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Transplante de fígado por conseqüência da hepatite C
A raça do doador influi no sucesso do retratamento após o transplante

16/11/2010

Um estudo estatístico realizado pelo hospital Henry Ford nos Estados Unidos encontrou que pacientes que por conseqüência da hepatite C necessitam de um transplante de fígado, a velocidade da progressão do dano hepático e por conseqüente a possibilidade de cura com um retratamento após o transplante vai ser maior ou menor dependendo da raça do doador.

O estudo de fundo estatístico é uma analise retrospectiva da influencia da raça do doador do fígado sobre a gravidade da hepatite C nos transplantados por conseqüência da hepatite C. É sabido que todos os transplantados terão o novo fígado atacado pelo vírus da hepatite C, mas os estudos até então conhecidos apresentavam resultados contraditórios sobre como influi a raça do doador na sobrevida dos transplantados.

Entre os anos de 2000 e 2006 o Hospital Henry Ford realizou 222 transplantes em infectados com hepatite C. Excluindo os que perderam o enxerto no primeiro ano após o transplante, os que progrediram rapidamente na fibrose por outras causas que não o vírus da hepatite C e os que foram a óbito, o estudo fez o acompanhamento de 165 transplantados por conseqüência da hepatite C.

Após 1 ano do transplante foi encontrado que 64% apresentavam uma fibrose portal leve sem fibrose portal em qualquer ponto, 18% apresentavam fibrose portal moderada após 1 ano do transplante ou fibrose em ponte ou, cirrose após três anos do transplante e, 19% tinham evoluído para cirrose ou perda do enxerto aos três anos após o transplante.

Dos 165 pacientes que receberam o transplante 70% eram brancos e 24% afros descendentes, sendo que no total de doadores 80% eram fígados retirados de pacientes brancos e 16% de afros descendentes.

Ao realizar uma analise multivariada estatística sobre a gravidade da hepatite C após o transplante foi encontrado que a progressão da agressividade ao fígado podia ser avaliada em:

- Se o doador era branco e o receptor branco a progressão do dano hepático resultou no índice de 1,54;

- Se o doador era branco e o receptor afro descendente a progressão do dano hepático resultou no índice de 1,89;

- Se o doador era afro descendente e o receptor branco a progressão do dano hepático resultou no índice de 1,18;

- Se o doador era afro descendente e o receptor afro descendente a progressão do dano hepático resultou no índice de 1,23.

Os resultados mostram que ter um doador branco para um paciente receptor afro descendente está associado a ter uma maior possibilidade de ter o novo fígado rapidamente danificado pelo vírus da hepatite C.

Ao mesmo tempo os dados indicam que um paciente branco que recebe um fígado de um doador afro descendente apresentará uma progressão muito mais lenta da deterioração do novo fígado pelo ataque do vírus da hepatite C.

O estudo pode parecer uma curiosidade científica, mas ele é muito importante para os médicos, pois se constitui em mais uma variável pela qual poderão identificar pacientes com maior risco de sofrer uma forma mais agressiva da recorrência da hepatite C nos pacientes transplantados.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
AASLD 2010 - The impact of donor race on recurrent hepatitis c after liver transplantation - Matthew J. Moeller, Ashish Zalawadia, Aref Alrayes, George Divine, Kimberly Ann Brown, Dilip Moonka - Abstract 1150


Carlos Varaldo
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