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Transmissão da hepatite C entre casais heterossexuais monogâmicos

18/02/2013

Pesquisa publicada em "Hepatology" em 7 de fevereiro de 2013 demonstra com os resultados o risco quantificável de transmissão sexual da hepatite que pode existir em longo prazo de relacionamento quando um dos parceiros está infectado com hepatite C.

Ainda, lamentavelmente e a pesar de muitos estudos já publicados, a transmissão sexual da hepatite C permanece controversa, muitas vezes com informações totalmente sem base científica, confundindo a transmissão com a facilidade que existe na hepatite B ou a AIDS, criando dessa forma informações inverídicas sobre a transmissão da hepatite C.

A nova pesquisa foi resultado de um estudo transversal de pessoas infectadas com hepatite C e seus parceiros, para estimar o risco de infecção entre casais heterossexuais monogâmicos. Um total de 500 infectados com hepatite C e seus parceiros foram incluídos, todos eles sem co-infecção com o vírus da AIDS.

Os casais foram entrevistados separadamente para conhecer os fatores de risco para a infecção, conhecendo as práticas sexuais e o compartilhamento de artigos de higiene, como alicates de unhas, laminas de barbear, escovas de dentes, etc.

As amostras de sangue de todos os infectados e seus parceiros foram testadas para anticorpos (anti-HCV) HCV-RNA (carga viral), genótipo e serotipo (família do genótipo). Quando em um casal existia o mesmo genótipo foi realizado o sequenciamento e analise filogenética para determinar se o genótipo era concordante, isto é, da mesma família de vírus.

A idade média dos casais era de 49 anos (entre 29 e 79 anos) e a atividade sexual entre eles era em média de 15 anos (entre 2 e 52 anos de vida sexual conjunta).

Entre os 500 casais foram encontrados 20 nos quais os dois estavam infectados com hepatite C, representando 4% do total, mas somente 9 casais possuíam o mesmo genótipo / sorotipo, mas ao se fazer o sequenciamento do vírus somente em três casais pode se afirmar que a transmissão da hepatite C foi ocasionada pelo parceiro, o que representa somente 0,6% de prevalência de uma possível transmissão sexual ou pelo compartilhamento de artigos de higiene.

No total foram estudados 8.377 pessoas-ano e a taxa máxima de transmissão da hepatite C pelo sexo foi de 0,07% ao ano ou de aproximadamente uma possibilidade a cada 190.000 contatos sexuais. Nenhuma pratica especifica de sexo entre os casais estava relacionada com maior ou menos possibilidade de transmissão da hepatite C.

Concluem os autores que além do risco extremamente baixo de acontecer a transmissão sexual em parceiros heterossexuais monogâmicos, a falta de associação com as praticas sexuais utilizadas fornece mensagens de aconselhamento sexual inequívocos e reconfortantes.

MEU COMENTÁRIO

Passadas duas décadas do descobrimento da hepatite C uma infinidade de pesquisas e estudos demonstram que não se trata de uma doença de transmissão sexual.

Lamentavelmente parece mentira que ainda existam pessoas desinformadas, de má fé, ou que de forma proposital insistem em colocar a hepatite C como uma doença de transmissão sexual. Pior ainda, é triste ver que existem paginas na internet, inclusive de governos, que cometem um crime ao colocar que a hepatite C é de transmissão sexual.

Concordo que em toda relação sexual deva ser recomendado usar preservativo, mas informar que a hepatite C é uma doença sexualmente transmissível é uma atitude irresponsável, ignorante, de total desconhecimento de quem cuida da doença em nível de governo. Até quando esses governos, que deveriam informar corretamente continuarão a odiar os infectados com hepatite C?

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Sexual transmission of hepatitis C virus among monogamous heterosexual couples: The HCV partners study - Norah A. Terrault, Jennifer L. Dodge,Edward L. Murphy, John E. Tavis, Alexi Kiss, T. R. Levin, Robert G. Gish, Michael P. Busch, Arthur L. Reingold, Miriam J. Alter - Hepatology - Article first published online: 7 FEB 2013 - DOI: 10.1002/hep.26164


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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