um avanço importante aumentando a chance dos pacientes em atingir a cura para 50%. Além deste pioneirismo nos tratamentos atuais, temos um foco muito grande no desenvolvimento de novas drogas para estes pacientes buscando maiores chances de cura para os mesmos. Estamos desenvolvendo inibidores de protease e inibidores de polimerase, e os últimos estudos comprovam uma eficácia do inibidor de protease (Boceprevir) de 75% para pacientes naive e 55% de RVS para pacientes não respondedores.
MSD Brasil
Explico a seguir alguns termos científicos utilizados no texto da MSD para que os pacientes, por serem leigos possam compreender:
RVS: Resposta Virologica Sustentada - Considerada a cura da hepatite C.
alfapegiterferona 2b: PegIntron
alfapegiterferona 2a: Pegasys
IDEAL: Individualzed Dosing Efficacy versus Flat Dosing to Assess Optimal Pegylated Interferon Therapy - Estudo realizado nos Estados Unidos, incluindo 3.070 pacientes.
et al: Significa que existem outros pesquisadores que participaram do trabalho alem do citado.
endpoint: Objetivo do estudo.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica. É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte como retiradas de WWW.HEPATO.COM
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pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!