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O efeito antifibrotico do tratamento com interferon nos transplantados de fígado continua após o final do tratamento - EASL 2012

14/05/2012

A cura (resposta sustentada) da hepatite C está associada a uma melhora na fibrose existente no fígado transplantado e a uma maior sobrevida dos pacientes. Por ser ainda incerto se tais benefícios são obtidos independentemente da gravidade da doença o objetivo dos pesquisadores foi avaliar o efeito do tratamento com interferon e ribavirina na progressão pós transplante e na sobrevida dos pacientes.

Foram analisados os dados de 114 pacientes transplantados do fígado que receberam tratamento pela primeira vez, dos quais 43% conseguiram a cura (resposta sustentada) e 57% não obtiveram resposta. Todos foram categorizados pelo grau da biopsia antes de receberem o tratamento, sendo que 45% apresentavam uma fibrose leve (F1 e F0) e 55% uma fibrose grave (F3 ou F4).

Ao se realizar a biopsia após seis meses do final do tratamento foi observado que 75% dos pacientes que resultaram curados apresentavam uma redução de 1 ponto na escala de fibrose. Já entre os não respondedores 50% também tinha melhorado o grau de fibrose em 1 ponto ou mais.

Uma nova biopsia foi realizada em alguns pacientes ao completar 1 ano do final do tratamento, quando foi encontrado que em 12 pacientes que obtiveram a cura 92% deles apresentavam uma melhoria de 1 ponto na fibrose e, entre os não respondedores 41% apresentavam a melhoria de 1 ponto na fibrose.

A sobrevida dos pacientes transplantados era superior entre os que responderam ao tratamento conseguindo a cura da hepatite C ao serem comparados com os não respondedores.

No grupo de pacientes com fibrose pré tratamento F0 ou F1 a sobrevida aos 3, 5 e 10 anos após o transplante foi de 100%, já no grupo de pacientes não respondedores a sobrevida foi de 90% aos 3 anos, de 76% aos 5 anos e de 76% aos 10 anos do transplante.

No grupo de pacientes com fibrose pré tratamento F3 ou F4 a diferença na sobrevida estava presente, mas não atingiu significância estatística, mostrando uma sobrevida após 1 ano de transplante de 96% nos respondedores contra 97% nos não respondedores, de 91% versus 92% após 3 anos, de 85% versus 75% após 5 anos e de 85% versus 72% após 10 anos, respectivamente.

Concluem os pesquisadores que as melhorias na fibrose nos pacientes que conseguem a cura da hepatite C somente se tornam aparentes nas biopsias realizadas pelo menos 1 ano após o final do tratamento e, que a sobrevida dos pacientes com fibrose leve antes do tratamento está associada a uma maior expectativa de vida e maior possibilidade de sucesso com o tratamento.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Improved outcome after anti-HCV therapy is less marked when therapy is started at advanced stages of fibrosis - V. Aguilera, M. García, A. Rubín, L. Navarro, M. Prieto1, M. Berenguer - EASL 2012 - Abstract 1082


Carlos Varaldo
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