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Como a hepatite C pode se transmitir na atualidade?

27/02/2012

Ao se falar sobre a possibilidade de alguém se infectar com o vírus da hepatite C é necessário falar em datas especiais, nas quais aconteceram mudanças que alteram as formas de transmissão da doença e que modificam a epidemiologia e conseqüentemente, as possibilidades de uma pessoa se infectar nos dias de hoje é muito diferente que no passado.

A hepatite C somente foi descoberta em 1989 e durante os anos seguintes não existia um exame que pudesse identificar o vírus, até que em 1992/1993 surge um teste de anticorpos conhecido como anti-HCV com o qual foi possível testar se o sangue utilizado em transfusões estava infectado.

Assim, antes de 1993 quem recebeu sangue ou seus derivados possuía uma grande possibilidade de ser infectado com a hepatite C, acontecendo nas décadas de 70 e 80 a maioria das infecções que hoje afetam a maioria dos portadores.

A partir de 1993 a transmissão de o vírus poder acontecer numa transfusão de sangue se reduz grandemente, mas não totalmente, pois ainda fica a chamada janela imunológica durante a qual o resultado do exame pode dar negativo, mas realmente esse sangue por ser uma pessoa infectada recentemente transmitira a doença a quem receber seu sangue ou seus derivados. Foi à primeira mudança naquilo que era a maior forma de contagio. Hoje um teste de nome NAT reduz a janela imunológica para poucos dias, tornando o sangue muito mais seguro.

Mas a transmissão continuava, até que na mesma década de 90 e já entrando nos anos 2000 começa a mudar as formas possíveis de transmissão ainda existentes, isso passa quando a epidemia da AIDS passou a contribuir enormemente no controle da hepatite C. Por pressão dos grupos de AIDS e pelo terror que tal doença apresentou a população, instrumentos como seringas de injeção de vidro deixaram de ser utilizadas, passando a se utilizar as descartáveis. Também a vigilância sanitária passou a determinar normas mais severas de esterilização de instrumentos utilizadas em procedimentos invasivos.

Nas décadas de 90 e na primeira década de 2000 a transmissão continuou entre usuários de drogas injetáveis. Os programas de redução de dano implementados pelos governos focaram a atenção somente na AIDS, esquecendo-se da hepatite C. Não avaliaram a sobrevida do vírus da hepatite C, de até três dias numa seringa infectada, e aquilo que foi sucesso controlando a transmissão da AIDS infectou, conforme alguns estudos, até 70% dos usuários de drogas injetáveis com a hepatite C. Até agora ninguém foi culpado por tal erro estratégico.

Com os erros do passado muito se aprendeu e com isso os novos infectados com hepatite C são poucos quando comparados em relação ao número total de infectados cronicamente, de 170 milhões de pessoas no mundo, cinco vezes maior que os infectados pela AIDS.

Hoje muitos confundem diagnostico de casos crônicos com novos infectados. Quando se coloca que a hepatite C está crescendo porque aumentou o número de casos diagnosticados isso não significa que a epidemia está se alastrando, pois maioria desses casos diagnosticados é referente aos infectados antes de 1993. O que está aumentando é o diagnostico dos indivíduos infectados anos atrás, não a propagação da epidemia.

Apesar do aumento dos casos diagnosticados, ainda, 80% dos infectados do mundo ainda não foram encontrados, esses indivíduos permanecem ignorando que um vírus está silenciosamente, sem qualquer sintoma, destruindo seu fígado, o levando para a cirrose, um câncer e, inevitavelmente a morte.

Enquanto governos atuem sem a devida responsabilidade de alertar a população sobre a necessidade de realizar o teste das hepatites as mortes irão aumentar. No Brasil estimativas indicam que existam entre 3 e 4 milhões de infectados com a hepatite C, menos de 200 mil foram diagnosticados.

Pior ainda, faz mais de dois anos que as hepatites estão incorporadas no programa de AIDS do ministério da saúde, mas o que se continua a ver é que praticamente todos os esforços nas campanhas são dirigidos para a AIDS, tal qual está acontecendo com a atual campanha do carnaval onde a hepatite C foi, mais uma vez, solenemente ignorada.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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