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Transaminases elevadas
Quais são os procedimentos com as transaminases Elevadas?

10/02/2005

O meu objetivo final será o de escrever sobre a evolução da fibroses, seus tratamentos e regressão do dano hepático, porém, como a fibroses e uma conseqüência da persistência da inflamação no fígado e não uma causa em si, achei conveniente explicar primeiro as transaminases, já que estas são as enzimas produzidas pelo fígado quando e agredido por alguma doença ou processo inflamatório. Assim, entendendo primeiro o que pode produzir a elevação das transaminases poderei melhor explicar o processo de fibroses num próximo e-mail.

Diante de um aumento das transaminases em um indivíduo considerado sadio é necessário que o médico não tenha pressa e consiga realizar uma investigação diagnostica detalhada, na qual não se pode descartar antecipadamente nenhuma hipótese ou suspeita, já que o tratamento a ser indicado será aquele que corresponda à doença que esta provocando a alteração nas transaminases. A elevação das transaminases e a conseqüência de uma doença existente e não uma doença em si.

A elevação dos valores das transaminases, freqüentemente, mas não sempre, indica alteração hepática. Determinam-se a alanina amino transaminase (também chamada de ALT ou GPT ou TGP) e a aspartato amino transaminase (também chamada de AST ou GOT ou TGO) sendo que seus valores normais são menores de 40 UI embora este valor poderá ser diferente disto segundo for o sexo do paciente ou o fabricante do teste empregado pelo laboratório. A transaminase TGO é menos específica para se afirmar que existe uma doença hepática já que também se encontra no músculo cardíaco, nos ossos, rins, cérebro, pâncreas, pulmões, leucócitos e eritrócitos. A TGP, em geral, e mais especifica do fígado.

O primeiro passo diante de um aumento assintomático das transaminases será repetir o exame e confirmar o resultado. Nunca devemos considerar um resultado isolado, sendo conveniente sempre se fazer o valor médio dos últimos quatro resultados.

Uma vez confirmada a elevação é importante realizar uma boa e completa história clínica e exploração física do paciente com o fim de identificar as causas mais comuns que podem estar provocando seu aumento, entre elas o abuso de bebidas contendo álcool, ter sofrido exposição a sangue contendo vírus (usuários de drogas, tatuagens, transfusões, etc.) a provável existência de doença biliar, o uso atual de medicamentos hepatotóxicos, imunossupressão, hepatopatia prévia, enfermidade cardíaca, etc.

Será necessário realizar exames como o hemograma, coagulação, bioquímica completa, sorologia dos vírus das hepatites (HAV, HBV, HCV, CMV, Epstein-Barr, Herpes), auto-anticorpos, imunoglobulinas, alfa1antitripsina, ferro, transferrina, e muitos outros que o médico achar conveniente conforme o resultado da investigação clínica do paciente. Não fique ansioso por resultados rápidos ou assustado com a quantidade de exames. É melhor passar por isto que tratar erradamente uma doença.

A seguir poderá ser solicitada uma ultra-sonografia abdominal com a qual se poderá descartar a existência de problemas biliares, de alguma doença hepática crônica. Se na ultra-sonografia aparece uma dilatação de via biliar, sinais de colestase (em geral acompanhado de febre e dor) neoplasia biliar, provavelmente sejam estas as causas do aumento das transaminases e se teria que tratar a doença original para sua normalização.

A ultra-sonografia pode evidenciar a existência de lesões hepáticas, como um tumor hepático, cuja confirmação requereria realização de exames complementares.

Outras possíveis causas das transaminases elevadas podem ser originadas por vírus. No caso de estarmos perante uma hepatite aguda existiria um aumento das transaminases superior a 10 vezes o valor máximo e geralmente a TGO maior que a TGP. Com estes dados e sorologia positiva para infecção aguda será necessário controlar os valores das transaminases e a sorologia com controles posteriores, dado o risco da doença se tornar crônica (sobretudo na hepatite C e também em alguns casos na hepatite B) que seria uma outra causa de aumento leve das transaminases e que precisaria realização de biópsia hepática para se decidir se é necessário se pensar em um provável tratamento.

Sempre se terá que investigar se o paciente consome bebidas alcoólicas, em cujo caso a relação TGO é superior a duas vezes o valor da TGP, podendo ter a GGT alterada. A elevação das transaminases e maior nos casos de hepatite aguda por álcool. É muito importante a abstinência rigorosa de álcool em todo e qualquer caso de transaminases elevadas.

Não se deve pensar unicamente em causa biliar ou hepática diante de um aumento das transaminases já que uma origem muito freqüente pode ser por problemas no coração (isquemias). Por causa disto o médico vai perguntar exaustivamente ao paciente sobre alguma história anterior de enfermidade cardíaca, pressão elevada, shock, sepsis, etc.

Se não existir algum problema biliar, as sorologias são negativas e não existe história de consumo de álcool, sempre o médico irá suspeitar de alguma origem tóxica e discutir com o paciente sobre possíveis medicamentos em uso ou o uso de ervas, vitaminas e complementos minerais, já que existem uma grande quantidade de medicamentos hepatotóxicos tendo entre os mais importantes os antiinflamatórios, antibióticos, antiepilépticos e estatinas. Geralmente é necessária a interrupção destes produtos para se conseguir a normalização das transaminases.

Diante de uma elevação das transaminases em um paciente obeso ou diabético, deverá se averiguar a existência de esteatoses hepática (depósitos de gordura no fígado) ou de esteatohepatite não alcoólica que poderá em muitos casos ser visualizada na ultra-sonografia e, então, se recomendado perder peso com a realização de acompanhamento e controles posteriores das transaminases. Em muitos casos será necessária a realização de uma biópsia hepática já que a esteatohepatite pode evoluir para a cirroses.

Por último, outras causas de elevação das transaminases que terão que ser investigadas seriam a existência de hepatite auto-imune (auto-anticorpos positivos, hipergammaglobulinemia), hemocromatoses (ferro e índice de saturação de transferrina elevado), doença de Wilson (cobre elevado) sendo em todas elas necessário a realização de biópsia hepática para confirmar o diagnóstico e receitar o tratamento adequado.

Assim, quando um indivíduo descobre que esta infectado com a hepatite C não pode se deixar de pesquisar exaustivamente se o provável aumento de suas transaminases não poderia ser devido também a alguma outra causa e, portanto, deveria ser submetido a toda a investigação acima descrita.

Como podemos ver, são muitas as causas que podem afetar as transaminases e não se pode colocar a culpa somente ao vírus da hepatite C. O paciente tem que ser observado pelo medico como um ser complexo e não somente uma caixa contendo exclusivamente o vírus da hepatite C. Cabe ao médico a responsabilidade por uma investigação clínica completa e ao paciente ser muito paciente.

Carlos Varaldo
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