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Qual é o limite máximo desejado no nível das transaminases?

28/07/2008

É a cada dia mais comum que ao se realizar um exame de sangue seja também solicitada à realização do nível transaminases (até deveria ser uma conduta rotineira!). Mas o que medem as transaminases e para que elas servem?

As transaminases são enzimas encontradas no sangue e quando elevadas indicam que podemos estar frente a alguma doença, basicamente, mas não necessariamente, afetando o fígado. As transaminases indicam que algo de errado está acontecendo, mas elas não servem para diagnosticar a causa do problema, sendo um indicador, um alerta para o médico solicitar exames complementares que possam diagnosticar a causa.

Conforme os resultados, caso uma delas apresente resultados muito mais elevados que as demais o médico poderá orientar a estratégia do diagnostico, já suspeitando se tratar de excesso de ingestão de bebidas alcoólicas, alterações por medicamentos, depósitos de gordura no fígado, hepatites por vírus, problemas nos músculos ou no coração, etc.

Sempre que qualquer uma delas apresentar um resultado superior a três vezes o nível máximo um profissional médico especialista em fígado (veja relação de profissionais na seção ONDE TRATAR da nossa página na internet) deve ser procurado imediatamente, pois indica que as alterações podem ser perigosas.

Mas na atualidade existem estudos que indicam que os níveis máximos de transaminases considerados como ideais apontam a valores excessivamente altos. Um novo estudo realizado na Austrália em adolescentes masculinos com a transaminase mais diretamente relacionada com alterações no fígado, a ALT (TGP) foi publicado em Hepatology, apresentados dados muito interessantes.

Os pesquisadores objetivam procurar um valor seguro para criar uma nova definição para o limite superior normal da transaminase ALT (TGP), definir as implicações e associações que podem elevar a ALT (TGP), e entender fatores de risco e associações com a hepatite C.

No período entre outubro de 2003 e dezembro de 2005 foram acompanhados 439 adolescentes considerando estilo de vida, dados clínicos e associações relevantes que pudessem alterar os resultados. Nenhum dos participantes no inicio da pesquisa possuía massa corporal acima do normal e todos eles apresentavam níveis normais de colesterol, triglicéridos e pressão sanguínea, não fazendo uso abusivo no consumo de bebidas alcoólicas.

O limite máximo atual para a transaminase ALT (TGP) e de 45 ou 55 UI/L dependendo do kit utilizado pelo laboratório.

Os pesquisadores trabalharam com os seguintes limites máximos para tentar diagnosticar anormalidades:

- 28 UI/L para ALT (TGP);
- 32 UI/L para AST (TGO);
- 29 UI/L para GGT


Durante o período do estudo 17% dos participantes elevaram a ALT (TGP) acima das 28 UI/L. Ao comparar esse grupo com o restante dos participantes foi observado que entre os que aumentaram as transaminases existia uma associação com o aumento do peso ou obesidade. O aumento das transaminases serve como um alerta para uma provável deficiência metabólica minimizando o risco futuro de problemas cardiovasculares ou diabetes.

Com os novos níveis máximos foi possível diagnosticar 80% dos casos de participantes com hepatite C, provavelmente infectados nos últimos 12 meses por serem usuários de drogas injetáveis. Entre os participantes 81 deles eram usuários de drogas sendo comprovada uma taxa de infecção de pelo menos 3,7% ao ano nesse grupo especifico.

Concluem os autores do estudo que se adotados menores níveis máximos para as transaminases, em especial para a ALT (TGP) será possível, de forma simples, diagnosticar doenças que atacam o fígado nas fases iniciais.


MEU COMENTÁRIO:

Interessante a conclusão do estudo, pois as transaminases já são praticamente parte integrante do hemograma. Vemos que se for diminuído o nível máximo, o qual é um nível de alerta para que qualquer médico realize uma estratégia de diagnostico especifico para o fígado, muitas doenças hepáticas poderiam ser diagnosticadas em fases mais precoces, deixando o paciente em melhores condições para tratar da doença.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
D van der Poorten, D Kenny, T Butler, and others. Liver Disease in Adolescents: A Cohort Study of High-Risk Individuals. Hepatology 46(6): 1750-1758. December 2007.


Carlos Varaldo
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