O conteúdo desta página e extraído dos livros "Convivendo com a Hepatite C" e "A Cura da Hepatite C" - Proibida sua reprodução total ou parcial sem autorização expressa do autor, Carlos Varaldo
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Os sintomas da hepatite
C
A
maioria dos doentes não apresenta sintomas, e apenas uns poucos desenvolvem
icterícia. A hepatite C freqüentemente começa como uma gripe suave após um
período de incubação de um a três meses. Contudo, a maioria das pessoas (até
75%) nada sente ou, no máximo, é acometida de sintomas muito leves. Estes
sintomas iniciais são, em geral, menos graves do que os da hepatite B.
Porém, a longo prazo, a hepatite C ocasiona conseqüências mais graves, até décadas
depois da infecção inicial. Na fase aguda (primeiros meses), as pessoas sofrem
elevações das transaminases detectadas no sangue. Níveis elevados das enzimas
hepáticas, chamadas transaminases, indicam que o fígado está inflamado.
Em alguns casos, poucas semanas depois, à medida que estes sintomas
iniciais começam a desaparecer, algumas pessoas podem ter icterícia na pele e
nos olhos, o que indica que o fígado não está processando corretamente a
bilirrubina. A bilirrubina é um pigmento biliar descarregado pelas células
vermelhas moribundas, processada normalmente pelo fígado e eliminada pelas
fezes. Se o fígado não funciona normalmente, a bilirrubina acumula-se na
corrente sangüínea e ocasiona a icterícia. Parte do excesso de bilirrubina é
eliminado pela urina, que pode ganhar a coloração marrom-escura. Ao mesmo tempo,
como o pigmento não passa pelos intestinos, as fezes podem ficar incomumente
claras ou cor de lama. Apesar de ser um sintoma associado à hepatite, a
icterícia geralmente não aparece nos infectados com a hepatite C.
A infecção crônica pode ser associada a sintomas como fadiga, náuseas,
dores articulares, ou musculares, pernas pesadas e cansadas, principalmente à
tarde, e à sensação de desconforto na parte superior direita do abdômen.
Geralmente, os doentes somente desenvolvem alguns destes sintomas quando ocorrem
complicações hepáticas avançadas.
Diabete
na Hepatite C
Um
alto nível de glicose poderia indicar um risco maior de desenvolver câncer em
pacientes com hepatite ou cirrose, de acordo com pesquisadores do Institute of
Industrial Ecological Sciences at the University of Occupational and
Environmental Health de Kitakyushu, Japão, que estudaram a interação da diabetes
por um longo período, comparando a população em geral e pacientes com hepatite
ou cirrose estabelecida.
Estatisticamente foi observado que os pacientes com problemas hepáticos
que também tinham diabete estavam submetidos a um risco 2,06 vezes superior
de desenvolver câncer quando
comparados com a população em geral.
Nos pacientes diabéticos e cirróticos, este risco foi de 2,9 vezes
superior ao da população em geral.
Nos pacientes diabéticos sem problemas hepáticos, o risco foi de somente
1,35 vezes superior ao da população em geral.
Pelo estudo, pode-se concluir que é muito importante manter baixas taxas
de glicose no sangue, para evitar algum possível problema futuro.
Sim, a
fadiga é um problema comum em portadores crônicos de hepatite C, por ser uma
reação natural do sistema imunológico, ao lutar contra a presença de um vírus no
organismo. Programe as suas atividades, encontrando um equilíbrio entre o
repouso e o trabalho. Uma pequena sesta após o almoço pode ser altamente
reparadora. Evitar grande fadiga ao final da tarde.
Não planeje muitas atividades para o mesmo dia. Programe as atividades de
maior desgaste físico para a parte da manhã, quando seu organismo dispõe de
maior energia. Tente organizar sua vida para ter um convívio de qualidade de seu
organismo com uma doença crônica que vai acompanhá-lo pelo resto da vida.
Organizando a sua rotina, você terá uma ótima qualidade de vida.
Embora
o próprio fígado não contenha nervos, e não sinta dor, muitas pessoas com hepatite C
experimentam uma sensação incômoda de dor no lado direito superior do corpo,
embaixo das costelas. Este incômodo, já que não se trata de uma dor, também pode
se refletir para o ombro direito ou para as costas.
A hepatite ocasiona a inflamação do fígado, que aumentado de tamanho
encosta-se à parede superior do abdômen, produzindo então o incômodo, que não
oferece perigo nenhum, salvo o desconforto físico e, mais ainda, psicológico do
paciente. Curiosamente, voltando o
fígado ao tamanho normal ou ainda ficando menor por causa da cirrose, a sensação
incômoda poderá permanecer por meses, já que, durante o tempo em que o fígado
ficou aumentado de tamanho, acabou colado na parte superior do abdômen,
ficando, agora pendurado. Com o
tempo irá se desprender por si só, voltando tudo ao normal.
Muitos
pacientes de hepatite C acham que perderam o interesse para o sexo. Isso tende a
ser especialmente verdadeiro quando estão submetidos ao tratamento com
Interferon. Não há uma relação
direta entre inapetência sexual e hepatite, mas é uma reação provável, devido à
ansiedade, desconforto e esgotamento causados pela luta contra uma doença
crônica.
Sensação de boca seca na Hepatite
C
É
acentuada a incidência de xerostomia (boca seca) em pessoas com hepatite C. O papel da saliva é limpar, lubrificar,
proteger de agentes químicos e ajudar a ativar as células de defesa do sistema
imune. Em essência, a saliva age como a base da saúde oral. Sua diminuição pode
conduzir à destruição excessiva da dentição (formação e posicionamento dos
dentes de uma pessoa), e ter impacto severo na qualidade de vida.
A redução da quantidade de saliva é uma das reclamações de pessoas com
hepatite C, que sentem a boca
ressecada particularmente à noite, com sintomas como tecidos orais doloridos,
particularmente a língua, gengivas e bochechas; saliva espumosa e pegajosa;
dificuldade de falar, comer e tragar; halitoses; perdas de dentes e
sensibilidade aumentada nos dentes.
As
hepatites agudas ou crônicas causadas pelo vírus da hepatite C poderão ser
complicadas pelo envolvimento de outros órgãos, ocorrendo, então, as chamadas
manifestações extra-hepáticas, destacando-se a crioglobulinemia mista, glomerulonefrite,
tireoidites, anemia aplástica e líquen plano.
Que
outras doenças ou problemas médicos podem estar
relacionados
à hepatite C ?
A
hepatite C ocasionalmente causa problemas para outras partes do corpo além do
fígado. Os órgãos mais freqüentemente afetados são os vasos sangüíneos, pele,
juntas, rins, e glândula tiróide.
Se a hepatite C causar cirrose, muitos problemas podem surgir. Problemas
potenciais na cirrose incluem acumulação de fluidos no abdômen, sangramento no
estômago, icterícia e confusão mental. Há casos em que a coagulação do sangue
torna-se mais lenta, além do aumento da suscetibilidade a
infecções.
A hepatite C tem tantos sintomas que não é fácil designar todas as
anomalias novas dessa doença. Mas
os pacientes de hepatite C não estão isentos de também contrair outras
enfermidades. Então, é importante monitorar sua saúde regularmente e consultar
permanentemente seu médico.
No livro Convivendo com a hepatite C, por ordem alfabética (não indicando maior ou menor
prevalência), se encontra uma lista dos sintomas mais comuns que os portadores
de hepatite C relatam e as principais enfermidades que podem estar relacionadas
com a hepatite C, como também aquelas que podem ter alguma relação com a doença
que não está, ainda, comprovada.
A
seguir, por ordem alfabética (não
indica maior ou menor prevalência), está uma lista com os sintomas mais comuns
relatados pelos portadores da hepatite C, as principais enfermidades que podem
estar relacionadas com a hepatite C e, também, aquelas que podem ter alguma
relação, não estando, porém, ainda comprovadas.
Alguns
dos sintomas mais freqüentemente relatados pelos portadores de hepatite
C:
Confusão
mental/aturdimento
Disfunção
cognoscitiva
Dor
abdominal
Dor
muscular e nas articulações
Dor no
fígado, no quadrante direito superior do abdômen
Enxaqueca
Fadiga,
podendo ser leve ou aguda
Falta de
concentração
Indigestão
Inflamação
abdominal
Perda de
apetite
Síndrome
do intestino irritável
Sintomas
similares aos de uma gripe de longa duração
Suor
noturno, principalmente na nuca, junto ao pescoço
Tonteiras
e problemas de visão periférica
Vontade
de urinar freqüentemente
As
enfermidades que podem estar relacionadas com a hepatite
C:
Aranhas
vasculares na pele
Artrite
e poliartrite
Artrite
reumatóide
Ascite
Câncer
de fígado, carcinoma hepatocelular
Cardiomiopatía
hipertrópica
Cirrose
Coceira
Complicações
dermatológicas
Crioglobulinemia
Cutânea
Tarda
Depressão
Diabetes
tipo II
Encefalopatia
Enfermidade
de Raynaud
Enfermidade
hepática
Enfermidade
tireóidea
auto-imune
Esclerodermia
Glomerulonefritis
Fibroses
Hepatite
auto-imune
Hipertensão
portal
Icterícia
Indigestão
Infiltrado
hepático
Inflamação
hepática
Insuficiência
hepática
Lichen
Planus
Linfoma
e linfoma não-Hodgkins
Necrose
Processos
alérgicos
Síndrome
de Sjogrens
Spider
Nevi
Trombocitopenia
Tromboses
Tumores
no fígado
Varizes
sangrando
Vasculitis
disfunção cognitiva
As
enfermidades possivelmente relacionadas com a hepatite
C
Anemia
aplástica
Enfermidade
de Crohns
Hiperatividade
autônoma
Intolerância
ao álcool
Linfoma
e linfoma não-Hodgkins
Lupus
eritematoso sistêmico
Síndrome
de Sjogrens
Síndrome
do intestino irritável
Spider
Nevi
Trombose
Varizes
sangrando
Crioglobulinemia
A crioglobulinemia é uma proteína anormal que aparece no sangue. Esta
proteína tem uma propriedade curiosa no laboratório: deposita-se quando o soro
do sangue é esfriado e volta a se dissolver quando o soro retorna à temperatura
normal.
Acredita-se que o vírus da hepatite C infecciona os linfócitos (glóbulos
brancos do sangue), e que isto possa causar a crioglobulinemia. A doença pode se apresentar sozinha ou
acompanhar outras, como o linfoma ou o mieloma múltiplo.
Quando a doença se apresenta sozinha, pode causar uma variação anormal na
densidade do sangue, inflamando os vasos sanguíneos (vasculite). Quando a
vasculite atinge as artérias, pode produzir deficiência de irrigação em alguns
órgãos do corpo, como a pele ou os rins, entre outros.
Quando a crioglobulinemia é associada a uma outra doença, como na maioria
dos casos de quem tem hepatite C, forma que nos interessa diretamente,
caracteriza-se por dores nas juntas e articulações, muito confundida com os
sintomas da artrite ? e em muitos casos tratada erradamente como se fosse uma
artrite. Podem acontecer, também, um aumento do tamanho do baço, o aparecimento
de manchas na pele devido a vasculites ou problemas nos rins, o que, por sua
vez, pode produzir dores no abdômen, problemas no coração ou sangramento nos
pulmões, assim como a perda do apetite.
Porém, vamos parar de assustar, pois ainda não há estudos suficientes
para se fazer um prognóstico a longo prazo. A única estimativa disponível é que
10% dos pacientes podem ter problemas nos rins, levando-os a fazer hemodiálises.
O tratamento da crioglobulinemia, quando associada a alguma outra doença,
no caso a hepatite C, é tratada com medicamentos que reduzem a inflamação e
suprimem o sistema imunológico. Os medicamentos incluem antiinflamatórios à base
de ibuprofeno, preparados de cortisona e outros medicamentos, que devem ser
criteriosamente avaliados pelo médico que trata da sua hepatite C, pois o
medicamento errado pode acarretar problemas maiores. Nos casos mais graves, é realizado
um tratamento em que o soro do sangue é substituído por água
salgada.
Para reduzir os sintomas, que aumentam no inverno, mantenha seu corpo bem
abrigado e aquecido. A hidroginástica ou a natação numa piscina ajudam a
diminuir de forma considerável os incômodos causados pela
doença.
Portador de hepatite C conjuntamente com outras
hepatites:
O que
pode acontecer ?
Alguns pacientes com hepatite C, que tenham contraído também outras
hepatites, como a dos tipos A, B e
especialmente a D, experimentaram a hepatite fulminante aguda, que consiste na
necrose massiva ou destruição do tecido hepático. Neste caso, a incapacidade do
fígado ocasiona transtornos no equilíbrio químico do organismo e a acumulação de
toxina pode resultar em danos cerebrais, o colapso do sistema circulatório, a
coma e a morte.
Existem vacinas para prevenir as hepatite A, B e indiretamente a D. A vacina para hepatite B é
aplicada gratuitamente em qualquer posto de saúde. A vacina para hepatite A é encontrada
nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), onde é aplicada
gratuitamente para portadores de doenças crônicas. Solicite a seu médico a indicação
para se dirigir a um dos centros de aplicação.