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Novas evidencias sobre os efeitos do café na doença hepática

09/11/2010

Duas apresentações no AASLD 2010 associam o café a um aumento na possibilidade de sucesso no tratamento da hepatite C e a uma menor velocidade na progressão dos danos no fígado.

Uma analise dos dados do ensaio clínico HALT-C, realizado em 885 pacientes com elevado dano hepático em retratamento com interferon peguilado Pegasys, analisou a possibilidade de cura levantando hábitos de consumo de café dos pacientes durante os 12 meses anteriores ao tratamento.

Foi encontrado que 133 pacientes não bebiam café diariamente, que 253 ingeriam uma xícara por dia ou menos, que 367 ingeriam diariamente entre 1 e 3 xícaras de café e, que 132 bebiam 3 ou mais xícaras por dia.

O objetivo dos pesquisadores era avaliar a redução da carga viral em no mínimo 2 LOG na semana 12 do tratamento e a resposta sustentada, isto é, os que resultaram realmente curados com o retratamento.

Na semana 12 do tratamento a redução de 2 LOG ou mais foi observada em 45,7% dos pacientes que não bebiam café, em 44,7% dos que bebiam menos de 1 xícara por dia, em 57,1% entre os que bebiam entre 1 e 3 xícaras por dia e, em 72,7% dos que bebiam 3 ou mais xícaras de café por dia.

A cura da hepatite C (resposta sustentada seis meses após o final do tratamento) aconteceu em 11,3% dos pacientes que não bebiam café, em 12,7% dos que bebiam menos de 1 xícara por dia, em 20,7% dos que bebiam entre 1 e 3 xícaras por dia e, em 25,8% dos que bebiam 3 ou mais xícaras por dia.

É necessário atentar que o percentual de curados é pequeno porque os 885 pacientes eram infectados com o genótipo 1, não respondedores a um tratamento anterior e com fibrose elevada ou cirrose, ou seja, um dos grupos mais difíceis de responder a um retratamento.

Outro estudo avaliou o efeito do café em pacientes com esteatose (gordura no fígado), pacientes que não eram alcoólatras ou infectados com qualquer hepatite. Pacientes que são conhecidos como afetados pela esteato hepatite não alcoólica.

Os pacientes não apresentavam sintomas e foram diagnosticados ao realizar um ultrassom. Realizada uma biopsia do fígado foi encontrado que 89 pacientes apresentavam esteatose simples, que 31 pacientes apresentavam esteato hepatite não alcoólica com fibrose leve (F0 e F1) e, que 9 pacientes apresentavam esteato hepatite não alcoólica com fibrose elevada ou cirrose (F2 - F4).

Os pesquisadores encontraram que os pacientes que apresentavam menos fibrose bebiam uma quantidade maior de café que aqueles que apresentavam graus de fibrose elevada. Os pacientes com esteatose simples ou com esteato hepatite não alcoólica com fibrose leve (F0 e F1) consumiam uma media de 413 mg de cafeína (cinco xicaras de café forte) por dia, em comparação com os pacientes com esteato hepatite não alcoólica com fibrose elevada (F2 - F3 - F4) que bebiam 189 mg de cafeína (duas xicaras de café forte) por dia.

Definitivamente pode se acreditar que existem evidencias que comprovam que o consumo "moderado" de cafeína e/ou café poderia ser um complemento auxiliar no tratamento da esteatose (gordura no fígado) e poderia aumentar a possibilidade de cura com o tratamento da hepatite C com interferon peguilado e ribavirina, mas cuidado, pois existem pacientes intolerantes ao café e, ainda, tomar café em excesso poderá causar problemas estomacais e digestivos, alem de deixar o individuo com insônia.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
- AASLD 2010 - Abstract 224 - COFFEE IS ASSOCIATED WITH VIROLOGIC RESPONSE IN CHRONIC HEPATITIS C (CHC): FINDINGS FROM THE HEPATITIS C LONG-TERM TREATMENT AGAINST CIRRHOSIS TRIAL (HALT-C) - Neal D. Freedman, Teresa M. Curto, Karen Lindsay, Elizabeth C. Wright, Rashmi Sinha, James E. Everhart5.
- AASLD 2010 - Abstract 627 - ASSOCIATION OF COFFEE CONSUMPTION WITH FATTY LIVER DISEASE, NASH, AND DEGREE OFHEPATIC FIBROSIS - Jeffrey W. Molloy, Christopher J. Calcagno, Christopher D. Williams, Stephen A. Harrison.


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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